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2.7 Clay minerals

2.7.1 Structure and properties

A condição de ser liderança comunitária ou de um movimento estaria diretamente relacionada ao modo como este indivíduo pode representar a comunidade de diferentes maneiras.

Constatamos por meio das observações, que a legitimidade de uma liderança na comunidade surge quando esta é eleita pela população para compor a diretoria de uma organização representativa ou passa a ser referência dentro da própria comunidade no tocante à resolução de questões locais e à defesa dos interesses coletivos.

Esta representação se daria através de um tipo de “carisma” conquistado pela liderança em seu segmento ou comunidade. Carisma este que, segundo Weber (1999), consiste numa espécie de qualidade pessoal que o sujeito passa a ser portador, fazendo com que a comunidade mantenha para com este uma relação de caráter emocional, de confiança e de legitimidade.

Nesse sentido, a condição de ser liderança parece, de acordo com o autor, a de ser reconhecida no meio social como representante do próprio meio social. E ser representante nas comunidades, pelo menos na dimensão institucional, é ser eleito para mandato de representatividade.

Segundo Nogueira (2008), o líder é alguém que está na dianteira de um processo e que reúne certas qualidades pessoais (técnicas, intelectuais, políticas, morais) que lhe dão prestígio suficiente para “dirigir” o grupo. Ainda para o autor, um líder

é aquele que, no interior de um grupo, ocupa uma posição que o habilita a influenciar de forma determinante as decisões de caráter estratégico e as orientações do poder de fato. Na medida em que corresponde a certas expectativas grupais, obtém apoio e legitima-se (NOGUEIRA, 2008, p. 97).

O autor destaca que o poder do líder se diferencia bastante do poder do chefe, uma vez que o líder não necessita de um cargo ou de uma nomeação para liderar, ao passo que aquele que chefia sempre o faz a partir de uma base formal. Em outras palavras, a capacidade que tem um líder de dirigir, independentemente de cargos ou funções, flui por outros canais. Levada ao

limite, a ideia sugere que, muitas vezes, numa comunidade ou numa associação, não são os chefes que contam, mas os líderes (NOGUEIRA, 2008).

Quando isso acontece, essa liderança assume o compromisso de representar os interesses coletivos da comunidade, mediar debates, reivindicar ações públicas e, até mesmo, em algumas audiências ou fóruns, “falar pela comunidade”.

No momento em que as lideranças passam a representar suas comunidades na condição de presidente, coordenador ou outras, estas vivenciam um processo de “formação” política inerente à participação, que se dá tanto no cotidiano das Organizações quanto em outros espaços. Isso acontece porque, segundo Pateman (1992), “a ação de participar é educativa no mais amplo sentido da palavra, tanto no aspecto psicológico quanto no de aquisição de práticas de habilidades e procedimentos democráticos” (PATEMAN, 1992, p. 61).

Esse processo de participação/formação, de apropriação dos mecanismos de atuação, de negociação e de diálogo43 possibilita às lideranças não só atuarem em suas comunidades, mas representarem estas em outros

43 Bordenave (1994) destaca que a participação se daria principalmente através do diálogo.

Diálogo este que não significa somente conversa. Significa se colocar no lugar do outro para compreender seu ponto de vista; respeitar a opinião alheia; aceitar a vitória da maioria; por em comum as experiências vividas, sejam boas ou ruins; partilhar a informação disponível; tolerar longas discussões para chegar a um consenso satisfatório para todos (BORDENAVE, 1994, p. 50).

Figura 5: Reunião no Conselho Comunitário de Felipe Camarão – Agosto de 2010 – Fonte: Arquivo pessoal.

espaços como Fóruns, Conselhos institucionalizados e Orçamento Participativo.

São em espaços como esses que as lideranças entram em contato com outras representantes das comunidades e com os grupos políticos institucionalizados (como os partidos) e passam a vivenciar a dinâmica de outros espaços, como as secretarias, os conselhos gestores de políticas públicas, as assembleias dos orçamentos participativos, as OGNs, os Movimentos sociais, etc.

Ao atuar nestes espaços, o sujeito, que antes era reconhecido apenas em sua comunidade, de maneira local, por suas ações de articulação política ou iniciativas de resolução dos problemas, passa, aos poucos, a ser reconhecido em um campo maior e mais amplo da política no município44.

De acordo com o que foi observado nas reuniões, a consequência do reconhecimento da intervenção da liderança nos espaços, somada aos saberes adquiridos no processo de participar, parece possibilitar à liderança a conquista de um capital social que a projeta para outros campos de participação. Capital social este compreendido, segundo Bourdieu (1980), como sendo

o conjunto de recursos atuais ou potenciais que estão ligados à posse de uma rede durável de relações mais ou menos institucionalizadas de interconhecimento e de inter- reconhecimento ou, em outros termos, à vinculação a um grupo, como conjunto de agentes que não somente são dotados de propriedades comuns (passíveis de serem percebidas pelo observador, pelos outros ou por eles mesmos), mas também são unidos por ligações permanentes e úteis (BOURDIEU, 1980, p. 67).

É essa rede de relações que a liderança passa a conquistar e que a torna, muitas vezes, representante não somente de sua comunidade, mas de seu Bairro, de sua Região Administrativa, de sua Cidade e de seu Estado. Conforme percebemos nas eleições das conferências, locais, regionais, municipais e estaduais, consecutivamente.

44 É nesse contexto que a liderança deixa de ser conhecida como o

“Presidente da Associação” e passa a ser o “Grilo da Zona Norte”.