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2. Methods

2.1 Study sites

A figura da regente de classe, no meu entender, é chave na formação inicial, porque muitas situações se desenrolam a partir dela, apesar de ser a estagiária que se encontra conduzindo a aula. A Regente deve estar em sala de aula sempre, ao longo do estágio, apesar de não se descartar sua saída eventual, o que pode ser inclusive benéfico. Segundo a coordenadora de estágio:

A maior parte das escolas tem a melhor aceitação possível das estagiárias porque é alguém que está lá para ajudá-las. Principalmente, por exemplo, se sou professora, porque dá um descanso para o professor, uma folga para o professor que está cansado. (Mas o regente acompanha o estágio?) Ele não pode sair, só que algumas Escolas eles aproveitam que está com a estagiária a turma e eles dão um dia na semana de folga para o professor. Só que para nós é fundamental que sempre tenha, é regra, sempre tem que ter um professor presente. Algumas ocasiões, até para dar autonomia para a aluna, é importante que o professor não esteja, quer dizer, vá ao xerox, vá tomar um cafezinho, vai fazer qualquer atividade para que elas possam ter também autonomia. Isto é fundamental. Quando a gente sente que a aluna vai ficar sem professor, aí fizemos uma intervenção, quando sentimos necessidade, porque não podem, elas não podem ficar sem.

Estabelece-se uma relação entre a regente e a aluna ao longo do período de convivência, e esta convivência pode se transformar em um grande desafio para a aluna. O grupo pesquisado não foi unânime em considerar que possuía um bom relacionamento com a regente da turma, evidenciando inclusive as inúmeras diferenças entre a sua atuação e da professora, o que dificultava seu estágio:

Até abril eu fazia estágio na Escola XXXX, aí eu tive que mudar porque a professora não gostava de recursos, ela é bem tradicional mesmo. (O que tu colocas como tradicional?) Quadro, contas, contas e contas. Muitas contas no quadro, muito texto no quadro, muita interpretação, nada de folhinhas, nada de recurso. Cópia, cópia, cópia.

Na atuação em aula, nas minhas observações, presenciava situações bem complicadas, em que o aluno às vezes se referia à professora, às vezes à estagiária, inclusive para confirmar algo dito por esta, uma confusão de orientação para as crianças. Em outras situações, o trabalho planejado pela aluna acabava por se viabilizar por interferência ou mesmo presença da regente:

São vinte e cinco alunos que eu tenho em uma sala de aula que trabalho em grupo não consigo fazer, porque a professora acha que dá bagunça, coisas assim que relacionem coleguismo também não consigo fazer porque ela acha que é errado. Então certas coisas assim eu acho que é importante não levar para a sala de aula, evitar fazer na sala de aula, mas eu particularmente, não faria isto com aluno meu.

Por vezes, na impossibilidade de realizar a troca de turma para estagiar, ou quando esta já havia sido realizada, na eventualidade de uma relação conflituosa com a Regente, uma nova apreensão para a aluna:

Não quero ser, jamais, nem chegar aos pés daquela criatura ali, quero ser completamente diferente, quero ser carinhosa com os alunos, quero ser atenciosa, diferente, de um modo que eu consiga a atenção deles, de uma maneira não de medo, mas de conquista. Não quero chegar e impor alguma coisa, quero chegar e conquistar. Conquistar demora, é uma coisa que precisa de tempo. Agora uma coisa imposta é um e dois e está feito. [...] Eu tenho medo dela, eu tenho medo da mulher, eu acho que ela assusta tanto aquelas crianças que eu me coloco no lugar deles porque o jeito que ela trata eles eu me coloco no lugar deles, como criança sendo aluno dela. Então eu começo a imaginar as dificuldades que as crianças vão tendo. Sei lá, eu tenho um certo medo dela. Do jeito general dela de falar, ela te olha e tu tremes, eu tremo.

Em outras situações, com alunas que mantiveram um bom relacionamento com a regente, esta relação foi profícua, contribuindo muito na formação destas. No dizer de uma

delas: “A professora regente está junto, eles sabem que quando os pais conversam mais com

ela, ela passa para mim. Se os pais falam alguma coisa, ela sempre me passa sobre o aluno,

para eu ficar sabendo” e “com a regente, me dou muito bem. Ela tem quarenta e sete anos, é

De toda a sorte, estas são relações de grande aprendizado, também para as alunas terem a noção do que não desejam fazer com relação aos alunos ou, de que forma desejam ser, realizando uma comparação importante para a autoformação.

Sempre, quando de minhas visitas às aulas, eu procurava conversar com a regente, saber sua opinião sobre a aluna, saber dela sobre a escola, sobre o seu trabalho, e, no geral, eram muito atenciosas e relatavam aspectos positivos do trabalho das alunas, dos progressos das mesmas.

A regente fornece ao serviço de coordenação do Instituto, relatório30 sobre o trabalho da aluna, além de visar seus planos. Acompanha o trabalho desta em relação ao proposto de conteúdos para aquele ano e emite um parecer que será levado em consideração por ocasião da nota final de estágio. No entanto, segundo a Supervisora de Estágio, nem sempre a nota traduz a realidade, pois as professores acabam não sendo fiéis ao que ocorre na aula:

O que não temos muito fiel é a avaliação das escolas em relação à estagiária. Como as professoras adoram ter estagiárias e este é o problema, o que acontece? Elas fazem uma avaliação que não é fiel ao que observamos, tanto em relação ao planejamento quanto em relação à atuação. Elas põem tudo sim, elas são maravilhosas. São dez. (E vocês vão lá e constatam outra situação?) Constatamos tanto no planejamento, porque é assim, um dos itens da avaliação é assim: - Ela usa recurso sempre? Ela é criativa sempre? E as professoras colocam sim, sim. E na realidade, de fato, não é, usaram recurso somente em uma semana, criativas num dia. Elas não são fiéis e mesmo que a gente peça, que a gente fale, que a gente converse com asprofessoras, elas não conseguem fazer esta mudança. Tem alguns itens que acabamos tirando porque sabemos que o planejamento é uma coisa e lá na prática elas estão fazendo outra diferente. E aí nossa avaliação e mais baixa e a da professora está lá em cima. Isto dificulta um pouquinho até o desempenho da aluna porque a professora está todo o dia vendo só que não é fiel ao que está sendo visto. (Tu colocas isto como uma situação que a regente não quer entrar em atrito?) Sim, em atrito. Acha que a aluna está aprendendo e não vê que isto aí...Eu tenho que mostrar, por exemplo, para a aluna que ela está errando em alguns pontos, ela tem que melhorar. Se não mostrar isto, onde a aluna está errando, ela não tem como mudar. E este é nosso objetivo, que a professora mostre realmente o que está acontecendo em sala de aula, ainda mais que ela está todo o dia. Isto não acontece, é o problema maior que a gente tem.

Toda esta situação é realmente um nó no sistema de estágio que visa a oportunidade da aluna, efetivamente, experienciar a profissão. A figura da regente é imprescindível para que este propósito se estabeleça. É a pessoa de fora e de dentro, no sentido de que não pertence aos quadros formativos do Instituto, mas, ao mesmo tempo, está implicada, formal e informalmente, no processo formativo. A sua opinião é algo que nutre a formação das alunas.