Com o intuito de avaliar a viabilidade do projeto, são, inicialmente, destacados os direcionadores do negócio associados. Posteriormente, são calculados e analisados os indicadores de engenharia econômica, dentre eles o Payback, VPL e TIR.
6.3.4.1 DIRECIONADORES DO NEGÓCIO
Conforme discutido no item 4.4.1, os direcionadores de negócio consistem nas metas de uma organização, representando o planejamento estratégico dessa. Com o desenvolvimento do presente projeto, os seguintes direcionadores são impactados:
• Volume de produção: diminuição da perda de produção devido à redução de eventos indesejáveis, ocasionados pela ineficiência e baixa qualidade do sistema de ar comprimido, tais como travamento de válvulas, desativação de filtros e
entupimento de desviadores de fluxo. O aumento de produção estimado foi de 4.366,75 toneladas por ano;
• Custo operacional: redução de custos de manutenção corretiva e reposição de peças em instrumentos pneumáticos, como, por exemplo, o desgaste prematuro de válvulas. Em contrapartida, os custos de manutenção preditiva devem ser aumentados;
• Meio-ambiente: a diminuição do consumo energético incorre em uma diminuição da quantidade de CO2 produzido na proporção de 0,1404 tonelada de CO2 para 1 MWh (MCT, 2011). Como foram economizados 216.000 kWh/ano, o que equivale a 216 MWh/ano, deixaram de ser produzidas 30,33 toneladas de CO2 por ano;
• Segurança e saúde ocupacional: com a melhoria do sistema de ar comprimido, os equipamentos e instrumentos pneumáticos passam a ter uma maior confiabilidade, o que aumenta a segurança da planta. Adicionalmente, diminui a necessidade de se desemperrar válvulas à base de força bruta, aumentando a saúde ocupacional dos trabalhadores;
• Consumo energético específico: a redução do consumo energético devido à melhoria do sistema de ar comprimido, juntamente com o aumento de produção da planta, resulta em uma redução do consumo energético específico. Como a produção total da planta e o consumo total de energia elétrica não são conhecidos, não é possível quantificar a redução no consumo energético específico.
É importante ressaltar que alguns dos direcionadores destacados não foram incluídos no subitem de estimativa de ganhos por serem intangíveis, não podendo
assim ser expressos em dinheiro, como, por exemplo, a melhoria nas condições de saúde e segurança dos trabalhadores.
6.3.4.2 PERÍODO DE PAYBACK
A partir das informações do fluxo de caixa, pode-se calcular o período de payback, ou seja, o tempo que será necessário para se recuperar o capital investido. A partir das Equações 4.1 e 4.2, novamente apresentadas, foram calculados, respectivamente, os valores de payback simples e descontado.
( − ) = (equação 4.1) ( − ) (1 + ) = (equação 4.2) Sendo:
T = Período de recuperação (payback) t = tempo, período do fluxo de caixa Rt = Receitas no tempo t
Ct = Custos no tempo t I = Investimento inicial i = Taxa de juros
Os valores obtidos estão apresentados na Tabela 6.10. Posteriormente, esses valores foram comparados com o tempo definido pela organização para a recuperação do investimento, que, para o presente projeto, foi de 10 anos, de forma que se pode concluir que o projeto em questão é viável.
Tabela 6.10 – Compilação da Análise via período de Payback
Tipo de Payback Tempo de Payback (anos) Projeto viável?
Simples 3,82 Sim
Descontado 5,41 Sim
6.3.4.3 VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL)
De forma análoga ao cálculo do período de payback, para o cálculo de VPL utilizou- se o fluxo de caixa feito no item 6.3.3. Assim, a partir da equação 4.3, novamente apresentada, calcula-se o valor presente líquido do projeto.
= + ( − )(1 + )
(equação 4.3)
Sendo:
VPL = Valor Presente Líquido T = Período de vida útil
t = tempo, período do fluxo de caixa Rt = Receitas no tempo t
Ct = Custos no tempo t I = Investimento inicial i = Taxa de juros
Caso esse valor seja maior ou menor que zero, o projeto é, respectivamente, atrativo ou não-atrativo. Logo, a partir das informações relativas à análise pelo VPL, apresentadas na Tabela 6.11, conclui-se que o projeto é inviável.
Tabela 6.11 – Análise Econômica do Projeto por meio do Valor Presente Líquido (VPL)
VPL (R$) Projeto viável?
-34.477,68 Não
6.3.4.4 TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR)
Adicionalmente, para avaliar a viabilidade econômica do projeto, foi utilizado o método da taxa interna de retorno. Para isso, utilizando-se a equação 4.4, novamente apresentada, calcula-se a TIR do projeto.
= 0 = + (1 +( − ))
(equação 4.4)
Sendo:
TIR = Taxa Interna de Retorno VPL = Valor Presente Líquido T = Período de vida útil
t = tempo, período do fluxo de caixa Rt = Receitas no tempo t
Ct = Custos no tempo t I = Investimento inicial i = Taxa de juros
Esse valor é então comparado com a taxa mínima de atratividade (TMA), a partir da qual a organização está disposta a investir na realização do projeto. Para o presente projeto, foi considerada uma TMA de 12,0%, de modo que o projeto não foi considerado viável. As informações relativas à análise pela taxa interna de retorno estão apresentadas na Tabela 6.12.
Tabela 6.12 – Compilação da Análise via Taxa Interna de Retorno
TIR (%) Projeto viável?
10,99 Não
6.3.4.5 ANÁLISE DE SENSIBILIDADE
Após se calcular a variável de engenharia econômica é necessário proceder a uma análise de sensibilidade visando identificar as variáveis críticas na construção do fluxo de caixa, ou seja, aquelas que apresentam maior influência na viabilidade do projeto. Para isso, mantendo as demais variáveis constantes, variaram-se, hipoteticamente, alguns parâmetros sobre três condições (esperada, 10% superior e 10% inferior) e avaliou-se o resultado dessa alteração no VPL do projeto e, conseqüentemente, na decisão do investimento, conforme apresentado na Tabela 6.13 e na Figura 6.2. Conforme se pode observar, de modo geral, o VPL do projeto é negativo, sendo positivo apenas para cenários otimistas da margem de lucro e do custo de serviços.
Tabela 6.13 – Análise de Sensibilidade do VPL (em R$) do Projeto
Variável Pessimista Esperado Otimista
Margem de lucro -107.175,24 -34.477,68 38.219,88 Investimento - Materiais -78.272,32 -34.477,68 9.316,96
Figura 6.2 - Análise de Sensibilidade da Viabilidade do Projeto
Conforme se pode notar na Figura 6.2, a variável mais crítica para a análise da viabilidade do projeto consiste na margem de lucro. Para cenários pessimistas dessa variável, o projeto torna-se bastante inviável, enquanto que, em perspectivas otimistas, tem-se um projeto viável, com VPL igual a R$ 38.219,88. Já para a variável relativa ao investimento de materiais, verifica-se na análise de sensibilidade que o projeto é, de maneira geral, inviável tanto para cenários otimistas quanto para otimistas. Por último, na análise de sensibilidade relativa ao custo dos serviços, conclui-se que o projeto se torna viável apenas em cenários muito otimistas, ou seja, para um baixo preço de investimento em serviços.
É importante ressaltar que a taxa de conversão de dólares em reais, que foi assumida como uma premissa no item 6.3.3.8, poderia ter sido incluída na análise de sensibilidade, sendo, conseqüentemente, mais analisada no presente estudo de caso. Entretanto, essa incorporação incorreria em um aumento da complexidade do
modelo, implicando na necessidade de estudos mais aprofundados. Dessa forma, optou-se por empregar o valor comumente utilizado pela empresa cliente.
6.3.4.6 ANÁLISE DE CENÁRIOS
Na análise de cenários deve-se avaliar o comportamento das variáveis de engenharia econômica em relação à variação de um conjunto de parâmetros críticos para a viabilidade do projeto. Os resultados obtidos a partir da análise de cenários estão apresentados na Tabela 6.14 e na Figura 6.3.
Tabela 6.14 – Análise de Cenários do VPL (em R$) do Projeto
Cenário Descrição VPL (R$)
A Margem de lucro, Materiais e Serviços - Otimista 115.496,66 B Materiais e Serviços - Pessimista Margem de lucro - Otimista -39.056,91 C Materiais e Serviços - Otimista Margem de lucro - Pessimista -29.898,46 D Margem de lucro, Materiais e Serviços - Pessimista -184.452,03
Conforme se pode verificar na Figura 6.2 e na Figura 6.3, apesar de os custos de materiais e serviços serem importantes para a análise da viabilidade do projeto, a variável crítica consiste na margem de lucro. Portanto, apenas essa variável foi considerada em uma análise mais complexa, via Teoria das Opções Reais.