• No results found

Styles and strategies for enforcing environmental regulations

3. The enforcement of formal regulations

3.2 Why do actors obey the rules?

3.3.1 Styles and strategies for enforcing environmental regulations

As tiossemicarbazonas são compostos que apresentam a estrutura básica R1R2C=N-(NH)-C=S(-N)R3R4 (Figura 1.3) e constituem uma importante classe de ligantes

N, S-doadores.75

Do ponto de vista sintético, apresentam como característica principal sua versatilidade de obtenção, com rendimentos satisfatórios e sua vasta aplicação como intermediários de muitos núcleos importantes. A síntese de tiossemicarbazonas geralmente envolve a condensação quimiosseletiva de tiossemicarbazidas com aldeídos ou cetonas, sendo comumente necessária a utilização de catálise ácida.76,77

N NH S N R2 R1 R3 R4

Figura 1.3. Estrutura genérica de tiossemicarbazonas.

Apesar de a Figura 1.3 apresentar o esqueleto das tiossemicarbazonas com ligações duplas e simples convencionais, as tiossemicarbazonas apresentam alta deslocalização eletrônica, principalmente quando grupos aromáticos encontram-se ligados ao carbono azometínico. Devido a esta deslocalização, as tiossemicarbazonas podem coexistir nas formas tiona ou tiol, em equilíbrio tautomérico.76 Além disso, as tiossemicarbazonas geralmente encontram-se como mistura dos isômeros configuracionais Z e E em relação à ligação C=N, sendo que a preferência entre um isômero e outro depende da natureza dos grupos substituintes. De forma geral, as tiossemicarbazonas derivadas de aldeídos tendem a formar preferencialmente o isômero E, conforme observado por Temperini e colaboradores para a 2-formilpiridina tiossemicarbazona.78. Por outro lado, as tiossemicarbazonas derivadas de cetonas assimétricas apresentam uma proporção entre Z e E dependente dos substituintes ligados à carbonila.76

74 N.C. Romeiro, G. Aguirre, P. Hernández, M. González, H. Cerecetto, I. Aldana, S. Pérez-Silanes, A. Monge, E.J.

Barreiro, L.M. Lima, Bioorg. Med. Chem. 17 (2009) 641.

75 T.S. Lobana, S. Khanna, G. Hundal, B.-J. Liaw, C.W. Liu, Polyhedron 27 (2008) 2251.

76 R.P. Tenório, A.J.S. Góes, J.G. De Lima, A.R. De Faria, A.J. Alves, T.M. De Aquino, Quim. Nova 28 (2005)

1030.

77 S. Cunha, T.L. Da Silva, Tetrahedron Lett. 50 (2009) 2090.

13 Do ponto de vista biológico, as tiossemicarbazonas pertencem a uma classe de substâncias bastante conhecidas por suas importantes aplicações na pesquisa de novos fármacos, em função de seu amplo espectro de ação. Dentre suas aplicações, podem-se citar suas atuações como agentes antitumorais79, antimicrobianos80, antivirais81, antimaláricos82, antituberculose83 e

antiparasitários84.

A química de coordenação das tiossemicarbazonas foi inicialmente explorada durante princípios dos anos sessenta. Atualmente, as propriedades biológicas das tiossemicarbazonas são freqüentemente relatadas à coordenação com íons metálicos, a qual pode ocorrer através das formas neutra ou aniônica.85

A atividade antitumoral das tiossemicarbazonas tem sido a mais estudada para esta classe de compostos. Esta propriedade é atribuída à capacidade que elas têm de inibir a enzima ribonucleosídeo difosfato redutase (RDR), a qual está envolvida na biossíntese do ácido desoxirribonucléico (ADN).86 De fato, a RDR é atualmente considerada um alvo estratégico para o desenvolvimento de novos fármacos e as tiossemicarbazonas atuam bloqueando a ação da enzima e causando modificação na velocidade de mutação espontânea das células.87,88

A hidroxiuréia (Figura 1.4-A) vem sendo utilizada na terapia do câncer por décadas, e atua através da inibição da RDR. No entanto, este composto apresenta um curto tempo de meia-vida no plasma, além de ser considerado um fraco bloqueador da atividade enzimática. Outro problema é o surgimento de células tumorais resistentes ao composto, tornando necessária a busca por novos fármacos.89

79 J.A. Lessa, I.C. Mendes, P.R.O. Da Silva, M.A. Soares, R.G. Dos Santos, N.L. Speziali, N.C. Romeiro, E.J.

Barreiro, H. Beraldo, Eur. J. Med. Chem. 45 (2010) 5671.

80 M. Joseph, M. Kuriakose, M.R.P. Kurup, E. Suresh, A. Kishore, S.G. Bhat, Polyhedron 25 (2006) 61. 81 Y. Teitz, D. Ronen, A. Vansover, T. Stematsky, J.L. Riggs, Antiviral Res. 24 (1994) 305

82 D.L. Klayman, J.P. Scovill, J.F. Bartosevich, J. Bruce, J. Med. Chem. 26 (1983) 35.

83 L. Bukowski, Z. Zwolska, E. Augustynowicz-Kopec, Chem. Heterocyc. Compd. 42 (2006) 1358.

84 D.C. Greenbaum, Z. Mackey, E. Hansell, P. Doyle, J. Gut, C.R. Caffrey, J. Lehrman, P.J. Rosenthal, J.H.

McKerrow, K. Chibale, J. Med. Chem. 47 (2004) 3212.

85 T.S. Lobana, R. Sharma, G. Bawa, S. Khanna, Coord. Chem. Rev. 253 (2009) 977. 86 L. Zhu, B. Zhou, X. Chen, H. Jiang, J. Shao, Y. Yen, Biochem. Pharmacol. 78 (2009) 1178.

87 A.J. Ocean, P. Christos, J.A. Sparano, D. Matulich, A. Kaubish, A. Siegel, M. Sung, M.M. Ward, N. Hamel, I.

Espinoza-Delgado, Y. Yen, M.E. Lane, Cancer Chemother. Pharmacol. 68 (2011) 379.

88 J. Shao, B. Zhou, A.J. Di Bilio, L. Zhu, T. Wang, C. Qi, J. Shih, Y. Yen, Mol. Cancer Ther. 5 (2006) 586. 89 N. Saban, M. Bujak, Cancer Chemother. Pharmacol. 64 (2009) 213.

14 NH N H2 OH O N N NH NH2 S NH2 N NH NH2 S NH C H2 CH3

Figura 1.4. Representação estrutural A) da hidroxiuréia, B) da triapina e C) da tiacetazona.

As tiossemicarbazonas α(N)-heterocíclicas encontram-se entre os inibidores mais potentes da RDR, sendo até mil vezes mais ativas que a hidroxiuréia. As características estruturais necessárias à atividade dessas moléculas foram investigadas por French e colaboradores90. Desde então, várias tiossemicarbazonas α(N)-heterocíclicas foram investigadas e apresentaram-se como bons inibidores da enzima. Entre os vários compostos da série, a 3-aminopiridina-2-carboxaldeído tiossemicarbazona, conhecida como Triapina (Figura 1.4-B), parece ser o composto mais promissor, apresentando atividade citotóxica contra diferentes células tumorais. Atualmente, os ensaios na fase clínica II da Triapina já foram concluídos para o tratamento de tumores de próstata, pâncreas, rins, ovário e pulmão, enquanto ensaios contra outros tumores encontram-se em fase clínica I e II.91,92

Embora a atividade antitumoral das tiossemicarbazonas seja a mais investigada hoje em dia, a 4-acetamidobenzaldeído tiossemicarbazona (tiacetazona, Figura 1.4-C) representa o único composto da classe em uso clínico, o qual é utilizado no tratamento da tuberculose. Porém, seu uso é limitado em decorrência da sua ação predominantemente bacteriostática, do rápido aparecimento de cepas resistentes durante o tratamento e dos efeitos colaterais observados, tais como a indução de diabetes mellitus.93,94 Outras tiossemicarbazonas derivadas de benzaldeído

para-substituído ou aldeídos heterocíclicos também manifestam atividade antituberculose in vitro e, em alguns casos, também in vivo.95

Por sua vez, a atividade antibacteriana das tiossemicarbazonas e seus complexos também tem sido muito estudada. Em 1980, Dobek e colaboradores96 estudaram a atividade antibacteriana de uma série de tiossemicarbazonas derivadas de 2-acetilpiridina frente a isolados

90 F.A. French, E.J. Blanz Junior, J. Med. Chem. 9 (1966) 585.

91 R.A. Finch, M. Liu, S.P. Grill, W.C. Rose, R. Loomis, K.M. Vasquez, Y. Cheng, A.C. Sartorelli, Biochem.

Pharmacol. 59 (2000) 983.

92 http://clinicaltrials.gov/ct2/results?term=triapine (acessado em 18 de outubro de 2011). 93 H. Beraldo, D. Gambino, Mini-Rev. Med. Chem. 4 (2004) 159.

94 H. Beraldo, Quim. Nova 27 (2004) 461.

95 F.M. Collins, D.L. Klayman, N.E. Morrison, J. Gen. Microbiol. 128 (1982) 1349.

96 A.S. Dobek, D.L. Klayman, E.T. Dickson Junior., J.P. Scovill, E.C. Tramont, Antimicrob. Agents Chemother. 18

(1980) 27.

15 clínicos de diversas bactérias. Os resultados mostraram que as tiossemicarbazonas foram capazes de inibir o crescimento de bactérias gram-positivas, mas apresentaram baixa atividade frente a bactérias gram-negativas. Anos mais tarde (2001), Kovala-Demertzi e colaboradores97 mostraram que complexos de platina(II) de 2-acetilpiridina tiossemicarabazona apresentam comportamento similar, inibindo bactérias gram-positivas, mas mostrando-se inativos frente a bactérias gram-negativas.

Recentemente, nosso grupo demonstrou que a coordenação de tiossemicarbazonas a metais promove um aumento de diversas atividades biológicas, tais como: atividade antimicrobiana frente a bactéria gram-negativa P. aeruginosa98 e atividade citotóxica frente a

glioblastoma maligno99 por compostos de gálio, atividade antimicrobiana de 2-acetilpiridina e

2-benzoilpiridina tiossemicarbazonas nos complexos de cobre,100,101 a atividade antichagásica de nitro tiossemicarbazonas derivadas de acetofenona nos complexos de cobre,102 entre outras.