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Para se avaliar um projeto a partir da Teoria das Opções Reais, deve-se fazer uma analogia entre o projeto e uma opção de compra que apresente o preço de exercício igual ao investimento do projeto. Assim, as opções podem ser classificadas de acordo com o tipo de flexibilidade gerencial associadas aos projetos. Os principais tipos de opções são apresentados nos subitens subseqüentes.

5.4.1 OPÇÃO DE ABANDONO

Caso as condições do mercado piorem drasticamente, pode-se optar por abandonar permanentemente o projeto e vender os ativos adquiridos a seus valores residuais, sendo, por isso, uma opção irreversível. Essa opção é bastante empregada em indústrias de capital intensivo, serviços financeiros e para introdução de novos produtos em mercados de riscos (PESSOA, 2006; VIDAL, 2008). Consiste em uma opção do tipo venda americana, que apresenta como ativo o valor do projeto e o preço de exercício é o preço de revenda ou do uso alternativo (MELIN, 2008; BREALEY, 2008).

5.4.2 OPÇÃO DE FECHAR TEMPORARIAMENTE UM PROJETO

Caso as condições do mercado sejam instáveis, pode-se optar por não operar continuamente, paralisando o projeto temporariamente até que o mercado se torne estável e as operações possam ser retomadas. Esse tipo de opção é bastante comum em indústrias de pesquisa e desenvolvimento, como, por exemplo, a farmacêutica (PESSOA, 2006).

5.4.3 OPÇÃO DE TROCA

Caso ocorram alterações nos preços ou nas demandas de determinados produtos, pode-se optar por alterar o mix de produtos da empresa, gerando flexibilidade no produto, ou por modificar as matérias-primas e fornecedores utilizados, criando flexibilidade no processo. Esse tipo de opção é importante, na alteração de produtos, para bens vendidos em pequenos lotes ou sujeitos a demandas voláteis, como brinquedos e eletrônicos, enquanto, na alteração de insumos, é útil para fábricas que possuam fornecedores alternativos para o mesmo insumo ou que dependem de

matérias-primas voláteis, mas que possuem substitutos (PESSOA, 2006). Trata-se de um portfólio de opções de compra e venda americanas, permitindo a opção de troca a partir de um custo fixo entre os modos de operação. O ativo consiste no valor gerado pela substituição do insumo ou do produto, enquanto o preço de exercício é o custo da substituição (MELIN, 2008).

5.4.4 OPÇÃO DE CRESCIMENTO FUTURO

Ocorre quando um determinado investimento corresponde a um pré-requisito de um projeto futuro ou faz parte de uma série de projetos capazes de prospectar novas oportunidades, como na criação de novos produtos, processos e reservas de petróleo. Assim, o investimento inicial equivale a uma opção de compra de oportunidades de crescimento futuras. Esse tipo de opção é empregado em indústrias de infra-estrutura de base ou estratégicas, como as de Pesquisa e Desenvolvimento, além de poder ser aplicada em processos de fusões e aquisições (PESSOA, 2006; MELIN, 2008).

5.4.5 OPÇÃO DE ADIAR O INVESTIMENTO

Consiste em adiar, ou diferir, a realização de um projeto, normalmente que apresente VPL negativo, até que as condições de mercado variem ou até que incertezas sobre algumas premissas fundamentais para o projeto sejam minimizadas. Essa opção deve ser exercida quando informações adicionais sobre o projeto ou a melhoria do mercado não agreguem valor ao retorno do projeto (VIDAL, 2008). Essa opção é útil em indústrias de extração de recursos minerais, de agricultura e empreendimentos imobiliários, uma vez que esses mercados

apresentam uma alta incerteza e um longo prazo (TRIGEORGIS, 1996; PESSOA, 2006). Consiste em uma opção de compra tipo americana, tendo como ativo o valor presente do fluxo de caixa esperado pelo projeto, preço de exercício igual ao investimento necessário para a execução e a vida da opção o período em que a empresa detém direitos sobre o bem (DAMODARAN, 2004; MELIN, 2008; BREALEY, 2008).

5.4.6 OPÇÃO DE EXPANSÃO

Caso as condições de mercado se tornem mais favoráveis que o previsto, pode-se optar por expandir a escala de produção ou acelerar a utilização dos recursos, investindo-se os recursos necessários a essa expansão. Essa opção, que é semelhante a uma opção de compra, é geralmente utilizada em indústrias de recursos minerais e bens de consumo (PESSOA, 2006). Dessa forma, trata-se de uma opção de compra para adquirir capacidade extra de produção, a partir do pagamento do preço de exercício (MELIN, 2008; BREALEY, 2008).

5.4.7 OPÇÃO DE CONTRAÇÃO

De forma oposta à opção de expansão, caso as condições do mercado se tornem desfavoráveis em relação ao previsto, pode-se contrair o projeto, reduzindo a escala de produção e economizando parte dos investimentos planejados. Essa opção é empregada em indústrias de recursos minerais e bens de consumo, consistindo em uma opção de venda de parte da escala do projeto original (PESSOA, 2006; MELIN, 2008).

5.4.8 OPÇÃO COMBINADA

Consiste na interação entre diferentes tipos de opções, sendo a opção que mais se assemelha às geralmente encontradas pelas empresas na valoração de investimentos (PESSOA, 2006). É interessante ressaltar que o valor das opções combinadas pode diferir da soma dos valores de cada opção, devido à interação existente entre elas (MELIN, 2008).

5.4.9 OPÇÃO DE INVESTIMENTO EM ESTÁGIOS

De modo geral, projetos de engenharia são realizados em diversas fases, conforme preconizado pela metodologia FEL, o que gera a opção de investimento em estágios. Assim, os desembolsos são efetuados ao longo do projeto, possuindo-se a opção de abandono, caso as perspectivas sejam desfavoráveis. Esse tipo de opção é bastante comum em indústrias de P&D e projetos de longo prazo que envolvem um grande montante de capital, como, por exemplo, usinas de geração de energia. Consiste em uma opção composta, sendo cada estágio correspondente a uma opção de compra dos estágios seguintes. O ativo da opção consiste no valor presente dos fluxos de caixa previstos para os projetos seguintes, enquanto o preço de exercício trata-se do investimento no estágio em análise (MELIN, 2008).