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Studiens  begrensninger  og  forslag  til  videre  studier

5.   Avslutning

5.3   Studiens  begrensninger  og  forslag  til  videre  studier

Em 02 de janeiro de 1911, a Escola Normal de Natal foi instalada no prédio recém- construído para o Grupo Escolar Augusto Severo, onde funcionava também o Jardim de Infância Modelo, no bairro da Ribeira.

A idéia de edificar um prédio moderno e apropriado à educação escolar em Natal, associada à reforma da Instrução Pública do Estado, já vinha sendo fermentada no final do primeiro governo de Antônio de Melo e Souza (1907–1908). Mas a reforma somente foi realizada por Alberto Maranhão (1908–1913), que, dando continuidade ao projeto de modernização que se iniciara na sociedade natalense, no começo do século XX, instituiu o decreto 178, de 29 de abril de 1908, que restabeleceu a Diretoria Geral da Instrução Pública,

criou a Escola Normal de Natal e os Grupos Escolares mistos, orientados, ambos, pelo então Diretor Geral da Instrução Pública, o Dr. Francisco Pinto de Abreu (AQUINO, 2002).

O Grupo Escolar Augusto Severo foi inaugurado solenemente em 12 de junho de 1908, pelo Governador Alberto Maranhão, sob o testemunho de autoridades locais (MOREIRA, 2005). Ali, então, se implantava no Estado o modelo moderno de estabelecimento de ensino primário, introduzindo-se com este uma nova organização da instrução, centrada na escola graduada ou seriada, bem como de nova orientação pedagógica abalizada nos métodos ativos de aprendizagens (AQUINO, 2002). A edificação construída em 1907 contava apenas com três salas de aula, passando por uma reforma em 1910 que correspondeu a ampliação de mais três.

A edificação de prédios destinados aos Grupos Escolares, bem como às Escolas Normais, no início do século XX, passou a simbolizar a modernização e a capacidade empreendedora dos diferentes Estados da Federação, ressalvando-se as particularidades de cada região. Assim, o discurso modernizador passou a circular nos quatro cantos do País, radicando-se nas culturas locais, como assinala Oliveira (2000, p. 12): “a modernização por que passou a cidade de Natal, no período entre o final do século XIX e o início do século XX, foi resultado de um processo que atingiu outras cidades no Brasil e no mundo”.

O prédio escolar tornou-se instrumento de propaganda política dos governos estaduais daquela época, cujas ações, inspiradas no movimento higienista, buscavam, além de divulgar as noções de saúde pública, imprimir o espírito de cordialidade, combater a apatia, a morosidade e vícios como o alcoolismo. A educação escolar era encarada pelos dirigentes como um veículo de mudança comportamental. A escola seria, pois, o lugar onde, além de se ensinar os conhecimentos eruditos, se ensinavam, também, os modos urbanos e higiênicos de viver, imprescindíveis ao homem moderno.

Como componente de um cenário modernizado, “uma arquitetura escolar pública começa a ser gestada, nessa época, aliando a configuração do espaço às concepções pedagógicas e às finalidades atribuídas à escola primária” (SOUZA, 1998, p. 123). Os prédios escolares públicos, com edificações suntuosas localizadas em bairros de elite, ou em centros comerciais e de serviços, nas primeiras décadas do século XX, passaram a servir de instrumento de propaganda política, ao mesmo tempo em que demarcavam a capacidade de poder das oligarquias. Segundo Pinheiro (2002, p. 147), esses edifícios “marcaram a nova feição urbana em pleno processo de mudança e serviram, por conseguinte, para embelezar a cidade e dar-lhe um ar de modernidade”.

Em meio ao concreto e à argamassa, cimentava-se, na estrutura física do prédio escolar, um modelo de arquitetura que sintetizava os discursos sociais e políticos em cada época. Nessa perspectiva, Sales (2000, p. 62) pondera: “subjacente a muitos prédios escolares, há uma intenção simbólica de seus realizadores”.

O edifício do Grupo Escolar Augusto Severo aproximava-se do padrão dos demais prédios públicos implantados na época, caracterizados pela utilização de materiais nobres nos tijolos, revestidos de ornamentos e técnicas importadas da Europa (MOREIRA, 2005).

FOTO 2 í Sede da Escola Normal de Natal (1911í1937) e (1942í1953): Grupo Escolar Augusto Severo

Fonte: Acervo particular de Ana Zélia Maria Moreira (1907)

Nesse edifício, passaram a funcionar, a partir de 1911, as três instituições que formariam o modelo de educação propugnado pelo discurso da modernidade educacional no início do século XX: o Jardim de Infância Modelo, o Grupo Escolar Modelo11 e a Escola Normal de Natal, ou melhor, a escola de formação de professoras do ensino primário, 11O Grupo Escolar Augusto Severo foi convertido em Escola Modelo anexa à Escola Normal de Natal, pelo Decreto 198, de 10 maio de 1909 (CASCUDO, 1999).

conjugada aos locais de realização da prática pedagógica. O curso primário funcionava no horário matutino, o curso Normal, no vespertino, das 13h30min às 17h30min. Em 1914, foi ali instalada a Escola Isolada Noturna (CASCUDO, 1999).

Em Natal, no curso da primeira para a segunda década do século XX, foram construídas a Praça Augusto Severo (ladeada pelo Teatro Carlos Gomes), o edifício do Grupo Escolar Augusto Severo, compreendendo também a Escola Normal de Natal, e mais adiante o edifício da Escola Doméstica de Natal, os quais passaram a formar um conjunto de três suntuosas edificações arquitetônicas, emblemáticas do prestígio cultural e econômico do bairro da Ribeira, naquela época, para a sociedade natalense.

Os prédios escolares, até então construídos, obedeciam às formas de repertórios de estilo neoclássico, neocolonial ou do modernismo, procurando atender, por conseguinte, a um programa arquitetônico que se adequasse aos preceitos das pedagogias (SALES, 2000). Para além do embelezamento da cidade, e da ostentação de modernidade, a arquitetura escolar expressava dimensões simbólicas e pedagógicas, tal como afirmou Souza (1998, p.123): “o espaço escolar passa a exercer uma ação educativa dentro e fora de seus contornos”.

A arquitetura dos Grupos Escolares no Brasil do início do século passado trazia pontos em comum, característicos do pensamento de uma época, como a distinção de lugares sociais a partir da diferença sexual, ou seja: “cada ala correspondia a uma seção feminina ou masculina. Essa simetria ligada à diferença sexual expressou-se em entradas independentes para meninos e meninas” (SOUZA, 1998, p. 130). Tais características faziam parte também da edificação do Grupo Escolar Augusto Severo, que, no dizer de Moreira (2005), se tratava de um estilo eclético e prestava-se muito bem às imposições pedagógicas da época, que previam a separação das crianças por sexo.

Carregada de simbolismo e orientações comportamentais, a edificação original do prédio onde funcionava a Escola Normal de Natal era composta de

[...] uma entrada central e duas laterais. [...] Estes acessos distintos estabeleciam uma determinada hierarquia, a entrada central era de uso exclusivo do diretor, professores, autoridades e alunos somente em ocasião de solenidades. [...]. As entradas laterais de uso restrito dos alunos, meninos à esquerda e meninas à direita do prédio (MOREIRA, 2005, p.102-103).

FOTO 3 í Fachada do Grupo Escolar Augusto Severo: sede da Escola Normal de Natal (1911í1937) e (1942í1953): acesso para meninas. Fonte: Moreira (2005, p.104)

O espaço escolar, por ser construído, disciplina, organiza, separa, institui normas e determina lugares na cultura de uma instituição educativa, em diferentes configurações. Observamos na fotografia 3, a extremidade direita do edifício, o lugar demarcado pelo posicionamento da estátua menina (fotografia 4) que indicava o acesso à sala das meninas do Grupo Escolar e da Escola Normal de Natal (MOREIRA, 2005).

FOTO 4 í Turma da Escola Normal de Natal: anos 20 Fonte: Acervo do IHGRN (1927)

Podemos perceber na imagem, a distribuição no uso do espaço para a projeção do flagrante fotográfico, uma classificação hierárquica na disposição das pessoas, tendo à frente o corpo docente da Escola Normal de Natal, que, na década de 1920, era majoritariamente masculino. Também, nessa imagem, sobressai uma figura feminina, provavelmente professora. Na fileira subseqüente, após os professores, colocam-se, hierarquicamente, as alunas. Vale ressaltar que essas relações hierárquicas faziam-se presentes em todo o cotidiano da escola, ancorado tanto na arquitetura escolar como também nas normas disciplinares, nos exames, na metodologia do ensino, sendo a prática pedagógica um amálgama desses componentes.

Nessa compreensão, concordamos com Souza (1998) quanto ao fato de que a arquitetura escolar exige determinadas formas de comportamento e influencia na percepção e representação que as pessoas fazem dela, tanto no que se refere à percepção da disposição material quanto de sua dimensão simbólica.

Em outros Estados, o Grupo Escolar Modelo e o Jardim de Infância funcionavam em edifícios anexos à Escola Normal, servindo de suporte para a prática pedagógica das normalistas. Diferentemente, em Natal, a Escola de Professoras era hóspede do Grupo Escolar Modelo, com o agravante de que o prédio referido não oferecia as condições didático- pedagógicas para o bom desempenho de suas atividades: faltava biblioteca, laboratórios de Química e Física, além da insuficiência de salas para atender novas alunas. O problema

intensificava-se a cada início de ano, com o aumento do número de matrícula, o que revelava a inviabilidade de a Escola Normal permanecer naquele estabelecimento (AQUINO, 2002).

Constatamos algumas tentativas para a construção de um edifício próprio para a Escola Normal de Natal, em 1919, no segundo governo de Joaquim Ferreira Chaves (1914í1920). Mas ele mesmo afirma que foi “obrigado a suspender, como outras obras, pela superveniência da seca” (RIO GRANDE DO NORTE, 1919, p. 16). Outra iniciativa ocorreu em 1937, por meio do Decreto nº 116, de 04 de novembro de 1937, que autorizava o Governo do Estado “a abrir um crédito especial, [...] necessário à construção de um prédio para a Escola Normal da capital” (RIO GRANDE DO NORTE, 1937, p. 17), palavras que não passaram do papel e logo se tornaram letras mortas.

Naquele ano, a escola passou por mais um constrangimento, sem condições de acomodar o avultado número de alunas matriculadas. As iniciativas de que tratamos permaneceram no papel; não lograram sucesso. Prevaleceu a contemporização do problema, aparentemente insolúvel. Em 1937, a Escola Normal de Natal foi transferida mais uma vez, sendo abrigada nas dependências do Grupo Escolar Antônio José de Melo e Souza.