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Students’ political engagement and will for action

6. Discussion

6.2 Students’ political engagement and will for action

Os cuidados informais são, na sua maioria, tal como já referido anteriormente, executados no domicílio e, geralmente, ficam a cargo de familiares, vizinhos ou amigos, ainda que estes últimos apenas assumam o papel de cuidadores informais em casos muito concretos, nomeadamente aquando da inexistência de elementos familiares capazes de assumirem esse papel ou na sua ausência completa. Assim, os cuidados informais caracterizam-se por serem executados de forma não antecipada, não remunerada e podendo englobar parte ou a totalidade dos cuidados. O cuidador informal também vem referenciado na literatura como prestador de cuidados informais ou familiar cuidador, na medida em que, ao longo dos tempos, a função de cuidar tem estado vinculada à família e a maioria dos prestadores de cuidados/cuidadores informais são familiares, assumindo estes a responsabilidade da organização e prestação de cuidados (Sequeira, 2010).

Conscientes da importância do papel desempenhado pelos cuidadores informais de jovens adultos com necessidades especiais e da necessidade de alertar e sensibilizar os profissionais de saúde para a educação, formação e capacitação destes, de modo a facilitar a prestação de cuidados à pessoa dependente (Barros, Barros, Barros & Santos, 2017), torna-se, assim, imperativo aproveitar todos os contactos com os cuidadores em todos os contextos. É por isso fundamental que os enfermeiros, enquanto profissionais que geram sentimentos de segurança e de respeito, integrem os cuidadores no processo de ensino e aprendizagem, como forma de garantir a continuidade de cuidados, em particular no domicílio, servindo de apoio aos cuidados informais de jovens adultos com necessidades especiais.

Barros et al. (2017) realizaram um estudo para avaliar o perfil e a sobrecarga de 186 cuidadores de jovens com e sem Síndrome de Down. Os grupos eram compostos por 84 cuidadores informais e os cuidadores do grupo com necessidades especiais eram maioritariamente do género feminino, na faixa etária dos 41-60 anos, inativos profissionalmente, com baixo rendimento familiar mensal, baixo nível de escolaridade, a professar a religião católica, com maiores de problemas de saúde, com medicação continua e com nível de sobrecarga moderada. Os jovens com necessidades especiais necessitavam significativamente de mais auxílio para a alimentação, higiene, vestir e controlo dos esfíncteres. Os cuidadores de jovens com Síndrome de Down revelaram sobrecarga moderada, quando comparados aos cuidadores de jovens sem necessidades

especiais. As mesmas autoras referem que a sobrecarga é consequência do lidar com a dependência física e a incapacidade intelectual do jovem, que é um foco de atenção e de cuidados constantes. Os aspetos objetivos da sobrecarga do cuidar compreendem as alterações da rotina, “redução da vida social e profissional, perdas financeiras, realização de tarefas excessivas e supervisão de comportamentos problemáticos do indivíduo a ser cuidado” (Barros et al., 2017, p. 3626). Os aspetos subjetivos desta sobrecarga, ainda em conformidade com as autoras citadas, relacionam-se com a “perceção, as expectativas e os pensamentos positivos e negativos do cuidador”, resultando em estados de ansiedade e de depressão por parte de cuidadores de jovens adultos com necessidades especiais. Os pais/cuidadores de jovens adultos com Paralisia Cerebral muitas vezes assumem as principais e multifacetadas responsabilidades do cuidado, a longo prazo, resultando numa sobrecarga física, psicológica e emocional. A Paralisia Cerebral é uma das principais causas de incapacidade e a maioria das pessoas fica com incapacidade residual e dependem dos pais/cuidadores para os cuidados essenciais (Chiluba & Moyo, 2017). Tendo por base estes pressupostos, os mesmos autores realizaram um estudo para determinar as experiências dos pais/cuidadores de jovens com Paralisia Cerebral que recebem fisioterapia ambulatorial. A idade mediana dos participantes foi de 33,6 anos, com um intervalo de 27-50 anos. A amostra do estudo consistiu em mais mulheres (92%) do que homens (8%), estar sobrecarregado e cansado, com necessidades de ajustes familiares e ajuste da vida profissional (72% e 68%, respetivamente). Mais de metade dos pais/cuidadores precisavam de ajuda para cuidar do seu filho com Paralisia Cerebral. Para esse efeito, os participantes expressaram a sua perceção, tendo uma mãe relatado: “… preciso de alguém para me ajudar no cuidado. Às vezes eu preciso de fazer outras coisas, mas não posso, porque se eu fizer, ninguém ficará com o meu filho ...”. Este estudo aponta para algumas evidências de que o peso imposto àqueles que cuidam de jovens com Paralisia Cerebral deve ser abordado e deve ser um foco dos profissionais de saúde. Numa revisão integrativa da literatura Melo et al. (2014), debruçaram-se sobre as principais necessidades do cuidador familiar na transição para a prestação de cuidados à pessoa com dependência. Foram identificados diferentes tipos de necessidade, em diferentes contextos, as quais, à luz da Teoria das Transições de Meleis, foram agrupadas em quatro categorias:

Recursos comunitários e sociais – a necessidade de um bom relacionamento

promova o acesso aos recursos disponíveis na comunidade, podem ser facilitadores no processo de transição para a condição de cuidador. Pelo contrário, poderão ser fatores inibidores, a ausência de tempo que o cuidador dispõe para si próprio (necessidades individuais de lazer e de socialização), constituindo-se como relevantes os grupos de apoio ou a necessidade de intenções/serviços que possibilitem ao cuidador ter pausas e descansos no seu papel de cuidar.

Conhecimentos e aprendizagem de habilidades – a necessidade de dotar os

cuidadores de conhecimentos e capacidades são realçadas por vários investigadores, tendo aqui os Enfermeiros um papel determinante na sua capacitação, especificamente na aquisição ou melhora de competências instrumentais (procedimentos e técnicas) úteis na prestação de cuidados, nomeadamente no domínio dos autocuidados que permitam satisfazer as AVD’s da pessoa dependente e que podem ainda incluir o treino para cuidar. Foram também evidenciadas necessidades (in)formativas sobre a etiologia, disgnóstico e prognóstico da doença da pessoa dependente. As dificuldades no acesso aos serviços de saúde poderão ser fatores inibidores de assunção do papel de cuidador, caso não sejam devidamente superadas.

Significado pessoal, crenças e atitudes – decorrente do desgaste e sobrecarga

emocional que os cuidadores informais são alvo, as necessidades de apoio emocional e a aquisição de estratégias de coping eficazes na resolução de problemas, poderão ser facilitadores de uma melhor integração do cuidador no seu papel.

Condição socioeconómica – as necessidades de apoio económico advêm dos

elevados custos decorrentes dos cuidados à pessoa dependente e da falta de apoios que possibilitem a conciliação do papel de cuidador com a atividade profissional, sendo fatores inibidores a ausência de flexibilidade de horários laborais.

Estas dificuldades sentidas pelo cuidador informal carecem de orientações e ensinos sobre aspetos relacionados com o cuidar, nomeadamente os autocuidados do jovem adulto com necessidades especiais. A falta de preparação do cuidador informal acarreta consigo inúmeros riscos para a pessoa cuidada, assim como para quem cuida, pois, a falta de preparação técnica por parte do cuidador, decorrente muitas vezes da falta de informação, pode facilmente ocasionar sobrecarga pessoal, com maior desgaste físico e emocional e ineficácia dos cuidados prestados (Andrade, Costa, Caetano, Soares & Beserra, 2009). Pelo contrário, a adequada preparação do cuidador, resultante da prestação de cuidados de enfermagem sistemáticos e sistematizados, de acordo com as pesquisas de Petronilho

(2016), tem sido associada a resultados efetivos, nomeadamente melhoria na satisfação e capacitação da pessoa cuidada e do cuidador; melhoria na referenciação, com adequado suporte formal em tempo útil; benefícios diretos na qualidade de vida da pessoa cuidada e do cuidador e na diminuição dos custos financeiros do sistema de saúde no global. Este processo dinâmico do cuidar, particularmente de jovens adultos com necessidades especiais, ao exigir dos cuidadores informais uma adaptação e reorganização em diferentes contextos, acarreta também tomadas de decisões, nem sempre fáceis e que podem implicar mudanças tanto para o cuidador, como para a pessoa dependente, pelo que os enfermeiros podem constituir elementos facilitadores dessa tomada de decisão (Araújo & Martins, 2016).