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4.4 The Existing Sanitation Situation

4.4.2. Study Sites

Sendo a energia um dos termos científicos mais presente, quer ao nível individual quer colectivo, na vida diária dos cidadãos (Fernandes, 2006) e o seu uso, quer uma questão científica quer um assunto social, torna-se de primordial importância o seu estudo e a sua compreensão na escola, num contexto de educação em ciências para todos (Valadares et al, 2002). Contudo, o conceito de energia é um conceito de difícil explicação por ser complexo (Facal et al, 2006), vasto, abstracto e, consequentemente, de difícil compreensão. Adicionalmente, os alunos possuem diferentes tipos de concepções alternativas (Driver et al, 1994; Hierrezuelo & Molina, 1990; Varela

os alunos construíram na sua vivência diária, que permanecerão se o conceito de energia continuar a ser introduzido, no ensino, sem se ter em conta as ideias prévias dos alunos (Solbes & Tarín, 1998). Assim, faz sentido utilizar estes conhecimentos e a realidade que os alunos conhecem, na apresentação do conceito de energia na sala de aula para, com isto, os alunos poderem ter uma visão da relação existente entre a energia e os fenómenos quotidianos, tais como a utilização de combustíveis ou a crise energética (Solbes & Tarín, 1998). Acresce que a maioria da população fala de energia, ou de um modo trivial, ou sem ter um verdadeiro conhecimento do assunto, apresentando como verdades muitas ideias que se devem a uma evidente falta de informação (Facal et al, 2006, p.193).

Devido à crescente utilização de determinados recursos energéticos, nomeadamente, combustíveis fósseis, deparamo-nos com a situação do seu possível esgotamento e, consequente, impacto na sociedade, em termos de problemas tanto ambientais como económicos. Esta situação leva à necessidade de fomentar nos alunos atitudes quer de valorização quer de poupança de energia (Raviolo et al, 2000) e, também, de lhes proporcionar a possibilidade de aprenderem a relacionar as suas escolhas com as vantagens e desvantagens que isso possa transportar. Contudo, a abordagem que habitualmente é feita privilegia aspectos socialmente relevantes em detrimento de algum rigor científico. A título de exemplo, refira-se que, enquanto que é frequente abordar as desvantagens do emprego de combustíveis fósseis raramente se abordam as desvantagens da utilização de energias renováveis (Facal et al, 2006). Acresce que a “educação é uma das melhores vias para consciencializar os futuros cidadãos sobre os custos ambientais e energéticos, e para favorecer uma mudança na conduta de consumo energético” (Facal et al, 2006, p.193), por isso é importante ajudar os alunos a compreender tanto as vantagens como as desvantagens de uma determinada fonte de energia, tais como: disponibilidade, benefício e custos económicos, ambientais e sociais. Assim, será possível ajudar os alunos “a tomar decisões informadas e responsáveis no que toca ao uso da energia em suas casas e nas escolas” (Facal et al, 2006, p.194).

No desenvolvimento das temáticas relacionadas com energia, o CNEB (DEB, 2001) recomenda dois subtemas: Fontes e formas de energia e Transferências de energia. No primeiro caso, deve-se analisar as diferentes fontes de energia (renováveis e não renováveis) e as opções que nos oferecem em termos de produção de energia eléctrica. No segundo caso, aborda-se o conceito geral de energia, princípio da conservação da energia e rendimento. Quanto ao estudo das fontes de energia, tal como referido anteriormente, os alunos devem compreender o conceito de fonte de

energia renovável e fonte de energia não renovável para que possam entender as razões que levam à ponderação de alternativas energéticas para o futuro, e, assim, poderem investigar e fundamentar as diferentes opções, em termos de efeitos ambientais, económicos e sociais, quer a nível global quer a nível local. Para que essa investigação ocorra e para que a escolha seja feita de modo fundamentado, é importante aprofundar os conceitos através de uma abordagem ligada com a realidade (Facal et al, 2006), já que, a importância do tema não está simplesmente relacionada com o conhecimento do mesmo mas a eficácias de medidas de consumo energético (Facal et al, 2006). O aprofundamento conceptual faz também sentido pelo facto de, por exemplo, relativamente ao carácter poluente das energias renováveis e não renováveis, existirem bastantes ideias inadequadas, preconcebidas. Por exemplo, quanto às energias renováveis, existe a crença que nenhuma é poluente, ignorando-se o facto de a biomassa ser uma fonte de energia que, quando obtida por combustão directa, emite gases poluentes. Assim como, relativamente às energias não renováveis, a convicção passa por a energia nuclear ser poluente, quando, na realidade, com este tipo de energia não há emissão de gases poluentes. Deste modo, revela-se importante aprofundar estes conceitos de forma a corrigir este tipo de concepções, não só para corrigir ideias cientificamente não aceites mas também porque aquelas concepções acabam por interferir negativamente com decisões relevantes sobre opções energéticas. Para isso, é importante recorrer ao estudo dos aspectos positivos e dos aspectos negativos das diferentes fontes de energia, à tomada de consciência da “polémica” a que a energia está associada assim como à eventual acção do aluno, enquanto consumidor e cidadão, na resolução da problemática energética (Raviolo et al, 2000).

Esta temática, além de ser actual, e socialmente relevante, tem bastantes polémicas associadas, permite aproximar os alunos do meio em que se encontram incluídos e possibilita também, o desenvolvimento de atitudes benéficas face ao meio ambiente (Raviolo et al, 2000), no sentido em que desperta a consciência dos alunos para a problemática em causa.

O ensino e a aprendizagem sobre fontes de energia, que podem ser utilizadas, designadamente, na produção de energia eléctrica, pode preceder o aprofundamento do conceito de energia e contribuir para o desenvolvimento de atitudes favoráveis face a questões e opções energéticas bem como para a formação de cidadãos activos e participativos na sociedade actual. O desenvolvimento das atitudes referidas pode passar pela sensibilização dos cidadãos, em geral, e da comunidade escolar, em particular, nomeadamente, no que diz respeito à utilização racional da energia e à sua contribuição para o combate às alterações climáticas.

Esta temática engloba quer complexidade quer polémica, já que se fala bastante, hoje em dia, da dependência das sociedades relativamente aos combustíveis fósseis, assim como da, consequente, necessidade de análise e discussão de alternativas, devido às vantagens e desvantagens que apresenta. Assim, é uma temática que se presta ao desenvolvimento, nos alunos, de competências de resolução de problemas tão reconhecidas pelo CNEB (DEB, 2001) como competências deveras necessárias a qualquer cidadão e, portanto, a qualquer indivíduo que tenha passado pela escolaridade básica.