3.3 Improvements on Rigid Volumetric Visualization for
3.3.3 Style transfer function designer
Observamos em nossa análise que alguns elementos paralinguísticos apresentam uma propriedade muito saliente em sua produção – a silabação. Esta propriedade revela-nos que não se trata simplesmente da repetição de um mesmo item, mas de uma produção sonora com mais de uma sílaba. Vejamos a descrição desses elementos:
a. Duas sílabas
Identificamos no corpus as seguintes emissões paralinguísticas com duas sílabas: <an-
han>, <un-hun>, <un-hum>, <an-ahm>, <u-hu>, <hem-heim>, <hu::-hum>, <uhm- hum:>, <uhm-hum> , <umm::-uhm>, <han-han> e <an::-han::-hum>. O gráfico 07
0 5 10 15 20 25 30 35 40 <an-han>
<un-hun> <an-ahm> <u-hu> <he m-he im> <hu::-hum> <un-hum> <uhm-hum:> <uhm-hum> <umm::-uhm> <an::-han::-hum
A partir do gráfico 07, observarmos a frequência expressiva desses elementos de duas sílabas nos fragmentos de fala analisados, o que parece revelar uma preferência dos interlocutores pelo uso dessa propriedade para expressar determinados significados.
Sobre a silabação, Ward (2004) argumenta que sua ocorrência frequentemente sinaliza a intenção do interlocutor em se manter no papel de ouvinte. Em relação a esta argumentação, podemos destacar os elementos <an-han> e <un-hun> cuja predominância no corpus, conforme o gráfico 07, é nítida. Esses elementos são chamados de marcadores do ouvinte (Urbano, 1993), visto que, geralmente, aparecem como sinalizadores de atenção e/ou de interesse, valendo-se como “estou entendendo; prossiga”. Em nosso corpus, também identificamos que esses dois elementos manifestam cooperação, ou seja, o ouvinte parece manifestar sua aprovação em relação ao que seu interlocutor fala. O elemento <hem-heim>
GRÁFICO 07 – Número de ocorrências de elementos de duas ou mais sílabas identificados no corpus.
apareceu apenas duas vezes no corpus, desempenhado ora papel de sinalizador de atenção ora de interesse.
Esses elementos parecem revelar que a pessoa não tem intenção de contribuir com qualquer informação para o andamento da conversa, isto parece ser evidenciado pelo fato de que eles não aparecem com outros papéis discursivos, como ocorre com outros elementos.
Sobre o postulado de Ward (op. cit.) a respeito da propriedade silabação e de sua relação com a intenção do falante em se manter no papel de ouvinte passivo na interação, importa-nos comparar os itens multi-silábicos com os uni-silábicos cujas funções identificadas em nosso corpus sejam semelhantes. Vejamos o gráfico 08:
79% 21%
Silabados Não-silabados
O gráfico 08 revela que 79% (92 de 94) dos elementos paralinguísticos de duas sílabas, citados acima, parece sinalizar apenas assentimento, atenção e/ou apoio ao falante. Em contraste, apenas 21% (24) de elementos com uma única sílaba - <an?>e <un?> - foram
GRÁFICO 08 – Comparação entre os elementos paralinguísticos silabados e os não-silabados.
produzidos para expressar o mesmo sentido. Assim, nos parece que numa interação face-a- face, os ouvintes prefiram emitir esses elementos paralinguísticos com duas sílabas, cujo papel maior seja o de sinalizar atenção e/ou participação ao interlocutor.
Todavia, essa propriedade não é única desses elementos monitoradores do ouvinte (Fávero, Andrade & Aquino, 2001). As emissões paralinguísticas de duas sílabas <an-ahm>,
<hu::-hum>, <uhm-hum>, <uhm-hum:> e <umm::-uhm>, em contraste com aquelas
mencionadas acima, não contribuem de forma passiva para a conversação, já que carream um conteúdo expressivo e, por isso, assumem um papel de expressar emoções e/ou atitudes do interlocutor. Os outros elementos de duas sílabas identificados, como <u-hu>, conforme veremos no quinto capítulo, também tem conteúdo expressivo, entretanto, assim como os elementos <an-han> e <un-hun> são emitidos pelo ouvinte como uma sinalização de participação no ato interacional.
b. Três sílabas
Um dos informantes produziu uma emissão paralinguística de quatro sílabas <an::-
han::-hum>. Como esta vocalização ocorreu apenas uma vez em todo o corpus, podemos
presumir que se trata de uma ocorrência não muito comum. Esse elemento também foi emitido pelo ouvinte – participante ativo da conversa –, entretanto, sua função não foi apenas de sinalizar compreensão e/ou participação, mas de exprimir um estado emotivo.
A respeito da silabação, destacamos ainda a questão do tempo de duração dado em cada sílaba. Vimos nas seções 4.3.1 que a duração de alguns elementos paralinguísticos contribui para a expressão do sentido pretendido pelo falante e para atribuir ênfase à emissão. Em alguns casos, como o de <hu::-hum> e algumas realizações do elementos <an-han> e
<u-hun> percebemos que a maior duração dada à primeria ou à segunda sílaba possibilita um
movimento ascendente na curva melódica, dando, assim, ênfase ao elemento paralinguístico. Conforme vimos, a propriedade silabação, muito comum aos elementos paralinguísticos, parece revelar ora a intenção do ouvinte em não contribuir com informações propriamente ditas para a conversa, indicando ao seu interlocutor que está satisfeito em permanecer em silêncio ora a expressão de emoções e/ou atitudes em relação ao interlocutor ou ao assunto da conversa.
4.4. Considerações Finais
Neste capítulo, destacamos propriedades fonéticas relacionadas à expressividade dos elementos paralinguísticos no discurso falado para demonstrarmos a importância das variações prosódicas na realização desses itens não-lexicalizados. A análise desses recursos comunicativos nos mostrou a contribuição de dois parâmetros acústicos: a frequência fundamental (F0) e a duração, para a manifestação do sentido de uma realização paralinguística.
Sobre a F0, constatamos que na manifestação de sentimentos, como irritação, surpresa, deboche entre outros, tende a ser mais elevada do que nas realizações mais passivas, como monitoramento, assentimento e outros. Verificamos também que para a promoção de efeitos expressivos diferentes de um mesmo elemento, há uma considerável variação na frequência fundamental. Assim, acreditamos que esse fator prosódico exerce papel determinador na atribuição de sentido das emissões paralinguísticas.
Na análise da duração, observamos que há forte relação entre o tempo de emissão do elemento paralinguístico e a ênfase que este recebe. Constatamos que quando o falante deseja
enfatizar o sentido de um dado elemento, ele pode conferir-lhe uma duração maior que contribuirá para a manifestação do efeito pretendido. Além disso, vimos também que a duração funciona como um importante caracterizador da manifestação paralinguística.
Destacamos, além desses dois parâmetros prosódicos, a propriedade silabação que se mostra saliente num grande número de elementos paralingüísticos. Essa propriedade fonética mostrou-se bastante produtiva na realização paralinguística, visto que possibilita ao falante modificar o efeito expressivo de um elemento ou produzir novos elementos paralinguísticos pela inclusão de uma ou mais sílabas.
Em suma, a análise realizada nos revelou que os elementos paralinguísticos são caracterizados pela variação prosódica, como a duração e a Frequência de pitch, que contribuem para a manifestação ou modificação do sentido pretendido pelo falante. Assim, na cadeia da fala, há pistas prosódicas que possibilitam a realização dos elementos paralinguísticos, carreando informações sobre as atitudes e/ou emoções do falante.