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Avsluttende merknader: behov for en kvalitetsreform

Um primeiro contato com a cooperativa já foi efetivado pelo autor como experiência etnográfica, cujo produto foi apresentado em dois eventos acadêmicos da área. A estratégia de pesquisa utilizada neste estudo empírico foi de cunho etnográfico. A imersão do pesquisador no campo foi utilizada como suporte para a compreensão da dinâmica que permeia a organização da cooperativa. Para que esta compreensão fosse possível, foram

utilizadas duas técnicas características de pesquisas etnográficas: a observação não participante e o diário de campo. Todas as impressões foram coletadas por meio de uma série de vídeos que serviram como testemunho para a construção desta pesquisa. O estudo etnográfico na concepção de Godoy:

abrange a descrição dos eventos que ocorrem na vida de um grupo (com especial atenção para estruturas sociais e o comportamento dos indivíduos enquanto membros do grupo) e a interpretação do significado desses eventos para a cultura do grupo. (GODOY, 1995, p. 28).

Inicialmente, a etnografia foi utilizada como fonte de análise para investigação de comunidades e tribos não ocidentais. Não se estudavam organizações com base neste método. Todavia, a partir das décadas de 20 e 30, a Escola de Chicago inovou seus conceitos ao pesquisar qualitativamente os estudos sobre grupos de indivíduos. (DENZIN E LINCOLN, 2000). De acordo com Sousa Santos (1988, p. 22), muitos pesquisadores organizacionais não utilizavam a etnografia em seus escritos pelo fato de suas atribuições enquanto ciência adquirirem características de uma postura antipositivista e no ideário de uma tradição filosófica da fenomenologia.

O processo de cunho etnográfico deste estudo se deu em dois momentos. No primeiro deles, o pesquisador iniciou seus contatos via e-mail e telefone com Ana Virginia Rocha de Almeida Guimarães, uma das organizadoras do projeto inicial da cooperativa e atual responsável pela execução do projeto que promove o fortalecimento do associativismo e cooperativismo dos catadores de materiais recicláveis no Estado da Paraíba. Num destes contatos foi passado um release com a história da criação, práticas implementadas pela atual gestão e as perspectivas futuras da cooperativa. A Ana foi a mediadora responsável pelo contato direto do pesquisador com o grupo de cooperados da COTRAMARE.

Logo em seguida, o pesquisador fez o reconhecimento do campo de estudo em um evento promovido pelas entidades de financiamento, coordenação e execução do projeto CATAFORTE – Fortalecimento e Associativismo e Cooperativismo dos Catadores de Materiais Recicláveis. No dia 15 de outubro de 2011, no município de Cabedelo – região metropolitana da capital paraibana, João Pessoa, ocorreu o encerramento das atividades de formação e assistência técnica e diplomação de cerca de 200 catadores inscritos do Estado.

Antes do período da etnografia em si, foi realizada uma visita ao grupo de catadores na cooperativa de materiais recicláveis onde os mesmos atuam. O contato direto entre pesquisador e pesquisados possibilitou a criação de um vínculo inicial de diálogo e

confiança. Os membros da COTRAMARE aceitaram ser objeto de estudo e colaborar com a pesquisa de maneira muito amistosa. Sobre a reflexão gerada nestes contados, Andion e Serva (2006, p.154) defendem que “na etnografia, a reflexividade é realizada pela ida e volta constantes ao universo do eu (pesquisador) e do outro (pesquisado)” (2006, p. 154).

Entre os dias 19 e 29 de dezembro de 2011 foi realizado o segundo momento, a etnografia propriamente dita. O pesquisador imergiu no campo e se tornou um dos catadores de materiais recicláveis da COTRAMARE, cooperativa mais antiga no Estado da Paraíba. Os hábitos e costumes do trabalho de um catador durante este período foram sendo experimentados pelo pesquisador de maneira gradativa e contínua.

Os cooperados entenderam tão bem a proposta de estudo que não hesitaram em delegar atribuições comuns a todos já no primeiro dia de atividades do pesquisador. Foram coletados materiais recicláveis nas casas que possuíam o selo do “amigo do catador”, foram feitas a separação e prensa do material de acordo com a classificação (plástico, pet, ferro, alumínio, papel), dentre outras funções. Situações de descontração e conflito foram sutilmente acontecendo já durante as primeiras horas de contato direto. Com base nestas percepções Silva (2000, p. 66), constata que:

O empreendimento etnográfico se situa sempre além das possíveis limitações de métodos e técnicas de pesquisa, porque os antropólogos aprendem no campo que as anotações nos diários, as imagens “congeladas” nas fotografias ou “revividas” nas fitas de vídeo cassete e os registros que se disse, cantou ou rezou são frágeis fios de Ariadne que precariamente ajudam a não nos perdemos nos labirintos da cultura do outro, mas que em si mesmo pouco revelam sobre as experiências vividas nos caminhos percorridos nesse labirinto.

A experiência de cunho etnográfico foi fundamental para esta proposta de estudo, representando um avanço ao estabelecer encontros específicos, acontecimentos e compreensões de um determinando contexto. (TEDLOCK, 2000). Contexto este, que diz respeito a eventos que ocorrem na vida de um grupo, como consequências da ação dos indivíduos no interior desse grupo.

Outra técnica utilizada durante a etnografia foi a observação participante. Ou seja, o pesquisador foi até a cooperativa de materiais recicláveis e se tornou um dos catadores da COTRAMARE no período de 10 dias. Houve uma interação direta e constante durante o período de funcionamento da cooperativa nestes 10 dias da experiência. O pesquisador dialogava o tempo inteiro com os catadores, buscava meio que realizar o trabalho e discutia a respeito dos conflitos existentes no interior da organização. Esta experiência possibilitou ao pesquisador a apropriação da realidade vivida pelo grupo, sendo uma técnica que concede ao

pesquisador a aptidão para escrever e interpretar as práticas existentes neste grupo e no campo (TEN HAVE, 2004). O olhar com tom de observação permeou todo o processo etnográfico e confirmou as falas de Francis e Hester (2004, p. 26), ao defenderem que as “observações não são o fim da investigação, elas são o início para o que é chamado de ‘análise constitutiva’”.

A técnica que propõe o arquivamento das impressões obtidas durante a etnografia e que fecha o tripé dos instrumentos e coleta de dados deste estudo é o diário de campo. Num registro feito em vídeos, foram captadas em diversos momentos da experiência e ao final de cada dia as impressões que mais chamaram a atenção do pesquisador durante o processo, que é “essencial e constitui uma das características mais conhecidas do método antropológico”. (ANDION E SERVA, 2006, p. 163). Esta experiência de cunho etnográfico facilitou o acesso aos sujeitos da pesquisa.