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Struktur nr. 1. Den strukturelle rammen

Esta seção não visa à busca por compreensão sistemática de interação pelo aluno no ensino-aprendizagem de língua, mas analisar o que o outro (o aluno) tem a dizer a respeito desse processo fundamental ao ensino comunicativo. Nessa posição de escuta, ouvir o que o sujeito aluno tem a dizer é levar em consideração seu papel imprescindível na constituição do “ser” professor, do sujeito-professor que atua em sala de aula.

Partindo desse pressuposto, apresentamos as repostas dos alunos do Básico 1 referentes à interação construída na sala de aula.

Alunos Básico 1 Em sua opinião, o que seria interação no contexto da sala de aula?

As aulas que frequentou foram interativas, por quê?

A1 Em minha opinião uma interação é um diálogo entre professor e aluno sobre dúvidas da aula.

Eu axo que si porque os professores falam para nós e elas fizeram que nós falemos com elas.

A2 A interação no contexto da sala de aula é um processo no qual os estudantes participam ativamente durante as aulas

As aulas foram interativas com uma participação normal dos estudantes tendo na conta do que é nível básico 1.

A3 Formas de participação entre as pessoas que estão num lugar, onde se interage e compartilha um (incompreensível) de conhecimento entre os participantes.

O aprendizado foi recíproco, tanto de professores para alunos e inversamente.

A4 A relação professional dos professores e estudantes para atingir um objetivo común.

Sim foram mas precizaram de mais participação da parte dos estudantes. Os professores tentaram fazer com que a gente falirá um pouco mais para corrigir, a empatia com os estudantes foi boa.

A5 Interação seria onde todos os estudantes falam sobre um tema específico e intercambian conceptos e vivencias em la lengua portuguesa.

Sim porque todos os estudantes falaban entre si e com os professores. Ademas, se trabalharom canciones, vídeos e filmes sobre os cuales debiamos dar nossa opinião.

Alunos Básico 2

A1 Sobre os temas que traz o professor, é a fala entre ele e o estudante, suas opiniões, sua linguagem oral, escrita e corporal.

Sim, muito! Falamos, escrevemos, escutamos temas variados. P1B2 fazia a correção de nossos erros, foi divertido o processo de aprendizagem.

A2 Eu acho que a interação é aclarar as dúvidas dos estudantes e tentar fazer a participação de todos os assistentes.

Foram, sim. Porque as duas professoras tentavam aclarar as dúvidas que nós tínhamos, fazendo exercícios em aulas... Avaliando conjugação de verbos e palavras da lingua portuguesa.

A3 O conceito de interação refere as

conversações entre os

estudantes e os professores. Deve ser boa para o benefício da aprendizagem do aluno.

As aulas foram muito interativas. Eu consegui falar muito com meus colegas do curso e com as professoras. Eu acho que as atividades desenvolvidas nas aulas foram muito boas para a aprendizagem da língua. As interações entre os alunos permitiou a pratica do português. Fig.30. Interação na perspectiva do aluno

De acordo com as respostas dos alunos, percebemos posições variadas em relação à compreensão acerca de interação. Concebida de uma maneira mais prática, a interação para alguns desses alunos é um diálogo, uma fala entre ele e o estudante, conversações, participação, para aclarar as dúvidas. O sentido “prático” mencionado anteriormente está relacionado com a ação de comunicação entre o professor e o aluno.

A interação concebida de modo mais reflexivo pode ser vista nas respostas como: um processo ou em que se intercambian conceptos e vivencias em la lengua portuguesa. Diferentemente das respostas anteriores, que focavam a interação como ação de comunicar-se com o outro, essas últimas evidenciam uma noção de que não só há um diálogo, mas também uma troca de conceitos e de vivências. Implicitamente, podemos inferir que a interação para esses alunos está um pouco além de esclarecimento de dúvidas e que o termo “troca” pressupõe que o professor também tem de compartilhar suas vivências. Inconscientemente ou não, essas concepções estão a caminho de considerar o outro nesse processo de interação: não um outro que apenas emite ou recebe uma informação, mas que compartilha vivências.

De forma mais clara em relação a esse “caminho”, a resposta de um deles, no que se refere à interação construída ou não em sala, apontou que o aprendizado foi recíproco, tanto de professores para alunos e inversamente. Nessa resposta podemos encontrar explicitamente que não só o aluno aprende, mas o professor também. Essa relação recíproca nos permite inferir que o aluno não se coloca em posição de quem não tem algo para “ensinar” e não concebe o professor como o único que possui conhecimento. Nesse ponto, constatamos uma discrepância entre o que foi observado em sala de aula, segundo a perspectiva do pesquisador, e as ações dos professores em formação no tocante à interação. De acordo com a análise, as ações dos professores do curso Básico 1 (ao qual pertence o aluno) incidiram consequências possíveis de serem previstas, pois repetiam, quase ritualisticamente, apresentação do tema gramatical por meio de material autêntico, prática desse tema em atividades e correção. Não havia

negociação de significados e a abordagem aparente dos professores se aproximava da estrutural: o professor transmite o conhecimento para o aluno, segundo a fala de P1B1, o professor ensina e o aluno aprende. Inferimos que essa discrepância esteja relacionada à cultura de aprendizagem desse aluno, de seus interesses e necessidades específicos que o motivaram a aprender a língua portuguesa. Mesmo que nas aulas desse curso não tenha ocorrido interação no sentido de negociação de sentidos, para esse aluno, a aprendizagem foi recíproca.

Durante a pesquisa, foi percebido entre os professores dos cursos que alguns relacionavam interação com diversão, estabelecendo relação quase sinonímica entre ambos os termos. Essas evidências não ocorreram durante a aula, mas fora da sala, e, por isso, não aparecem nas transcrições. Em conversas paralelas, sem caráter de entrevista, sobre o tema do pesquisador, alguns pontuavam que suas aulas tinham interação, porque eram divertidas, os alunos riam bastante. Embora não se tenha o registro dessas conversas, de certo modo, esse caráter de descontração apareceu nas respostas de alguns desses professores e de um aluno.

P1B1 - Através de algumas brincadeiras, eles se soltavam e participavam mais (...) P1B2 - (...) as aulas eram descontraídas (...)

A1 / B2 – (...) foi divertido o processo de aprendizagem (...).

A partir dessa análise de perspectivas dos professores em formação, dos alunos e do pesquisador acerca de interação, foi possível construirmos compreensão sobre o que se esperava encontrar em sala de aula (referente aos aportes teóricos que fundamentaram a análise) no ponto de vista do pesquisador, o que foi encontrado (de acordo com a análise das interações construídas pelos professores), o que os professores construíram segundo suas percepções sobre interação e o que os alunos experienciaram na prática no tocante a esse processo. Dessa forma, compomos a análise de interação sob três perspectivas: pesquisador, professor e alunos.

Segundo os aportes teóricos escolhidos para embasar a investigação, a expectativa do pesquisador no que se refere à interação em sala de aula, era observar uma interação como processo de construção/negociação de significados (premissa altamente relevante ao ensino comunicativo) em que os sujeitos envolvidos concebessem um ao outro como fundamentais para constituição do “ser” professor e do “ser” aluno (sujeito só se constitui como sujeito na interação, pressuposto dos estudos bakhtinianos).

Em relação ao que foi observado, no curso Básico 1, temos participações relevantes para aquisição da língua-alvo sem alcance de interação como processo de construção de significados. Nesse sentido, as ações dos professores desse curso desencadearam consequências possíveis de serem previstas já que suas atitudes seguiam uma rotina de eventos com o uso de materiais autênticos com propósitos estruturais. Evidenciamos que as interações estavam entre as explicitadoras e explicitadoras disfarçadas de comunicação. No curso Básico 2, foi constatado que houve momentos de negociação de sentidos, pois os professores criaram oportunidades para que os alunos pudessem “olhar” a cultura do outro e serem “olhados” por meio de materiais autêntico que funcionaram como elementos provocadores para a interação. Constatamos que as interações estavam entre a explicitadora disfarçada de comunicação e as implicitadoras em ambientes comunicativos.

Em relação ao que os alunos experienciaram em sala de aula, as interações foram significativas para eles, pois todos expressaram que houve interação seja em forma de diálogo, de comunicação, de esclarecimento de dúvidas, de compartilhar vivências entre outros. Na perspectiva deles, esse processo se concretizou.

Sala de aula Significados Perspectiva do Aluno Perspectiva do Professor Interação

A análise nos leva a inferir que a concepção acerca do termo interação, de fato corresponde ao que Barbirato (2009:97) pontua como complexa e multifacetada. As perspectivas de P1B1 e P2B1 estão próximas da compreensão de interação como sinônimo de comunicação e/ou de participação. P1B2 é o único que se aproxima da concepção de interação como negociação de sentidos. Levando em consideração a análise dessas respostas, reconhecemos a relevância de discutir tais termos na área de ensino-aprendizagem de português língua estrangeira com o intuito de provocarmos reflexão acerca do tipo de interação que estamos construindo em sala de aula.

Tomando conhecimento dos tipos de interação construídos nos cursos analisados e das perspectivas dos professores e dos alunos em relação a esse processo, passamos para a discussão e reflexão sobre os significados produzidos nessas interações.