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4.5.1 Variável experimental (MODIFIED)

Os relatórios de auditoria, no caso específico do Brasil e Argentina, classificam-se de acordo as Normas Internacionais de Auditoria (NIA), uma vez que esses países harmonizaram as suas normas. Entretanto, a auditoria na Colômbia está em processo de harmonização.

Segundo as Normas Internacionais de Auditoria os relatórios de auditoria, em essência, se dividem em: (i) relatórios não modificados (relatórios sem ressalva) e (ii) modificados (que inclui os relatórios com ressalva, relatório adverso, e relatórios com abstenção de opinião). Especificamente, de acordo à NIA 705 “Modificações na Opinião do Auditor Independente”, os relatórios modificados são definidos nos seguintes casos (IFAC, 2010):

Opinião com ressalva: o auditor deve expressar uma opinião com ressalva quando:

(a) O auditor, tendo obtido evidência de auditoria apropriada e suficiente, conclui que as distorções, individualmente ou em conjunto, são relevantes, mas não generalizadas nas demonstrações contábeis; ou

(b) O auditor não consegue obter evidência apropriada e suficiente de auditoria para apoiar sua opinião, mas ele conclui que os possíveis efeitos de distorções não-detectadas, se houver, sobre as demonstrações contábeis poderiam ser relevantes, mas não generalizados.

Opinião adversa: O auditor deve expressar uma opinião adversa quando, tendo obtido evidência de

auditoria apropriada e suficiente, conclui que as distorções, individualmente ou em conjunto, são relevantes e generalizadas para as demonstrações contábeis.

Abstenção de opinião: O auditor deve se abster de expressar uma opinião quando não consegue obter

evidência de auditoria apropriada e suficiente para suportar sua opinião e conclui que os possíveis efeitos de distorções não detectadas, se houver, sobre as demonstrações contábeis poderiam ser relevantes e generalizadas.”

No caso da Colômbia, de acordo com o pronunciamento Nº 6 do Consejo Técnico de la

Contaduría Publica, em Normas relativas a la redición de informes sobre estados Financieros, define quatro tipos de relatórios segundo a opinião do auditor, a saber:

a) Limpo ou sem ressalva

b) Com exceções ou com ressalva c) Negativo ou opinião adversa

d) Negação da opinião ou abstenção de opinião

Do anterior, evidencia-se que os relatórios de auditoria na Colômbia são quase iguais aos expressos pela NIA, apesar de não estarem harmonizados com as normas internacionais. Nesse sentido, na presente pesquisa os relatórios de auditoria emitidos na Colômbia também foram considerados como: (i) relatórios não modificados (relatórios limpos ou sem ressalva) e (ii) modificados (relatórios com exceções, relatório negativo e relatórios com abstenção de opinião).

A classificação aqui adotada define a variável dummy experimental (MODIFIED) do modelo de regressão linear multivariável; assim, relatórios de auditoria modificados representam

MODIFIED = 1 e relatórios não-modificados são representados mediante MODIFIED = 0.

4.5.2 Variáveis de controle

Estudos desenvolvidos em economias diferentes dos países em estudo (AMEEN et al., 1994; CHOI & JETER, 1992; MARTINEZ et al., 2004; SOLTANI, 2000) utilizam diversas variáveis que aumentam o poder de teste do modelo de regressão. Esse poder de teste é incrementado através das variáveis de controle, as quais, como o seu nome indica, permitem controlar os efeitos prévios e concorrentes de divulgações acerca do mercado acionário e permitem controlar a expectativa prévia do mercado em relação à opinião do auditor. O impacto desses aspectos é capturado neste trabalho através das seguintes variáveis de controle: lucros líquidos, alavancagem financeira, total de ativos e lucros por ação.

4.5.2.1 Lucros Inesperados (ΔEPS)

Algumas pesquisas constataram que a divulgação dos lucros contábeis impacta os preços das ações; especificamente,em estudos desenvolvidos por Chow & Rice (1982) e Elliot (1982) demonstrou-se que os relatórios de auditoria e os lucros não são variáveis independentes. Adicionalmente, Ball (1978) lista numerosos estudos que mostram que retornos anormais aparecem nas datas próximas de anúncios de lucros, e Haw et al. (2000) observaram uma significativa reação do mercado acionário ao anúncio dos lucros anuais. Além disso, a maioria das companhias divulga seus relatórios de auditoria simultaneamente ao anúncio das demonstrações contábeis (DODD et al.,1984; DOPUCH et al., 1986). Nesse sentido, se não houver um esforço para isolar o efeito da divulgação dos lucros, o impacto da informação dos relatórios de auditoria no mercado acionário poderia ser atribuível mais ao anúncio dos lucros que ao anúncio dos mesmos relatórios de auditoria. Portanto, os retornos anormais, na data da divulgação dos relatórios de auditoria, deveriam ser associados com as mudanças dos lucros esperados (BALL & BROWN, 1968) e, como afirma Craswell (1985), deve-se dar consideração tanto ao signo quanto à magnitude da mudança nos lucros, uma vez que os relatórios de auditoria e os lucros não são independentes.

Adicionalmente, Dopuch et al. (1986) reconheceram a importância das expectativas dos investidores em relação aos relatórios de auditoria e sugeriram que informação disponível previamente pode frequentemente ser utilizada para predizer se um relatório em particular conterá uma ressalva. Por exemplo, Chan & Walter (1996) compararam dados financeiros de múltiplos períodos para dois grupos de companhias que receberam relatórios de auditoria com ou sem ressalva, descobrindo que as companhias que receberam relatórios com ressalva foram significativamente menos lucrativas e têm mais dividas que aquelas sem ressalva num ano específico. Além disso, Fleak & Wilson (1994) classificaram os relatórios de auditoria com ressalva segundo os problemas financeiros das empresas de capital aberto. Eles encontraram forte evidência de uma associação negativa entre os retornos anormais com os relatórios onde a ressalva está relacionada com o conceito de continuidade ou de empresa em continuidade (going concern).

O anterior é importante neste estudo, já que nos países analisados os relatórios de auditoria são divulgados em conjunto com as demonstrações contábeis. Consequentemente, a variável

lucro deve ser empregada para o controle dos efeitos no mercado acionário de novos anúncios de lucros, assumindo que está associada positivamente com os retornos anormais.

Brown et al. (1987) e Bamber (1987) definem os lucros como a diferença entre o lucro normalizado real e o lucro esperado. Contudo, o prognóstico dos especialistas acerca dos lucros esperados por empresa não está completamente disponível nos contextos brasileiro, colombiano e argentino; assim, é utilizado um modelo onde os lucros esperados do ano j são igualados aos lucros do ano j-1. Consequentemente, os lucros inesperados por ação da companhia i no ano j (ΔEPSi,j) são calculados como segue:

(

)

1 , 1 , , , − − − = Δ j i j i j i j i EPS EPS EPS EPS (4.10) onde: j i EPS,

Δ Corresponde aos lucros reais por ação do ano atual (ano em consideração);

1 , −

ΔEPSij Corresponde aos lucros por ação do último ano (lucro esperado).

4.5.2.2 Estado Financeiro (variáveis LOSS, ALAV e ln TA)

Os relatórios de auditoria estão usualmente relacionados com os resultados apresentados nas demonstrações contábeis (CHEN et al., 2000). Em particular, as companhias que recebem relatórios de auditoria modificados possuem maiores dívidas e são menos lucrativas que as companhias com relatórios sem ressalva (CHAN & WALTER, 1996). Adicionalmente, numerosos estudos (BANZ, 1981; BHARDWAJ & BROOKS, 1993; REINGANUM, 1981 e 1992) têm mostrado que os retornos podem ser em função do tamanho das companhias e que as companhias de menor tamanho são mais susceptíveis a receber relatórios de auditoria modificados. Por conseguinte, variáveis especificas que controlam os ganhos ou perdas (LOSS), o tamanho da companhia (ln TA) e o alavancagem financeira (ALAV) são incluídos no modelo de regressão linear multivariável para diferenciar os efeitos do relatório de auditoria dos efeitos da informação contida nas demonstrações contábeis.

Especificamente, a variável dummy de controle LOSS é igual a um (LOSS = 1) quando a empresa anuncia lucros negativos e é igual a zero (LOSS = 0) quando são anunciados lucros positivos.

Já em relação ao tamanho das companhias, a sua mensuração pode adotar diferentes técnicas, entre as principais (DHAWAN, 1999): (i) o número de empregados e (ii) o valor e/ou número de ativos da companhia. No primeiro caso, e no âmbito brasileiro, Kruglianskas (1996) (citado por SABINO (2001)) considera como:

“[...] pequenas as empresas com menos de 100 funcionários (incluídas as micro-empresas com menos de 20 empregados), como empresas medianas àquelas com mais de 100 e menos de 500 empregados e grandes com mais de 500 empregados”.

Contudo, a literatura especializada também define o tamanho das companhias pelo valor e/ou número contábil dos ativos da empresa, o que implica que as grandes companhias possuem uma forte vantagem econômica sobre as pequenas e possuem maior poder de mercado. Neste trabalho, opta-se por esta última classificação, uma vez que corresponde a uma informação de fácil aquisição nas bases de dados; assim, o tamanho das empresas analisadas é medido pelo total de ativos que são evidenciados nas demonstrações contábeis anuais, sendo que os valores são normalizados através do logaritmo natural do total de ativos (variável ln TA).

Por último, o modelo de regressão inclui a variável alavancagem financeira (ALAV), a qual é uma variável quantitativa que representa o índice de alavancagem financeira das empresas em estudo. Os dados foram obtidos da base de dados economatica que calcula a alavancagem financeira da seguinte maneira:

d) - (a c b a× (4.11)

total; c corresponde ao patrimônio quido e, finalmente, o termo d é o resultado financeiro.

Onde o termo a corresponde ao lucro líquido; b ao ativo