4. ANALYSE
4.2. Refleksjon over gjennomført undervisning og eventuell forbedring
Contudo, foi no decorrer da primeira década de 2000 que as ações do Estado, juntamente com a desvalorização da moeda nacional frente ao Dólar no início desse século que contribuíram para impulsionar os investimentos internacionais, tornando a cidade um
atrativo para o capital estrangeiro. Vale destacar que as ações anteriores (como a urbanização das praias da cidade) atreladas à divulgação e publicidade buscavam deliberadamente internacionalizar o turismo na cidade (SÁ, 2010). Retratando a realidade que a cidade estava passando no início do século XXI com a atividade turística, Silva (2007, p. 55) afirma que:
Em Natal, o Turismo e o seu consequente processo de urbanização têm provocado a especulação imobiliária nos espaços inseridos na produção turística. Ponta Negra, como principal espaço turístico, encontra-se em intenso processo de especulação imobiliária, tendo como principal fator de aquecimento desse mercado o investidor estrangeiro. Devido à valorização da área, muitos estrangeiros de várias nacionalidades estão investindo no mercado imobiliário e contribuindo para o crescimento no número de imobiliárias que se especializam na venda de imóveis para o turista estrangeiro, principalmente do padrão dos flats.
A melhoria em infraestrutura do bairro e a retirada das barracas de praia da orla fizeram com que os imóveis localizados nas quadras próximas a orla marítima passassem por uma valorização expressiva, sendo comprados por empresários nacionais (cariocas e paulistas) e estrangeiros (argentinos, portugueses e espanhóis) transformados, em muitos casos, em equipamentos turísticos (bares, restaurantes, pousadas, hotéis etc.). Logo, o bairro passou a ser nos primeiros anos do século XXI a área imobiliária mais cara da cidade, competindo com Petrópolis e Tirol, historicamente bairros da elite local (SILVA, 2010).
Assim, as transformações espaciais que o bairro passou, associadas à diversidade de opções de lazer e gastronomia, podem ser consideradas um dos motivos pelos quais as praias do Centro56 deixaram de ser o principal lugar de lazer da população residente, sobretudo das classes mais abastadas da cidade de Natal.
Percebe-se, dessa forma, que o Estado foi um dos principais agentes responsável pela atual configuração territorial do bairro, visto que três políticas públicas (a construção dos conjuntos habitacionais, o fomento e desenvolvimento do turismo e a legislação urbanística no uso e ocupação do solo) fomentaram novos usos do território, tornando este bairro um dos principais lugares de interesse de empresários do turismo e da construção civil, marcadamente, do circuito superior.
No interior desse processo de transformação socioespacial do bairro de Ponta Negra, observa-se que um número significativo de casas e terrenos deram lugar a estabelecimentos comerciais e de serviços, bem como condomínios residenciais, mudando a tipologia original
56 Antes da expressividade da atividade turística em Natal, as praias mais frequentadas da cidade eram aquelas mais próximas do Centro (Praia do Forte, praia dos Artistas, praia do Meio e Areia Preta.), além da praia da Redinha. Todavia, com a conclusão da Via Costeira e, posteriormente, a urbanização da praia de Ponta Negra, esta praia passou a ser o principal lugar de lazer da população local.
dos conjuntos habitacionais. Até a Vila de Ponta Negra, lugar onde ainda hoje se concentra a população de menor poder aquisitivo do bairro, vem passando por uma gradual valorização, a partir da compra de imóveis por turistas nacionais e estrangeiros e a construção de condomínios fechados e prédios verticais. Como destaca Pinheiro (2011, p. 89):
O mercado imobiliário nesse bairro passou a ser dinamizado cada vez mais através da exploração turística da paisagem natural da praia de Ponta Negra, que se tornou em um espaço propício para investimentos estrangeiros. Isto reordena constantemente o uso e a ocupação do solo devido ao chamado “turismo imobiliário”, ou de segundas residências que introduz novas formas de reprodução do capital neste lugar por meio de hotéis, pousadas, flats, casas e empreendimentos verticais, dentre outros.
O forte apelo paisagístico do bairro, o qual tem como principal cartão postal o Morro do Careca, vem atraindo paulatinamente muitas empresas do circuito superior ligadas ao turismo, como aquelas dos ramos da hotelaria, A&B (alimentos e bebidas), restaurantes e bares, locadoras de veículos, agências de viagem, boates e outras empresas prestadoras de serviços, como casas de câmbio etc. Destarte, Ponta Negra atrai desde uma população menos abastada que frequenta a praia, até a elite local e os turistas que usufruem dos equipamentos instalados e firmou-se também como o “point” da vida noturna de Natal. Desse modo,
A presença numa localidade de uma grande empresa global incide sobre a equação do emprego, a estrutura do consumo, o uso das infra-estruturas materiais e sociais, a composição dos orçamentos públicos, a estrutura do gasto público e o comportamento das outras empresas, sem falar na própria imagem do lugar e no impacto sobre os comportamentos individuais e coletivos, isto é, sobre a ética. (SANTOS, SILVEIRA, 2008, p. 293).
Os investimentos do PRODETUR/RN (década de 1990) atraíram vários investimentos para o bairro, consolidando a maior rede de hospedagem da cidade e, por conseguinte, do estado. Nota-se que os equipamentos hoteleiros (mapa 14) estão dispostos por toda a extensão da praia de Ponta Negra de acordo com sua tipologia. Nesse ínterim, ressaltamos que:
Cada empresa, cada ramo de atividade, produz uma lógica territorial cuja manifestação mais visível é uma topologia, isto é, esse conjunto de pontos e áreas de interesse para a operação da empresa que, certamente, ultrapassa a própria firma e se projeta sobre outros atores sociais. São os pontos essenciais ao exercício da atividade de um circuito superior, que revela sua capacidade de macro-organizar o território nacional. (SILVEIRA, 2009, p. 69).