3 THEORETICAL FRAMEWORK – A MULTI-LEVEL APPROACH TO TRUST AND DISTRUST IN
3.1 The Structural Level – A Three-Layered Model of Trust in International Relations
O desenvolvimento de novos mecanismos economizadores nasce do entendimento do uso da água nas edificações. O conhecimento do consumo em um edifício auxilia a reconhecer perdas por vazamentos ou falhas no sistema. Além disso, por meio do estudo
dos usos finais da água podem-se identificar os aparelhos responsáveis por maior consumo e onde haverá maior relevância para se intervir nos sistemas prediais.
O Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água (PNCDA), uma ação do Governo Federal iniciada em 1997, se tornou uma grande referência que abrange as diversas escalas do fornecimento de água nas cidades, discutindo sobre o abastecimento público e os sistemas prediais. O PNCDA teve por objetivos definir um conjunto de ações e instrumentos tecnológicos, normativos, econômicos e institucionais concorrentes para uma efetiva economia de água demandados para consumo nas áreas urbanas.
Como resultados do programa, foram elaborados Documentos Técnicos de Apoio (DTA) agrupados segundo temas específicos:
a) Planejamento e gestão e articulação institucional das ações de conservação e uso racional da água (Grupo A);
b) Gerenciamento da demanda (Grupo B);
c) Conservação de água nos sistemas públicos (Grupos C e D); d) Conservação de água nos sistemas prediais (Grupos E e F); e) Guias práticos (Grupos G).
O volume 1 do grupo E das publicações do PNCDA (ROCHA; BARRETO; IOSHIMOTO, 1998) aborda especificamente a caracterização e monitoramento do consumo predial de água, exemplificando metodologias para micromedição aplicadas desde a década de 1970 e evoluções sofridas até os dias atuais. Além disso, demonstra uma medição piloto em um condomínio residencial em São Paulo.
Ainda de acordo com este documento, um importante estudo sobre os usos finais da água no ambiente doméstico foi o desenvolvido por Thacray, Cocker e Archibold, em 1978, nas cidades de Malvern e Manshield na Inglaterra. A metodologia foi fundamentada na leitura diária dos hidrômetros instalados nos prédios do estudo e nos registros diários realizados pelos moradores de todas as utilizações de água das habitações. A partir desses dados foram determinados os consumos específicos de água por ponto de utilização nas residências estudadas.
As evoluções desse método passaram a incorporar equipamentos eletrônicos para registrar o consumo nos pontos hidráulicos, excluindo a participação dos usuários na anotação da frequência de utilização, uma vez que era um procedimento que dependia da disponibilidade dos moradores.
Para o projeto piloto de medição registrado no DTA E1 (ROCHA; BARRETO; IOSHIMOTO, 1998) foram utilizados hidrômetros instrumentados, data-loggers e microcomputadores. Após a instalação dos hidrômetros nos pontos de utilização monitorados, a transmissão de dados ocorre automaticamente, registrando os volumes consumidos ao longo do dia para cada ponto de consumo.
Embora a pesquisa não exija a participação direta do usuário, os autores comentam seu caráter intrusivo, já que os equipamentos devem ser instalados nos pontos de consumo dentro das habitações, o que pode resultar em uma reação negativa dos moradores.
Contudo, tais procedimentos visam garantir exatidão no monitoramento do consumo. Os objetivos dessa pesquisa piloto eram levantar parâmetros muito específicos, inclusive caracterizando o consumo ao longo do dia. Os gráficos apresentados nas figuras 18 e 19 demonstram o nível de detalhamento dos resultados.
De acordo com o nível de detalhamento de que se necessita, ou em função da disponibilidade de dados e recursos, podem ser empregados procedimentos mais simplificados para levantamento de consumos de água, como é o caso do estudo realizado por Kammers e Ghisi (2006), que teve como objetivo a caracterização dos usos finais da água em dez edifícios públicos em Florianópolis. De acordo com a pesquisa, verificou-se a predominância de consumo diário entre 28,0 e 39,8 litros por pessoa.
Embora o estudo de usos finais da água seja um tema recorrente, o estabelecimento de parâmetros de consumo definitivos para dimensionamento e simulação é um trabalho a ser aprofundado, visto que os resultados de uma pesquisa nem sempre podem ser aplicados a outras localizações ou usos em virtude das diferenças entre os hábitos de consumo, aparelhos sanitários utilizados e disponibilidade hídrica da região.
Exemplo disso são os edifícios para ensino superior. Na ausência de parâmetros específicos, costuma-se dimensionar reservatórios de água para essas edificações utilizando-se os valores existentes para escolas de ensino médio e fundamental. O valor de
Fonte: Rocha, Barreto e Ioshimoto (1998).
Fonte: Rocha, Barreto e Ioshimoto (1998).
Figura 18: Perfil do consumo nas habitações estudadas.
consumo mais difundido para esse uso é o proposto por Creder (2006), de 50 litros/pessoa.dia.
Nos últimos anos, dados com valores menores vêm sendo apresentados por outras instituições. A partir de um trabalho realizado em escolas de ensino fundamental e médio, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), chegou a um valor de 25 litros/aluno.dia (SABESP, 2011). Medições específicas em universidades foram realizadas no Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília. Após um programa de racionalização de consumo de água, foi registrado o valor de 21 litros/pessoa.dia (UNB, 2009).
Nakagawa (2009) estudou o consumo em 41 unidades na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e encontrou uma média de consumo per capita de 30 litros/pessoa.dia, sendo que para as unidades de ensino que não dispõem de aparelhos especiais, tais como destiladores, foi registrado um consumo per capita inferior a 20 litros/pessoa.dia. Nas unidades de ensino de Arquitetura, Filosofia, Matemática, Letras e Direito, Nakagawa (2009) registrou um consumo per capita de 14 litros/pessoa.dia, 16 litros/pessoa.dia, 12 litros/pessoa.dia, 15 litros/pessoa.dia e 18 litros/pessoa.dia, respectivamente.
Esses dados podem indicar que o parâmetro de 50 litros/pessoa.dia, amplamente difundido para consumo per capita em edifícios educacionais, abrange um volume de água além do consumo real, o que pode corresponder a um percentual relativo a perdas por vazamentos ou devido a equipamentos antigos de grande consumo de água. Assim sendo, esse valor pode ser utilizado para dimensionamento de reservatórios, mas seu uso como consumo per capita para simulação poderá levar a resultados equivocados.