6. Andre runde i designspiralen
6.1 Struktur og styrke
Em A Cauda Longa (Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2011), o autor Chris Anderson dedica sua atenção a um público que está nos nichos – trata-se dos usuários cujos focos de interesses diferem do que é considerado como produto cultural de sucessos.
Baseando-se nas estatísticas de vendas online de música de sites como Amazon e Itunes, o autor observou que, extinta a limitação física para o armazenamento de produtos culturais – o que resultou na maior oferta de variedade –, para cada produto disponibilizado, havia um número de vendas constante, ainda que pequeno, ao longo do tempo. Este número, se somado, corresponde a cerca de metade do volume das vendas totais – um valor significativo o bastante para que se demande atenção ao estudo destas relações de consumo e produção.
Esta situação, se representada graficamente, gera uma desenho conhecido como “cauda longa”, que “é o termo usado em estatística para uma curva cuja cauda (pontos próximos de zero, mas não nulos) é muito mais extensa que a cabeça (ápice)” (ANDERSON, 2006, p.15), sendo o ápice os poucos produtos com muitas vendas – chamados pelo autor de “hits” –, e a cauda, a soma dos muitos produtos com poucas vendas – ou os produtos de nicho. Um segundo ponto levantado pelo autor acerca das mudanças propiciadas pela venda online foi o agrupamento de produtos através de coleta e observação de dados de vendas efetivadas, o que levou à oferta de uma gama personalizada de outros produtos aos clientes. Desta forma, facilitou-se que as pessoas conhecessem itens que, numa loja física, não estariam associados ou sequer existiriam em estoque. “Se a indústria do entretenimento no século XX baseava-se em hits, a do século XXI se concentrará com a mesma intensidade em nichos.” (ibid., p.19). Trata-se, novamente, da lógica do sistema de marcação, oferecido por diversas plataformas sociais.
Estas duas questões podem ser aplicadas ao modo como se consome conteúdo na nova grande mídia. A conexão entre os blogs e blogueiros foi estimulada inicialmente através do RSS, do trackback e do permalink, e intensificada com o surgimento e incorporação de elementos sociais nos blogs e plataformas. Por se tratar de um sistema aberto, não há uma associação automática tal como o sistema de marcação através de hashtags, presente em grande parte das plataformas sociais, portanto as conexões feitas apresentam um alto grau de influência do blogueiro, o indivíduo que tanto produz quanto articula os conteúdos destinados à sua rede.
No YouTube, uma plataforma social fechada, as sugestões de conteúdos semelhantes relacionam-se tanto com o vídeo que se acabou de assistir quanto com o próprio histórico do usuário pela plataforma, caso se esteja conectado através de um perfil. A associação é feita pela própria plataforma, que sugere tanto conteúdos do mesmo produtor quanto de temáticas semelhantes, através da aproximação das palavras-chave inseridas pelo produtor de conteúdo, ao enviar vídeos para a plataforma.
Os YouTubers59, no entanto, com a popularização dos sites de redes sociais,
encontraram um outro caminho para a obtenção de novos públicos. É comum que estes comunicadores peçam às pessoas em rede – não necessariamente apenas aos blogueiros – que, caso tenham gostado do conteúdo assistido, compartilhem o link do vídeo em seus diversos perfis. Desta forma, várias outras pessoas com gostos parecidos tomarão contato com aquele produto.
A lógica da recomendação, tanto nestas plataformas sociais da nova grande mídia quanto em sites voltados para a venda de conteúdo, é a mesma, mas na primeira situação, é marcada ainda pela forte presença de um indivíduo (‘seu amigo assistiu a este vídeo’ e não ‘quem assistiu a este vídeo, assistiu também’), gerando mais um ponto de partida para a conversa e reforçando a questão da autoria, tão relevante neste momento da comunicação.
O Instagram, por sua vez, passou a apresentar sugestões de perfis semelhantes aos que se opta por seguir, tornando a sessão “explorar” personalizada de acordo com a atividade dos usuários60. Anteriormente, era mostrado apenas o conteúdo popular de contas também
populares (ou o material correspondente ao volume dos “hits”, na lógica da cauda longa). O novo sistema baseia-se no conteúdo pelo qual o usuário se interessa, coletado através das
hashtags presentes tanto nas próprias postagens quanto nas das quais se gostou, para
apresentar sugestões de imagens semelhantes.
Mesmo após comprado pelo Facebook, o aplicativo manteve seu design inicial, sem ter sido englobado pela plataforma61. É possível conectar os perfis do aplicativo e do site
59 Da mesma forma que comunicadores que possuem blogs são conhecidos como 'bloggers', ou 'blogueiros', pessoas que produzem conteúdo em vídeo e o compartilham através do YouTube são chamados YouTubers. O primeiro termo cunhado para descrever este produtor foi 'vlogger', também traduzido para 'vlogueiro'. Com a diversificação dos conteúdos disponibilizados em vídeo, entender todos os comunicadores presentes no YouTube como produtores de vlogs tornou-se reducionista, o que popularizou o termo 'YouTuber'. 60 Cf. <http :// www . techtudo . com . br / noticias / noticia /2014/04/ instagram - muda - aba - explorar - e - passa - mostrar -
conteudo - personalizado . html>. Acesso em: 16/07/2015.
61 Em março de 2016, o Instagram alterou o modo como apresenta o feed de imagens de cada usuário, passando de sua tradicional ordem cronológica para uma filtragem através de um algorítimo próprio –
de rede social, replicando o conteúdo daquele neste e recebendo notificações quando os amigos do site criam perfis no aplicativo. A marcação de amigos em imagens que possam interessá-los – não apenas em fotos nas quais eles aparecem, como ocorre no Facebook – é uma prática comum, associando também atores humanos à ação do sistema na questão da recomendação.
Através da questão da cauda longa, é possível observar a possibilidade de pulverização de assuntos: embora haja alguns temas, produtores de conteúdo e produções sobre as quais uma imensa quantidade de pessoas terá interesse, representando o ápice do gráfico da cauda longa, existe uma quantidade imensa de outros temas, produtores de conteúdo e produções que, se somados, terão uma atenção equivalente aos de maior sucesso, algo que pode viabilizar novos modelos de negócio.
E se houvesse quatrocentos programas de rádio do tipo Top 40s, um para cada pequeno nicho musical? De repente, o conceito de hit é substituído pelo de micro-hit. Em lugar da estrela solitária, surge um enxame de microestrelas, e um número minúsculo de elites de mercados de massa converte-se em número ilimitado de demi-elites ou quase-elites. A quantidade de "hits" se multiplica, cada um com um público menor, porém, supostamente, mais engajado. (ANDERSON, 2006, p. 34)
Embora não seja o único fator de mudança, as transformações tecnológicas têm um papel relevante no modo como se consome cultura: em tempos de convergência, elas trabalham operando no rompimento de limitações.
Quando, exceto por companhias teatrais e livros itinerantes, as trocas culturais entre regiões geograficamente distantes eram inviáveis, houve um primeiro momento de nichos. A integração destas pequenas redes, com transportes mais eficientes, avançou com a era da reprodutibilidade técnica – a imprensa, seguida pelo cinema e, posteriormente, pela televisão, fizeram com que mais pessoas acessassem mais conteúdos que não fossem necessariamente locais. (ANDERSON, 2006).
A internet agiu da mesma maneira: assim como ampliou a oferta de músicas graças à imaterialidade – um grande estoque já não ocupa um grande espaço –, também possibilitou que o número máximo de horas de material audiovisual transmissível pelos canais
até então, havia apenas a filtragem através de algorítimos explicitada no texto. Em maio do mesmo ano, um redesign foi feito no logotipo e em algumas funcionalidades da plataforma, que ainda se mantém independente do Facebook. Cf: <http://blog.instagram.com/post/144198429587/160511-a-new-look>. Acesso em: 15 mai. 2016.
de televisão não fosse mais um fator limitante.
Segundo estatísticas do próprio YouTube, no ano de 2015, eram armazenadas 300 horas de conteúdo audiovisual a cada minuto. Desta forma, emergiram, paralelamente aos grandes sucessos e aos grandes públicos, uma grande diversidade de produtos audiovisuais de nicho, consumidos por indivíduos e suas pequenas redes, que puderam se formar estimuladas pelos sistemas de marcação de plataformas sociais, através dos grupos no Facebook e da articulação de redes propiciada pelos blogueiros, comunicadores centrais da nova mídia.
Pode-se concluir que a nova grande mídia não se caracteriza exatamente por um modelo de transmissão ‘de muitos para muitos’ (SHIRKY, 2012, p. 76), e sim ‘de muitos para poucos’. Embora, em teoria, todo o material produzido para e disponibilizado na internet disponha do mesmo potencial para ser assistido por ‘muitos’, o modelo pode garantir apenas que os ‘poucos’, encontrados nos nichos, o consumam.
Uma série de análises de questões referentes a como os comunicadores da nova mídia realizam e distribuem seu conteúdo audiovisual em rede se fazem necessárias para que se possa obter um panorama dos fatores que tornam alguns dos ‘muitos’ bloggers, YouTubers ou Instagrammers relevantes para ‘muitos’ usuários.
A primeira delas diz respeito a como se deu a formação da nova grande mídia e das novas audiências num contexto digital e social, tratada neste primeiro capítulo através da análise da conversação em rede – seu histórico, suas limitações e o fim de alguns sites de redes sociais –, e de uma série de implementações nos sistemas e plataformas amplamente utilizados para a comunicação via internet – os blogs e os sites de redes sociais, constituintes dos novos canais de comunicação.
Este estudo da conversa em rede, dos blogs e dos sites de redes sociais culminou na análise da formação do individualismo em rede e do agrupamento temático, tanto de conteúdos quanto de usuários – os novos comunicadores. Este modelo social e os agrupamentos refletiram tanto no modo como as audiências, agora de nicho, passaram a consumir material audiovisual, quanto no modo como estes novos comunicadores produzem e distribuem seus produtos audiovisuais pelas muitas plataformas sociais disponíveis, serializando tanto os conteúdos quanto a si mesmos.