Nos crimes praticados pelos agressores ALVS, CL, ERA, JVAR, LCO, LNDS, desconhecidos A, B, D, K e M, o M.O. foi diferente, e por esta análise não seria possível ligar os crimes praticados pelo mesmo estuprador. O reconhecimento das vítimas e a análise genética foram as únicas formas de correlacionar os autores ALVS, CL, ERA, JVAR, LCO e LNDS a seus diversos crimes praticados. Para os agressores não identificados denominados desconhecidos A, B, D, K e M, a identificação de seus crimes só foi possível pela comparação dos perfis genéticos obtidos de vestígios do crime com aqueles cadastrados no banco de dados.
Mesmo considerando os fatos em comum nas informações prestadas por vítimas de crimes sexuais (ou outro tipo de crime), sugerindo que os crimes tenham sido praticados pelo mesmo autor, há uma grande dificuldade em caracterizar autores contumazes de crimes apenas pelas informações das testemunhas (EARLES et al., 2008; CHAMBERS; ZARAGOZA, 2001; PINTO, 1986). Exceto em casos de flagrante delito, o exame genético da prova material é de extrema importância para confirmar a autoria, pois com os outros métodos de investigação existentes nem sempre se consegue estabelecer a correlação da autoria acima de qualquer dúvida.
Neste estudo, a identificação genética dos autores contumazes permitiu a análise de dados dos vários crimes praticados pelo mesmo autor, conforme descrito no capítulo 1. Na maioria dos criminosos cujos modus operandi foram analisados por meio dos dados das ocorrências policiais (31 agressores - 72% do total) foi identificado um padrão na forma de planejamento e atuação de seus crimes. Programas como o PowerCase e o VICP são utilizados para correlacionar crimes semelhantes pela análise de um banco de dados de modus
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operandi (CASOY, 2008). Os dados de quatro ocorrências policiais, relacionadas aos crimes
de estupro praticados pelo agressor TJM, foram analisados pelo programa Analyst's Notebook
6, utilizado na Polícia Civil do Distrito Federal para análises investigativas, para verificar a
análise de vínculos (figura 2.17). O resultado obtido ilustra a relação de vínculo entre os crimes e o autor TJM. Cabe salientar, que, neste estudo simulado, apenas estes quatro crimes foram considerados.
Sugere-se que seja efetuada uma pesquisa utilizando o programa Analyst's Notebook 6, inicialmente com a utilização de bases de dados de M.O., assinaturas, localização e dados referentes às vítimas dos 122 crimes praticados por estupradores contumazes geneticamente identificados. O objetivo seria verificar a análise se a análise de vínculos entre os crimes efetuada pelo referido programa se assemelha os dados obtidos pela análise genética.
Os resultados obtidos podem ser úteis para a validação deste programa na análise deste tipo de crime, e também para revelar bases de dados que possam ser implementadas para uma pesquisa mais eficaz (se for o caso). De acordo com os resultados obtidos, esta pesquisa deve ser ampliada para todos os crimes sexuais do DF, para compara e correlacionar crimes anteriores com novos crimes investigados, ainda não resolvidos.
A análise dos padrões sistemáticos de atuação em autores contumazes é uma ferramenta importante na investigação policial, a partir dela serão traçadas estratégias para a captura destes autores. Como exemplo, os trabalhos desenvolvidos pela 3ª Delegacia Policial que, com a análise das coincidências no modo de atuação do agressor ML, cuja mesma autoria nos crimes fora confirmada pela análise genética, realizaram diligências (campana) no local de atuação do autor, que culminaram na sua captura. Além das seis vítimas evidenciadas pela análise genética, quando foi preso, este autor foi reconhecido por várias outras das quais não havia material biológico para o confronto de DNA.
98 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho procurou investigar métodos de vinculação de vários crimes sexuais cometidos por um mesmo agressor por meio de duas abordagens: a análise genética e a análise do modus operandi e assinatura do agressor.
Os dados coletados foram analisados de forma multidisciplinar enveredando-se por princípios da biologia molecular, para a análise genética; teorias da psicologia e psiquiatria forense, para a análise do modus operandi e assinatura; princípios de informática e de geoprocessamento, para a plotagem dos locais de crimes nos mapas e análise da distribuição destes, e normas legais. Desta forma buscaram-se elementos que pudessem esclarecer ou dar algum significado a ligação entre estes crimes.
O objetivo principal foi dar subsídios à investigação policial para distinguir crimes isolados de crimes em série, identificar estupradores contumazes e auxiliar na solução de crimes ainda não resolvidos no Distrito Federal, por meio da comparação dos perfis genéticos masculinos analisados neste IPDNA e da análise do modus operandi e da assinatura obtidos pela análise das ocorrências policiais relacionadas aos crimes dos agressores em série, cujos perfis genéticos foram identificados.
Mesmo tentando focalizar este estudo nestas duas questões, outros elementos surgiram na análise dos dados contidos nas ocorrências policiais, na literatura e na análise das imagens obtidas dos mapas, com um grau de importância elevado para a compreensão destes crimes. O que demonstrou a complexidade deste tema e sugestões para estudos futuros.
Algumas diretrizes foram traçadas para a execução desta investigação:
a) na área molecular foi analisado o material biológico coletado de 143 vítimas de estupro. Os critérios adotados foram a presença de numerosos ou frequentes espermatozóides; a ausência de uma autoria conhecida, e o material estar arquivado, ou seja, este exame ainda não foi solicitado pela falta de possíveis suspeitos na investigação policial. Uma vez obtidos os perfis dos agressores, estes foram inseridos em um banco de dados onde foi possível fazer um confronto entre eles e entre outros, também proveniente de autores de crimes sexuais e já armazenados neste banco;
b) no estudo do perfil criminal (modus operandi e assinatura) foi realizada uma análise documental em 122 ocorrências policiais relacionadas às 128 vítimas dos agressores em série identificados geneticamente. Deste modo buscaram-se indícios
99 de padrões sistemáticos de comportamento utilizados pelo autor em todos os seus atos delituosos.