O primeiro centenário do presbiterianismo no Brasil foi um período de grande entusiasmo na IPB. Segundo Matos (2011, p.209,210):
A igreja aperfeiçoou sua estrutura administrativa, criando organismos voltados para missões nacionais e estrangeiras, trabalho feminino, mocidade e literatura [...] Em 1959, ao se realizarem as solenidades comemorativas do centenário da chegada de Simonton, a IPB tinha seis Sínodos, pouco mais de 40 presbitérios, 90 mil membros comungantes e 70 mil não comungantes.
“A campanha do centenário foi lançada em 1946 tendo como objetivos: avivamento espiritual, expansão numérica, consolidação das instituições da igreja, afirmação da fé reformada e homenagem aos pioneiros. A Comissão Central do Centenário, organizada em 1948, enfrentou muitas dificuldades. Após 1950, a campanha ganhou ímpeto. [...] A 18ª Assembleia da Aliança Presbiteriana Mundial reuniu-se em São Paulo de 27 de julho a 6 de agosto de 1959. O lema do centenário foi: “Um ano de gratidão por um século de bênçãos”.40
A partir de 1940 a IPB passou por um período de abertura teológica, isso devido ao surgimento de personalidades com perspectivas teológicas progressivas. Dentre esses, destacam-se missionários estrangeiros que, chegando ao Brasil, passaram a lecionar no Seminário do Sul, influenciando muitos jovens estudantes e a liderança da juventude presbiteriana.
Nos anos 60 o Brasil passou por um período de agitação politica e social, com o surgimento de ideias socialistas e do Regime Militar. As preocupações também se tornaram importantes na IPB, sendo que, em 1962 o Supremo Concílio aprovou um pronunciamento sobre os problemas políticos e sociais, dirigido à igreja e ao povo brasileiro41. As preocupações de algumas alas da IPB recaíam principalmente sobre
a Confederação Nacional da Mocidade e do Seminário de Campinas, pois já há alguns anos, os líderes dos jovens vinham externando ideias teológicas ousadas e
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Fonte: MATOS, Alderi Souza de. Histórico da Igreja Presbiteriana do Brasil. Disponível em http://www.mackenzie.com.br/7102.html
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Fonte: Digesto das decisões do Supremo Concílio da IPB e de sua Comissão Executiva período: 1961 – 1970. SC-62-200. Disponível em http://www.ipdoredentor.org/downloads/digestodaipb1961-1970.pdf
críticas aos líderes da denominação. Diante disso, no Sínodo de 1966 em que foi eleito o Rev. Boanerges Ribeiro (1919-2003), houve uma vitória da posição conservadora da igreja marcando assim, o início de um novo período nos rumos da IPB e coincidentemente do país. Acerca do Rev. Ribeiro e desse período, Matos (2011, p.211) comenta:
“Dada a grande ascendência deste personagem na vida da igreja durante três mandatos sucessivos (1966-1978), este período está muito ligado ao seu nome e às suas iniciativas. A nova orientação se traduziu numa série de ações corretivas que resultaram em medidas disciplinares contra igrejas, concílios e ministros. A preocupação em manter a herança calvinista clássica e a ortodoxia doutrinária resultou numa luta contínua e intensa contra três tendências consideradas prejudiciais à igreja: o liberalismo teológico, as práticas ecumênicas e o envolvimento político-social”.
Contrapondo a essa perspectiva histórica, João Dias de Araújo (2010, p.15) comenta:
No ano de 1954 inaugura-se uma época de profunda crise política no Brasil, com o suicídio inesperado do presidente Getúlio Vargas. Nesse mesmo ano, a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) resolve ser mais rígida e menos democrática. [...] O movimento ‘fundamentalista’ penetra nos arraiais presbiterianos e cria, pela primeira vez na história do cristianismo brasileiro, uma equipe de ‘caçadores de heresias’.
O que Matos chama de “medidas disciplinares contra igrejas, concílios e ministros”, Araújo chama de “inquisição sem fogueiras”, pois, segundo o autor, nesse período órgãos internos da igreja são dissolvidos, jornais são interditados e proibidos de circular, ministros são expulsos e seminários são fechados. Medidas tidas pela IPB, como necessárias para combater ideias e tendências julgadas como prejudiciais à igreja.
Outro problema que preocupou a IPB nesse período foi o avanço do movimento carismático dentro da igreja. Em 1968 foi organizada a Igreja Cristã Presbiteriana na cidade de Cianorte (PR). Quatro anos depois, um grupo semelhante deixou a IPI formando a Igreja Presbiteriana Independente Renovada. Em 1975 esses dois grupos se uniram formando a Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil (IPRB) como fruto do avivamento que se instaurou no meio presbiteriano brasileiro. “Esse
avivamento caracterizou-se por um intenso desejo de conhecer mais a Palavra de Deus, por uma ênfase ao estudo da doutrina do Espírito Santo e por uma vontade de consagrar-se mais a Jesus, por meio da prática da vida de oração, da pregação ardorosa do Evangelho e da separação dos costumes mundanos”.42
As últimas décadas do século XX testemunharam o crescimento da Junta de Missões Nacionais que abriu trabalhos na Amazônia e em outras regiões do Brasil. Após atuar por muitos anos em Portugal, a igreja envia missionários para países vizinhos como Argentina, Chile, Venezuela, Paraguai e Bolívia.
Outros fatores importantes que marcaram esse período foram: o fim da atuação no Brasil das antigas missões presbiterianas americanas (presentes no país a mais de um século); a criação de extensões do Seminário do Sul em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia que mais tarde tornaram-se seminários autônomos; a tentativa de reaproximação com a IPI e com a Presbyterian Church (PCUSA), bem como, o diálogo com muitas igrejas reformadas ao redor do mundo; a criação do Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper (CPAJ) que é uma instituição com nítida orientação reformada, destinada ao treinamento de professores e pastores da igreja; a inauguração de um portal na Internet; a criação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie da Escola Superior de Teologia e a criação de órgãos como o Plano Missionário Cooperativo, a Rede Presbiteriana de Comunicações, a Agência Presbiteriana de Missões Transculturais e a Associação Nacional de Escolas Presbiterianas.
Na última década do século XX, a IPB passou por mudanças em sua estrutura administrativa implantando um sistema de planejamento estratégico intitulado “Planejando para o Ano 2000”. O texto possuía os seguintes itens: visão, missão, alcance, valores e princípios, análise do ambiente, estratégias, metas e desafios. Dessa forma, pudemos destacar algumas das inúmeras realizações da IPB nesse período, sem deixar de enfatizar o retorno a uma linha teológica mais tradicional, a busca da evangelização e a ênfase nas áreas educacional e social. Fechando a apresentação histórica, demonstraremos a seguir a IPB nos dias de hoje.
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Fonte: IPRB: uma igreja fruto do avivamento. Disponível em http://www.iprb.org.br/historia/iprb/iprb_historia.htm. Acesso em 11 dez.2015.