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2.2 Benchmark Analyses

2.2.2 Case Study 2

Fonte: Dados da Pesquisa (2006).

O único vínculo entre os pecuaristas familiares e a sua paisagem fica ainda mais claro quando suas percepções sobre o “mundo rural” são comparadas com os olhares dos novos atores do bioma Pampa. Em muitos casos sem nenhum contato prévio com o campo, profissionais liberais estão investindo no campo devido à alta rentabilidade da soja e ao baixo risco, ao menos em comparação com outros investimentos. Para esses novos atores, o território se reduz a sua funcionalidade, o vínculo com o “negócio”, como o chamam, pode acabar em qualquer momento se a rentabilidade não é boa, e raramente é visitado, pois em muitos casos eles moram foram do país ou longe da área plantada com os seus fundos.

6.2.3. TERRITÓRIOS, PERCEPÇÕES E EXPLICAÇÕES MENTALISTAS E COMPORTAMENTAIS

Em explicações mentalistas a percepção é frequentemente considerada o ponto de contato entre o mundo físico e o da mente, sendo, por esse motivo, um processo psicofísico: um estímulo físico excita, por exemplo, os receptores do olho, essa excitação é convertida em impulsos elétricos, que percorrem vias nervosas até chegar ao cérebro, onde provocam uma mudança estrutural (chamada “engrama”) da área do córtex (que recebe o impulso) – até aqui todo o processo é físico. Como explicam Lopes & Abib (2002), de alguma maneira o engrama é convertido em uma cópia mental do objeto, chamada “experiência”, “idéia” ou “representação”, que por sua vez é “percebida” pela consciência (considerada por essas teorias como um órgão interno de percepção) – essa é a parte mental da percepção.

Segundo os atuores, atualmente não é difícil identificar traços ou consequencias desse dualismo. Expressões como “isso está só na sua imaginação” são frequentemente interpretadas, por teóricos, como uma descrição de um “mundo especial” para as cópias fabricadas nas percepções passadas. Direta ou indiretamente, atualmente a grande maioria das explicações psicológicas da percepção acabam fazendo uso das “cópias mentais”. Nessa tese, porém, escolhemos utilizar uma explicação comportamental, como a do behaviorismo radical de Skinner (1957, 1961, 1966, 1968, 1969, 1982). Essa explicação não poderia fazer uso de “cópias” uma vez que não admite a existência de um “mundo mental” de natureza especial.

A proposta de Skinner (1969, 1974) para a questão experiência versus realidade baseia-se na noção de contingências de reforço. A única coisa que existe são as relações funcionais entre o comportamento do indivíduo e o ambiente, sendo que o conceito de ambiente não se refere apenas ao cenário atual – ao estímulo antecedente -, mas sim a tudo que afeta o indivíduo, como, por exemplo, sua história passada (trajetória) de reforço e punição. De modo geral, não há nada além das contingências, cada indivíduo tem sua própria experiência (realidade), embora não se deva entendê-la como uma cópia privada do ambiente; ela refere-se às contingências, às quais o indivíduo foi e está sendo exposto durante sua vida. Nesse sentido a experiência do indivíduo é a sua realidade e, sendo assim, os termos experiência e realidade adquirem, na teoria de Skinner, praticamente o mesmo significado.

Que tipo de percepções, no sentido do comportamento perceptual behaviorista, surgem dos distintos atores do Pampa em transformação? Temos, por um lado, as percepções e experiências dos pecuaristas familiares obrigados a abandonar a atividade ou arrendar a terra a terceiros. Pelo outro, os olhares dos novos atores, na maioria dos casos,

profissionais sem vínculo prévio com o campo e que encaram a atividade como um investimento unicamente financeiro. O jornal La Nacion da Argentina entrevistou em 2007 a três desses novos atores. Suas respostas refletiram um olhar diferente sobre o campo, exclusivamente focado na funcionalidade econômica da terra, e na falta de qualquer vínculo entre a sua identidade e a paisagem pampiana.

Yo no estaba ligado [al campo]. Esta es mi primera temporada. [Elegi el rubro] porque veo que es un sector rentable. Veo también que es un sector que va para adelante; esto también me gusta. (Leandro Pecora, arquitecto da Cidade de Buenos Aires, que fez um investimento no fideicomiso privado Openagro sem mediar um vinculo previo com o campo. Citado por LA NACION, 2007).

Como profesional no tenía vinculación con el campo; para mí lo clásico era la inversión inmobiliaria o el mercado financiero. ¿Cuál fue la razón por la cual ingrese en el negocio de la producción?. Pensé en diversificar en una actividad que me parece interesante porque es productiva. (Advogado argentino de Monte Grande, que fez um investimento no fideicomiso privado Openagro sem ter contato anterior com o campo. Citado por LA NACION, 2007).

Empecé a invertir hace un año y medio. Me acerqué porque quería invertir en el agro; los riesgos son casi mínimos. Estuve viendo otras posibilidades (de negocio) y me gustó el fideicomiso.Yo buscaba algo a largo plazo. Esto tiene mayor potencial de crecimiento. (Federico Procaccini, engenheiro industrial que mora e trabalha na Holanda e tem investido no campo na Argentina atraves do fideicomiso do Openagro. Citado por LA NACION, 2007).

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Como indicam Lopes & Abib (2002), a dicotomia “experiência versus realidade” não se aplica às concepções de Skinner; em primeiro lugar, porque as “cópias mentais” não são usadas nessa explicação e em segundo porque não há uma separação a priori do estímulo e da resposta, a relação entre eles (contingência) é o dado inicial, não sendo possível separar um do outro (não há estímulo sem resposta e muito menos resposta sem estímulo). Não existe, assim, um único Pampa como “realidade” separada do comportamento perceptual, mas diferentes Pampas percebidos e experimentados pelos distintos atores através de seus valores, seus interesses e suas trajetórias de vida.

As percepções dos pecuaristas familiares entrevistados para este trabalho foram confirmadas numa amostra estatisticamente representativa realizada por Andrade Miguel et al (2005) sobre o perfil socioeconômico e produtivo da bovinocultura de corte no estado do Rio Grande do Sul. Segundo esse estudo, que entrevistou pecuaristas gaúchos familiares e não familiares desse estado, quando indagados sobre suas motivações para se dedicarem às atividades de criação de bovinos, 26,5% responderam que a praticam por tradição, 25,4% por satisfação e 14,4% por considerarem ser esta uma atividade segura. Apenas

8,7% afirmaram que a motivação principal era a obtenção de lucro.

Uma explicação para essa diferença de percepções e motivações sobre a terra entre atores novos e tradicionais pode ser, justamente, o modo de acesso à terra: enquanto muitos dos novos investidores não tinham nenhum vínculo prévio com a pecuária ou o campo e se aproximaram do negócio convidados por consultorias ou fundos de investimento, a maioria dos pecuaristas familiares entrevistados para a nossa pesquisa (90%) receberam a terra por herança. Um resultado similar foi atingido por ANDRADE MIGUEL et al (2005): do universo total pesquisado, 70,9% dos entrevistados declararam que obtiveram a terra mediante herança. Nos dois casos, porém, também é muito significativa a proporção dos que compraram terras (53,7%), o que significa que os mesmos que herdaram a terra também podem ter adquirido áreas de terceiros, além daquelas terras herdadas. Isso se encaixa com os desejos expressados por todos os pecuaristas entrevistados para nosso estudo: todos sonham em aumentar a quantidade de terra por meio da compra para incrementar a escala produtiva e garantir uma herança razoável para os filhos. Esse contraste de percepções e motivações confirma que, como explica Haesbaert (2004), o território, imerso em relações de dominação e/ou de apropriação sociedade-espaço, “desdobra-se ao longo de um

continuum que vai da dominação político-econômica mais ‘concreta’ e ‘funcional’ à

apropriação mais subjetiva e/ou ‘cultural-simbólica’” (Tabela 6).

Tabela 6. Continuum entre funcionalidade e simbolismo do território

Vegetação Gado Sistema de Produção Pecuarista

Agro ecologia Ecologia da Paisagem (Burel & Baudry, 1999)

Pastoralismo (Osty, 1991; Landais, 1996, 1994) Geoagronomia (Deffontaines, 1995a, 1995b, 2006) Geoagronomia (Deffontaines, 1995a, 1995b, 2006)

Elementos finos da paisagem Multifuncionalidade

Biodiversidade Habitats das espécies animais

Alterações da paisagem pelo rebanho

Interações pastagem- rebanho

Sistemas Extensivos

Unidades Agro-Paisagisticas Interações Praticas agrícolas / Elementos paisagísticos Correspondências tipologias agrícolas e tipologias paisagens Percepção da Paisagem Desejo Paisagístico Identidade e Cultura Paisagística Fonte: Haesbaert, 2004.

Mais importante, contudo, do que esta caracterização genérica e aparentemente dicotômica, é fundamental perceber a historicidade do território, sua variação conforme o contexto histórico e geográfico. Os objetivos dos processos de territorialização, ou seja, de dominação e de apropriação do espaço, variam muito ao longo do tempo e dos espaços:

Assim, as sociedades tradicionais conjugavam a construção material (“funcional”) do território como abrigo e base de “recursos” com uma profunda identificação que recheava o espaço de referentes simbólicos fundamentais à manutenção de sua cultura. Já na sociedade “disciplinar” moderna (até o século XIX) vigorava a funcionalidade de um “enclausuramento disciplinar” individualizante através do espaço – não dissociada, é claro, da construção da identidade (individual, mais do que de grupo). Mais recentemente, nas sociedades “de controle” ou “pós-modernas” vigora o controle da mobilidade, dos fluxos (redes) e, consequentemente, das conexões – o território passa então, gradativamente, de um território mais “zonal” ou de controle de áreas para um “território-rede” ou de controle de redes. Aí, o movimento ou a mobilidade passa a ser um elemento fundamental na construção do território (HAESBAERT, 2004: p. [s.p.])

De maneira simplificada, Haesbaert (2004) fala em quatro grandes “fins” ou objetivos da territorialização, acumulados e distintamente valorizados ao longo do tempo:

1. Abrigo físico, fonte de recursos materiais ou meio de produção;

2. Identificação ou simbolização de grupos através de referentes espaciais (a começar pela própria fronteira).

3. Disciplinarização ou controle através do espaço (fortalecimento da ideia de indivíduo através de espaços também individualizados);

4. Construção e controle de conexões e redes (fluxos, principalmente fluxos de pessoas, mercadorias e informações).

Mas por que falar aqui de território e não de “paisagem”, que é a noção que estrutura o nosso estudo? Em primeiro lugar, é necessário lembrar a nossa definição mais ampla de paisagem, segundo a qual a paisagem incorpora os olhares de quem nela mora. Nesse sentido, a paisagem existe como mediação entre o mundo das coisas e aquele da subjetividade humana. Como afirma Cabral, (2007, p.150), citando a Cosgrove (1998, p.98- 99), a noção surge ligada à percepção do espaço: “A paisagem, de fato, é uma ‘maneira de ver’, uma maneira de compor e harmonizar o mundo externo em uma ‘cena’, em uma unidade visual”. Ferreira (1984) define a paisagem como uma porção de espaço apreendida com o olhar. Mas esse processo perceptivo não se limita a receber passivamente os dados sensoriais, mas os organiza para lhes atribuir sentido(s). Portanto, a paisagem percebida é também significada e construída. Sua estrutura e dinâmica são acessíveis ao homem e agem como guias para suas atitudes e condutas. Berque (1998, p.84-85), citado por Cabral (2007, p.150) resume esse entendimento afirmando que:

A paisagem é uma marca, pois expressa uma civilização, mas é também uma matriz porque participa dos esquemas de percepção, de concepção e de

ação – ou seja, da cultura – que canalizam, em um certo sentido, a relação de uma sociedade com o espaço e com a natureza.

O conceito de paisagem tende, então, a valorizar coexistência de objetos e formas em sua face sociocultural manifesta (SUERTEGARAY, 2000). Dessa forma, se a paisagem, como um conjunto de formas naturais e culturais associadas em uma dada área, traduz-se num “campo de visibilidade”, ao ser oferecida a nossa percepção e a nossa experiência, converte-se num “campo de significação” individual e coletiva (CABRAL, 2007).

Sack (citado por SOUZA, 1995) salienta que os territórios não têm uma dimensão espacial e temporal fixa, pois variam de tamanho (podendo inclusive ser “móveis” ou “flexíveis”) e da mesma maneira que existem num dado momento, noutro poderão desaparecer. Sempre segundo Sack, vários territórios podem ser apropriados simultaneamente pelo mesmo agente. Essa última característica aplica-se aos territórios articulados em rede, e se torna indispensável para compreender os fenômenos sócio-espaciais atuais (HAESBAERT, 2004; CABRAL, 2007). Nesse sentido, outro aspecto também importante é salientado por Souza (1995), quando considera que territórios com formas e limites variados podem sobrepor-se e, ainda por cima, com territorialidades em contradição, por conta dos atritos e conflitos existentes entre os respectivos agentes. Para esse autor, territórios são campos de forças, são antes teias ou redes de relações sociais projetadas no espaço do que o substrato material em si, e não há necessidade de forte enraizamento material para que se tenha

território. Assim, Haesbaert (2004) lembra que devemos primeiramente distinguir os

territórios de acordo com os sujeitos que os constroem, sejam eles indivíduos, grupos sociais, o Estado, empresas, instituições como a Igreja etc. As razões do controle social pelo espaço variam conforme a sociedade ou cultura, o grupo e, muitas vezes, com o próprio indivíduo. Controla-se uma “área geográfica”, ou seja, o “território”, visando “atingir/afetar, influenciar ou controlar pessoas, fenômenos e relacionamentos” (Sack, 1986:6).

A territorialidade, além de incorporar uma dimensão estritamente política, diz respeito também às relações econômicas e culturais, pois está “intimamente ligada ao modo como as pessoas utilizam a terra, como elas próprias se organizam no espaço e como elas dão significado ao lugar” (Idem). Sack afirma também:

A territorialidade, como um componente do poder, não é apenas um meio para criar e manter a ordem, mas é uma estratégia para criar e manter grande parte do contexto geográfico através do qual nós experimentamos o mundo e o dotamos de significado. (1986:219)

Portanto, a riqueza da noção de território consiste em que, ao mesmo tempo e obrigatoriamente, é funcional e simbólica, pois exercemos domínio sobre o espaço tanto

para realizar “funções” quanto para produzir “significados”. O território é funcional a começar pelo território como recurso, como expressado pelos “novos atores do Pampa”, seja como proteção ou abrigo (“lar” para o nosso repouso), como nos casos dos pecuaristas tradicionais gaúchos, seja como fonte de “recursos naturais” – “matérias-primas” que variam em importância de acordo com o(s) modelo(s) de sociedade(s) vigente(s) (como é o caso do petróleo no atual modelo energético capitalista).

Nesse sentido, Milton Santos prefere distinguir o território como recurso, prerrogativa dos “atores hegemônicos”, e o território como abrigo, dos “atores hegemonizados” (SANTOS et al., 2000). Embora Haesbaert (2004) reconheça a enorme relevância desta distinção, diverge em relação aos termos, já que, para ele, são duas formas distintas de produção do território enquanto recurso: os dominantes privilegiando seu caráter funcional e mercantil, os dominados valorizando-o mais enquanto garantia de sua sobrevivência cotidiana.

Para os “hegemonizados” o território adquire muitas vezes tamanha força que combina com intensidades iguais funcionalidade (“recurso”) e identidade (“símbolo”). Assim, para eles, literalmente, como diz Haesbaert (2004) “perder seu território é desaparecer”, uma definição que se ajusta perfeitamente às percepções sobre a terra expressadas pelos pecuaristas familiares entrevistados. O território, neste caso, “não diz respeito apenas à função ou ao ter, mas ao ser”. Segundo Haesbaert (2004), é entre aqueles que estão mais destituídos de seus recursos materiais que aparecem as formas mais radicais de apego às identidades territoriais.

Haesbaert (2004) estabeleceu dois grandes “tipos ideais” ou referências “extremas” frente aos quais é possível analisar o território, um mais funcional, outro mais simbólico. O autor esclarece que, enquanto “tipos ideais”, eles nunca se manifestam em estado puro, ou seja, todo território “funcional” tem sempre alguma carga simbólica, por menos expressiva que ela seja, e todo território “simbólico” tem sempre algum caráter funcional, por mais reduzido que ele seja.

Respondendo a nossa pergunta, tanto a noção de paisagem quanto a de território apresentam vantagens e desvantagem para a análise do vínculo dos pecuaristas familiares com a terra. O território (ou as multiterritorialidades, como prefere dizer Haesbaert, 2004) constitui uma noção útil para o estudo das situações em que as relações de poder referenciadas ao controle e à gestão do espaço tornem-se indispensáveis ao entendimento da existência humana. Essa noção de território privilegia a reflexão sobre o poder referenciado ao controle e à gestão do espaço. O poder, nesse caso, deve ser entendido como “multidimensional, derivado de múltiplas fontes, inerente a todos os atores e presente

como espaço dominado e/ou apropriado, manifesta hoje um sentido multi-escalar e multi- dimensional que só pode ser devidamente apreendido dentro de uma concepção de multiplicidade, de uma multiterritorialidade.

Toda ação que efetivamente se pretenda transformadora, hoje, necessita, obrigatoriamente, encarar esta questão: ou se trabalha com a multiplicidade de nossos territórios, ou não se alcançará nenhuma mudança positivamente inovadora. Os movimentos antiglobalização e antineoliberalismo que o digam, zapatistas à frente. Pensar multiterritorialmente é a única perspectiva para construir uma outra sociedade, ao mesmo tempo mais universalmente igualitária e mais multiculturalmente reconhecedora das diferenças humanas (HAESBAERT, 2004: p. [s.p.]).

Na noção de paisagem, os aspectos visuais ou cênicos acrescidos de sua dimensão simbólica salientam a importância da leitura da relação humana com o espaço. Essa leitura permite ver como os olhares e as percepções se traduzem em atitudes evidenciadas, por exemplo, no uso da terra e no manejo do gado. Por tudo isso, consideramos que a noção de paisagem se ajusta mais as necessidades teóricas desse trabalho. Porém, tentamos não cair numa visão romântica da paisagem nem esqueceremos a importância da variável “poder” tão útil para entender as multiterritorialidades e o seu dinamismo permanente.

6.2.3.1. DESVANTAGENS PERCEBIDAS

Apesar de seduzidos pela alta rentabilidade da soja e da silvicultura e pressionados pela rápida liquidez originada pelo elevado preço da terra, a maioria dos entrevistados perceberam as mudanças da paisagem como negativas. Em linhas gerais, nas três regiões de estudo foram identificados quatro tipos de desvantagens: (i) desvantagem ambientais; (ii) desvantagens produtivas; (iii) desvantagens econômicas; (iv) desvantagens estéticas.

Desvantagens Ambientais:

 Diminuição da diversidade biológica existente na propriedade e na região;  Alterações (químicas ou físicas) no regime hídrico da propriedade e arredores;  Extinção local de espécies da flora e fauna nativas por perda de habitat

(conversão de área de banhado em lavoura, conversão de área de campo em área de mato ou silvicultura, etc.);

 Esgotamento do solo através de compactação, erosão, perda de fertilidade, além de morte dos microrganismos do solo pela intoxicação por produtos químicos aplicados à área (adubos químicos, venenos agrícolas...);

 Maior frequência de eventos climáticos extremos (os pecuaristas percebem indicadores que atribuem as mudanças do clima, como a alteração na frequência e a quantidade de chuvas, o aumento da temperatura no inverno e a floração antecipada das árvores. Consultados sobre as suas estratégias para se adaptar as mudanças, a grande maioria revelou incertezas).

No usamos venenos (herbicidas ou pesticidas). Si la naturaleza puso los insectos, por algo lo hizo (Entrevista a Nana B., viuva, 31/07/2009, na sua unidade produtiva de Paysandú, a 20 km de Guichon, Uruguai. 31/07/2009. Foto 3).

Foto 3. “Me gusta ver a los ñandúes andar tranquilos entre las vaquitas”, diz Mariela B., 44 anos, na