4.2 Security in the European context
4.2.1 The Common Foreign and Security Policy
A informação relacionada à base amostral da Colômbia é resumida nas Tabelas B.13 a B.18 do Apêndice B. Nesses quadros não se apresenta a informação do ano 2000, uma vez que, como já comentado, a BVC começou suas atividades a partir do ano 2001; adicionalmente, no ano 2003 não se reporta nenhum dado, já que, após a filtragem descrita no capítulo 4, nenhuma empresa classificou nesse ano. No total, foram considerados 51 dados nos sete anos em estudo (desde o ano 2001 até o ano 2007), o que representa a menor base amostral dos países analisados, com uma média de aproximadamente sete dados por ano.
Uma primeira conclusão que se pode obter ao analisar os dados colombianos consiste em que, em geral, as cifras da Colômbia são muito menores que as dos outros dois países em estudo. Especificamente, a média da variável CAR na Colômbia (-0008e-3) é de três ordens de grandeza menor que no Brasil (0,0054) e na Argentina (0,0017), vide o Apêndice B. Além disso, na Colômbia, o retornos anormais acumulados são negativos durante o período de estudo de 2001-2007, ao contrário dos outros dois países. Igualmente, na Colômbia a média
dos lucros inesperados (-0,0642) é de uma ordem de grandeza menor em relação ao valor médio da variável ΔEPS no Brasil (0,1065) e na Argentina (-4,160). Contudo, o índice de
alavancagem financeira é superior que nos outros países, sendo que o valor médio da variável
ALAV, desde o ano 2001 até o ano 2007, é de 5,24. Na Argentina e no Brasil esse valor é de
3,97 e 1,97, respectivamente.
É interessante observar que, na Colômbia, os anos 2001 e 2002 apresentam os valores médios mais altos na média dos retornos anormais acumulados e dos lucros inesperados. Em particular, nesses anos, as variáveis CAR e ΔEPS apresentam valores positivos e superiores
que nos outros anos. Esse fato pode ser explicado pela euforia e entusiasmo inicial, produto da integração das bolsas de valores de Bogotá, Medellín e Occidente, que deu origem à BVC no ano 2001, o que levou a grandes ganhos inesperados nas empresas que negociaram seus títulos nesse mercado acionário. Adicionalmente, a “inércia” desse entusiasmo inicial pode ser o motivo pelo qual a BVC foi considerada no ano 2005 como a terceira bolsa de valores de maior rentabilidade em nível mundial (PORTAFOLIO, 2006) e, igualmente, pode explicar o porquê de a Colômbia apresentar a média da variável ALAV mais alta dentre todos os países em estudo.
Em relação às variáveis dummy do modelo de regressão, variáveis MODIFIED e LOSS, observa-se que na Colômbia somente oito casos apresentam relatórios de auditoria modificados, o que representa o 15,7% dos relatórios de auditoria analisados. Essa percentagem é menor que na Argentina, a qual apresentou 24,73% dos seus relatórios de auditoria modificados, e maior que no Brasil, onde esse valor é de 10,67%. Entretanto, no ano 2004 não se reporta nenhum relatório de auditoria modificado.
Em relação à variável LOSS, a Colômbia é o país com a menor percentagem de empresas que reportam lucros negativos, somente o 5,90% dos dados estudados correspondem a empresas com reportes de lucros negativos nas suas demonstrações contábeis. No Brasil e na Argentina essa mesma variável corresponde ao 28,75% e 18,19% dos dados analisados, respectivamente. Inclusive, nos anos 2002, 2004 e 2006 não houve nenhum reporte de empresas com lucros negativos. O anterior explica, em parte, os bons resultados apresentados pela BVC durante o ano 2005.
Figura 6. Observações atípicas ao longo do período de estudo na variável dependente CAR - Colômbia.
Figura 7. Distribuição normal das variáveis quantitativas independentes - Colômbia.
Por outro lado, na Tabela 6 se apresentam os valores médios das variáveis utilizadas no modelo de regressão quando os dados são divididos em relatórios de auditoria modificados e
não-modificados. Inicialmente, evidencia-se, como nos outros dois países, que as empresas de menor tamanho são aquelas que reportam maior número de relatórios de auditoria modificados e, igualmente, são aquelas que reportam os menores índices de alavancagem financeira (variável ALAV de 1,7625) e maiores retornos negativos inesperados (variável
ΔEPS de -1,9062), o que era um resultados esperado.
Tabela 6. Descrição estatística segundo o tipo de relatório de auditoria - Colômbia.
Período: desde o ano 2001 até o ano 2007
Variável Relatório de Auditoria N Média Desvio padrão Variância
Modificado 8 -0,004e-3 0,024 0,0006 CAR Não-modificado 43 -0,008e-3 0,037 0,0013 Modificado 8 -1,9062 5,538 30,674 ΔEPS Não-modificado 43 -0,0407 2,309 5,3359 Modificado 8 1,7625 1,782 3,1769 ALAV Não-modificado 43 5,8972 7,896 62,347 Modificado 8 2,870e9 3,29e9 1,08e19
TA
Não-modificado 43 3,070e9 3,33e9 1,11e19 Fonte: Elaboração Própria
Adicionalmente, se observa da Tabela 6 que pelo estudo da média da variável CAR, ela não sustentaria a hipótese nula. Em particular, a média dos retornos anormais acumulados das empresas com relatórios modificados é negativo e menor (CARmodificado= -0,004e-3) que no
caso de relatórios de auditoria não-modificados (CARnão_modificado = -0,008e-3). Além disso,
não existe evidência inicial do impacto positivo dos relatórios de auditoria não-modificados (relatórios de auditoria "limpos"), uma vez que a média da variável CARnão_modificado é
negativa.
As observações atípicas da variável CAR e a distribuição das variáveis CAR, ΔEPS, ALAV e ln TA se apresentam nas Figuras 6 e 7, respectivamente. Observa-se que somente três
observações podem ser consideradas como atípicas nos retornos anormais acumulados; especificamente, nos anos 2004, 2005 e 2007. Como a base amostral dos outros dois países, esses dados não foram eliminados. Adicionalmente, as variáveis CAR, ΔEPS, ALAV e ln TA
exibem uma distribuição um pouco afastada de uma distribuição normal. No entanto, os pressupostos do modelo de regressão foram cumpridos no caso colombiano, conforme os resultados apresentados na Tabela 17.
Quadro 5. Resumo dos resultados preliminares obtidos mediante estatística descritiva.
País Hipótese testada Resultado Observações
Brasil
H10: A divulgação dos relatórios de auditoria das empresas de capital aberto interfere no preço das ações negociadas em Bolsa de Valores; por conseguinte, o trabalho do auditor influi na dinâmica dos mercados acionários de cada país. ACEITA (i) Principalmente as empresas pequenas apresentam relatórios de auditoria modificados. (ii) Empresas com relatórios de auditoria limpos não apresentam retornos positivo das suas ações.
Argentina H10 ACEITA
(i) Igual ao item (i) do Brasil.
(ii) Resultado inverso ao obtido no item (ii) do Brasil.
Colômbia H10
NÃO ACEITA
(i) Igual ao item (i) do Brasil.
(ii) Igual ao item (ii) do Brasil.
Brasil, Argentina,
Colômbia
H1A2: Resultados iguais (relação auditoria – mercado acionário) são obtidos nos três países latino- americanos em estudo.
NÃO
ACEITA ----
Fonte: Elaboração Própria.
Finalmente, no Quadro 5 se mostra um resumo dos resultados apresentados na presente seção. Resume-se o impacto dos relatórios de auditoria modificados através da análise dos valores médios das variáveis utilizadas no modelo de regressão. Observa-se que pelo estudo das médias somente na Colômbia não se aceita a hipótese nula H10, onde o valor médio dos retornos anormais acumulados resultou menor nas empresas com relatórios de auditoria modificados do que no caso das empresas com relatórios não-modificados. Entretanto, na Argentina e no Brasil acontece o contrário. Consequentemente, a segunda hipótese alternativa H1A2 também é rejeitada, uma vez que se obtêm resultados diferentes nos três países. Contudo, o Quadro 5 é uma primeira aproximação ao teste da hipótese nula H10 e somente mediante técnicas estatísticas multivariáveis pode-se obter um resultado mais abrangente e confiável.