4 Om studiegjennomføring for 199- kullet
4.2 Studentenes bevegelser fra 1994 til 1998: et komplisert mønster
Nos países da Europa, os socialistas utópicos foram os precursores do que Singer (2001) denominou de “cooperativismo revolucionário”, segundo o qual a busca ideológica se centrava no “máximo de autonomia comunitária possível, dentro de uma reestruturação da sociedade”. (BUBER, 1945, p. 27). No contexto de reestruturação produtiva do capitalismo de final do Século XX, a disseminação dos empreendimentos solidários tem se mostrado muito mais sólida do que na Inglaterra e nos Estados Unidos do século XIX, onde as múltiplas experiências com comunidades cooperativas criadas pelas forças sindicais foram sucumbidas pela forte reação dos patrões e oposição governamental.
Na base da reemergência dos empreendimentos cooperativos de finais do século XX confluíram dois fenômenos tidos como convergentes. O primeiro deles foi a criação de movimentos contraculturais em 1960, como os ecológicos, feministas e de minoria, que estavam desacreditados das proposituras do capitalismo e até do próprio socialismo de Estado existente na época. O segundo deles decorreu da reestruturação econômica, da crise do fordismo e da acumulação flexível. A respeito do aumento do cooperativismo em função dos problemas econômicos ocasionados pelas lacunas do capitalismo, Jacob Carlos Lima (2004, p. 48) afirma que:
A reestruturação econômica a partir de 1970, com o fechamento e o deslocamento de fábricas, o declínio de regiões industriais, a abertura e a internacionalização dos mercados, o colapso do socialismo de Estado, entre outros fatores que irão compor o que chamamos de globalização, provocou a retomada do cooperativismo como alternativa ao desemprego crescente, provocando o renascimento do interesse sobre
o tema e a multiplicação de empresas cooperativas, agora consideradas em um novo momento do desenvolvimento capitalista.
Ao passo que o neoliberalismo ascende juntamente com a economia pós-fordista, trazendo com ele o rastro de crise e instabilidade que gerou elevado desemprego, as experiências solidárias em cooperativas de produção, de trabalho e de recuperação de empresas surgem como resposta aos problemas gerados pelas práticas antissociais e nenhum pouco inclusivas do capitalismo. No entanto, o poder hegemônico desse sistema atua, como argumenta Gaiger (2001, p. 31), sob uma lógica em que, “à medida que avança, o capitalismo dissolve, submete ou mantém reclusas outras formas sociais de produção. Para essas, às vezes, a única saída é adotar a base material moderna, oferecida como mercadoria, e curvar-se ao capital comercial e financeiro”. A economia solidária sobrevive, portanto, sob a lógica das trocas de mercado e articulada, embora em continua tensão e embate, com a estrutura e ideologia capitalistas.
Seu cerne, no entanto, se encontra na cooperação e na solidariedade mútua entre os membros cooperados. Este cooperativismo é uma das principais características dada aos empreendimentos solidários, cuja proposta inicial tinha caráter revolucionário, assentada nos valores sindicais dos países industrializados. O exemplo clássico, conforme descreve Singer (2001, p. 45) é encontrado na ação dos trabalhadores que faziam parte dos movimentos de barganha em prol da melhoria das condições de trabalho e se opunham às demandas do patronato inglês. Estes eram colocados pelos seus patrões em uma espécie de lista negra, que lhes negava novas oportunidades de emprego e, como forma alternativa de subsistência, recorriam aos empreendimentos solidários. Mesmo não seguindo à risca a proposta inicial, mais especificamente em seu teor revolucionário, os valores do cooperativismo fundamentam as iniciativas de economia solidária no contexto recente. Singer (2002, p. 04) reitera o seu pensamento ao afirmar que as cooperativas surgem como:
[...] tentativas por parte de trabalhadores de recuperar trabalho e autonomia econômica, aproveitando as novas forças produtivas. Sua estruturação obedecia aos valores básicos do movimento operário de igualdade e democracia, sintetizados na ideologia do socialismo.
O empreendimento solidário difere da empresa de cunho essencialmente capitalista por defender a união entre a força de trabalho e a detenção dos meios de produção. Enquanto na empresa capitalista existe um poder de mando separado por níveis hierárquicos e a injeção de capital por parte dos investidores em prol da lucratividade sobre este capital
investido, na empresa solidária todos os trabalhadores possuem igual poder quanto às decisões organizacionais e ao capital a ser investido. (SINGER, 2000).
É notório que o sistema de produção capitalista, por suas próprias contradições, manifestas na desigualdade, na subordinação, na exclusão, ainda que se mostre imponente, não consegue impedir o desenvolvimento de outras formas de produção. Os empreendimentos solidários surgem em função das crises que permeiam o capital e com a intenção de organizar a produção por meios socialmente mais justos e mais democráticos. Mesmo não possuindo a hegemonia ideológica e objetiva do regime de acumulação capitalista, a economia solidária cria características peculiares a um regime social fortificado pela distribuição igualitária do poder de decisão, das estratégias organizacionais e da renda adquirida com o trabalho coletivo. Em suma, para que uma organização seja considerada economicamente solidária, faz-se necessária a aderência às práticas do cooperativismo e da autogestão, propriamente ditas. Além disso, o modo de produção social não se molda às perspectivas do capital, pois cria valores legais e institucionais específicos para o benefício do bem comum de todos os membros envolvidos neste processo.
Na América Latina como um todo, e no Brasil, mais especificamente, o fenômeno da economia solidária vem ganhando relevância face à histórica incapacidade da economia e dos Estados resolverem o problema estrutural da não inserção de vastos contingentes populacionais no mercado de trabalho regulado, base da constituição de direitos. A ampliação dos movimentos em defesa de reivindicações democráticas pela redução das desigualdades sociais e pela geração de oportunidades de emprego e de renda estão na base da emergência das iniciativas de empreendimentos solidários, sobretudo, pós década de 1990, quando também, asseverou-se o contexto de crise econômica.