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4. ANALYSE

4.1. Observasjon av elevers læring av primtallsfaktorisering

4.1.1. Studentenes planlegging av observasjon

Inicialmente a praia não era frequentada pelos natalenses, pois não havia infraestrutura e serviços no bairro, mas com a implantação do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno e as casas de veraneio (década de 1970) desencadearam mudanças na ocupação e no uso do território. No período que antecede a inserção da atividade turística, os agentes do circuito inferior já se faziam presentes com atividades tradicionais de artesanato e/ou na comercialização de produtos como a tapioca e o pescado. Retratando o período, Pinheiro (2011, p. 71) ressalta:

Gradativamente, ao denotar novas funções e usos para este local, foi iniciado o processo de valorização dos terrenos perto da beira-mar, que foram sendo comprados para a construção de segundas residências, propriedades da parcela da sociedade com maior poder aquisitivo, ou seja, da elite natalense. Este é o início da ocupação de Ponta Negra por classes mais abastadas da cidade.

Realizando um breve resgate histórico da ocupação do bairro, observamos que até o final da década de 1960, havia o predomínio dos domicílios de veraneio, além da população autóctone, visto o relativo isolamento de Ponta Negra em relação ao tecido urbano de Natal. Porém, fruto da política habitacional do Estado, e associada à melhoria de acessibilidade possibilitada pela duplicação, iluminação e asfaltamento da Av. Engenheiro Roberto Freire (conhecida anteriormente como estrada de Ponta Negra), que interligou o bairro à cidade, começaram a surgir investimentos privados para o local (FONSECA E SILVA, 2013).

No que se referem aos primeiros conjuntos habitacionais, eles fizeram parte da política habitacional desenvolvida pelo Banco Nacional de Habitação (BNH), por meio do Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais (INOCOOP). Os conjuntos Ponta Negra e Alagamar, construídos, respectivamente em 1978 e 1979, destinados principalmente à classe média, levaram ao surgimento de novas áreas urbanizadas na Zona Sul, ao passo que acentuaram a ocupação dessa área, estimulou a implantação de infraestrutura, melhorou as vias de acesso do bairro e ainda incentivou o fluxo migratório, atraindo pessoas de outras cidades e estados vislumbrados pelos planos de financiamento (PINHEIRO, 2011).

Mesmo que o processo de transformação do bairro de Ponta Negra em destino turístico internacional tenha ocorrido a partir da reurbanização da sua orla marítima (no final da década de 1990), já na segunda metade da década de 1980 percebemos significativas mudanças, deixando de ser uma área periférica de Natal. Isto porque, além dos conjuntos habitacionais, em 1983, ocorreu ainda a inauguração da Via Costeira e a duplicação Av. Eng. Roberto Freire, iniciando a expansão do circuito superior nessa direção.

Logo, Ponta Negra tornou-se o novo lugar de lazer para os residentes após a conclusão da Via Costeira, visto que anteriormente, a praia era o local de veraneio Classe Média e Alta. Ademais, os investimentos do PRODETUR em equipamentos e infraestrutura urbana no final da década de 1990, tornou Ponta Negra repleto de atividades do circuito superior. Analisando o bairro, Silva (2010, p. 325) assevera que:

Ponta Negra até o início da década de 1980 era uma zona periférica, de banhistas natalenses e de poucos turistas nacionais. A implantação do Projeto Via Costeira, a duplicação da Av. Eng. Roberto Freire e a construção dos primeiros hotéis, aliados as qualidades naturais do bairro e a facilidade de acesso a linha de praia (com novas ruas pavimentadas em 1988, pelo então prefeito Garibaldi Alves), trouxeram modificações em seu padrão de ocupação urbana. Mas foi entre 1998 e 1999 com as obras do PRODETUR NE-I, relativas à reforma do calçadão da praia, saneamento básico e sinalização turística, que o bairro enfrenta uma forte valorização imobiliária, com construção de edifícios verticalizados residenciais, flats, hotéis e pequenos centos comerciais.

Tais transformações na infraestrutura foram necessárias, uma vez que o bairro estava crescendo demograficamente, além da expansão no número de estabelecimentos de comércios e serviços e o aumento também no fluxo de pessoas. Ademais, com as melhorias urbanas incrementou-se também a dinâmica turística, reordenando a orla marítima52. Percebe-se que os lugares turísticos da cidade, em grande medida, foram definidos pela construção da Via Costeira, pela duplicação da Av. Engenheiro Roberto Freire e a Rota do Sol, visto que esses eixos viários permitem a acessibilidade turística na cidade e consolida Ponta Negra como área turística.

Tratando especificamente da orla marítima de Ponta Negra e dos primeiros conflitos entre os agentes hegemônicos e o circuito inferior, a Prefeitura Municipal de Natal elaborou um projeto reurbanização e contou com o financiamento do PRODETUR para sua implementação. Em 1998 teve início a execução da obra de urbanização da orla da praia, a qual previa a construção de 42 barracas padronizadas e 15 quiosques de tamanho diferenciados, ciclovia e estacionamento para bicicletas, calçadão com a extensão do Morro do Careca à Via Costeira, três módulos com sanitários, uma área designada aos pescadores, pracinha com banco 24 horas, mirante, quadra poliesportiva entre outros equipamentos. Contudo, o projeto foi realizado apenas parcialmente, abrangendo somente o calçadão de três quilômetros de extensão e a substituição das antigas barracas que existiam na praia por

52

O Decreto Federal nº 5.300, de 7 de dezembro de 2004, no Art. 22, define como orla marítima “a faixa contida na zona costeira, de largura variável, compreendendo uma porção marítima e outra terrestre, caracterizada pela interface entre a terra e o mar.” (BRASIL, 2004).

quiosques de madeira e fibra de vidros distribuídos ao longo do calçadão (SILVA e GOMES, 2004; NEVEROVSKY, 2005).

Finalizadas em 2000, essas obras foram bastante contestadas, principalmente porque foram retiradas todas as barracas à beira-mar, mas nem todos aqueles que possuíam barracas tiveram a oportunidade de adquirir seu quiosque, ficando restrito apenas aos nativos. Isto porque, como destaca Neverovsky (2005), no período da retirada das barracas, poucos proprietários eram nativos, ao passo que muitos haviam vendido suas barracas para forâneos53. Apontando para a concorrência entre os circuitos, na época, conforme analisado por Silva e Gomes (2004, p. 63):

Órgãos federais, prefeitura, comerciantes, donos de bares, restaurantes, pousadas, hotéis, associação de moradores, todos tinham o seu próprio discurso que convergia para estes pontos: as barracas estavam em local proibido por lei, eram feias, sujas, exploravam os turistas e por isso eram prejudiciais à economia. A impressa natalense corroborava com este pensamento. Manchetes davam conta de guarda-sóis e cadeiras que se estendiam pela praia, obstruindo o divertimento de banhistas. Em tom de denúncia, as matérias na TV mostravam que, as barracas, mesas e cadeiras estavam sendo reservadas para turistas endinheirados. Faziam severas críticas aos estabelecimentos e afirmavam que eles já não pertenciam aos natalenses, mas a pessoas que vieram de outros lugares, 'forasteiros'.

Percebe-se, assim, que o interesse dos agentes hegemônicos contou com a contribuição da mídia para as retiradas das barracas, ao passo que divulgava matérias apontando a necessidade de melhorar a imagem da praia com mais espaço para os banhistas, melhorias na organização das barracas e na condição de higiene no ambiente etc., sem mostrar para a sociedade que era indispensável uma discussão aprofundada sobre o tema para encontrar formas de trabalho para aqueles que estavam sendo excluídos.

Como antecedido, as antigas barracas foram substituídas por 28 quiosques no total54, dando prioridade aos nativos que marcadamente estavam há mais tempo na atividade. Aos demais, aqueles que não conseguiram seus quiosques, obtiveram uma indenização de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) para os potiguares, enquanto os forâneos (gaúchos, paulistas, cariocas etc.) saíram sem receber nenhuma indenização. Outra ação para “mitigar o problema” foi dá o direito aos trabalhadores que não ganharam quiosques de alugarem cadeiras e guarda-sóis, entre um quiosque e outro, bem como comercializar bebidas nessas áreas.

53

Visto o novo perfil dos consumidores que chegavam à praia, impondo exigências as quais esses agentes não estavam preparados, muitos nativos venderam suas barracas para forâneos que se estabeleceram na praia junto àqueles que permaneceram.

54

Como observado no mapa 12, os quiosques estão distribuídos com distâncias irregulares pelo calçadão da orla de Ponta Negra e foram alocados para exploração econômica por meio de processo licitatório. Nesses estabelecimentos são comercializados alimentos e bebidas, bem como é realizado aluguel de cadeiras e guarda-sóis aos visitantes que não visam consumação.