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Structural history and stress configurations (extension then reactivation)

4. Discussion

4.5 Structural history and stress configurations (extension then reactivation)

Pensada inicialmente para atender a demandas internas do banco, a TVBB iniciou na implantação de sua programação inicial, a exemplo de outros canais de TV vigentes, o estabelecimento de uma promessa enquanto emissora. Esta promessa se formou a partir da articulação dos gêneros televisuais que a TVBB selecionou para o desenvolvimento da programação (JOST, 2007).

Na TV Banco do Brasil, a grade de programação foi consolidada, inicialmente, pela oferta de programas de entrevistas, noticiários, programas de debate, comerciais publicitários elaborados pelo banco e exibidos nos intervalos da programação.

A promessa pragmática adotada pela emissora se deu pela articulação dos gêneros nos programas no sentido de conferir o maior nível possível de credibilidade às ações do banco e de seus gestores imediatos. Em pouco tempo, a promessa se constituiu em reforçar, como numa espécie de autorreferencialidade, a imagem e o discurso do banco para si mesmo, por meio do uso do canal de TV instalado.

Como avaliamos na categoria anterior, na instalação do canal de TV do banco, toda a configuração do canal foi desenhada sob o entendimento que se tinha de televisão, em nível segmentado, à época. Isso implica dizer que o banco assumiu para si a articulação de gêneros promissivos para compor uma programação ao canal, o que, como definimos na metodologia, caracteriza o surgimento da promessa pragmática da emissora (JOST, 2007).

Após a migração para o ambiente virtual, esta promessa pragmática constituída pela emissora na programação inicial se desfez. Com a nova estrutura de distribuição do conteúdo da TVBB na internet houve um desequilíbrio nesta articulação dos gêneros, o que acabou por eliminar na realidade a promessa pragmática da emissora e corroborar para a manutenção de uma alusão a esta promessa inicial da TVBB, que já não existe mais nesta nova plataforma.

Figura 8 – Atual Menu promissivo da TVBB

Ao clicar na aba “Programação”, o usuário é direcionado a uma separação dos vídeos disponibilizados por nomenclaturas que deveriam distinguir um programa do outro. Fica evidente a tentativa de forjar, nestas abas, a manutenção da promessa pragmática instalada no canal da TVBB antes da migração para o ambiente virtual.

Os programas (que analisaremos na categoria seguinte) não estão mais associados à estratégia de promessa pragmática constituída pela emissora na versão inicial do canal. A lógica de programação não foi mantida na migração para o ambiente virtual, o que torna a nomenclatura “programação” do menu de oferta de conteúdos apenas uma alusão à estrutura de programação utilizada no canal de TV inicialmente instalado.

Isso significa dizer que houve, na migração da TVBB para a plataforma da internet, uma ruptura paradigmática com o conceito de canal de televisão que defendemos em nosso trabalho. Consideramos a promessa como base do processo comunicativo da televisão.

Sendo assim, a virtualização pela qual passou a TVBB não privilegiou o conceito matriz do canal – a promessa – e marca o início de uma indefinição quanto à própria natureza adquirida pela TVBB no processo de migração para o ambiente virtual.

Figura 9 – Atual Menu de oferta de conteúdo da TVBB

As nomenclaturas de cada sessão a que se vinculam a produção dos programas pela TVBB, que podemos visualizar na Figura 9, carregam em si uma alusão a promessas ontológicas – gêneros clássicos – e pragmáticas da emissora que não se sustentarão, conforme veremos no item a seguir na análise das amostras de cada programa.

Os dados39 levantados nos revelam que essas subdivisões para o conteúdo

na plataforma virtual apenas levaram em conta, inicialmente, a possibilidade de acomodar, em categorias, o conteúdo já produzido pela TVBB. Na nova plataforma de distribuição, o banco optou por criar espaços onde seria possível depositar o conteúdo que já era produzido sob a lógica da programação extinta. Ou seja, mudou-se a plataforma de distribuição categorizando-a, mas não houve qualquer relacionamento entre estas categorias e o sistema de produção do conteúdo já em vigência no canal. Aqui ocorre outra ruptura considerável na lógica operativa da televisão – processo comunicacional – que consideramos em nosso trabalho.

39 Relativos a entrevistas com o Diretor do Departamento da TVBB na sede do Banco do Brasil em Brasília em 2013.

Verificamos que não houve, neste processo de migração da distribuição dos conteúdos da TVBB para o ambiente virtual, nenhuma estratégia associada à lógica de programação de TV. De toda forma, foi articulada pelo Departamento da TVBB40 uma nova estratégia para as categorias sugeridas no ambiente virtual.

A partir dessas lógicas de operação distintas e não interligadas para as engrenagens de produção e distribuição do conteúdo, a padronização da produção dos programas elaborados pela TVBB, ainda nos tempos de sua grade de programação, começou a se desfazer. Sem a “etiqueta” – gênero – sugerida por Jost, para orientar a produção dos programas, a nova definição para as categorias da plataforma de distribuição tornaram-se abrangentes e subjetivas demais.

Como vimos, houve uma incompreensão do processo comunicacional da televisão e uma tentativa do banco em manter uma espécie de alusão à promessa pragmática estabelecida no surgimento do canal da TVBB nas novas categorias de separação dos conteúdos na plataforma da internet. Este fenômeno corroborou para uma completa indefinição quanto aos receptores – audiência – dos programas da TVBB nesta nova plataforma de distribuição. O público-alvo não foi um fator considerado para propositura das estratégias que nortearam a criação das categorias de separação do conteúdo no ambiente virtual. Atualmente, o modelo se mantém e não há definição de público-alvo para os programas que são disponibilizados na plataforma da internet.

No menu intitulado “Bastidores”, foi articulada uma estratégia de produção de vídeos, sem limite de duração, sobre a realização de projetos do Banco do Brasil. O objetivo sugerido para esta categoria foi mostrar o making-of dos projetos sociais, culturais e econômicos financiados pelo banco em todo o País. As fontes são os envolvidos no processo de consolidação do projeto sugerido pelo banco.

40 Dados coletados pelo autor em entrevistas com o Diretor do Departamento da TVBB na sede do Banco do Brasil em Brasília em 2013.

Figura 10 – Tela de disponibilização dos vídeos do menu “Bastidores” na TVBB

Sem um referencial consolidado em gêneros televisuais para a produção, o conteúdo audiovisual produzido e divulgado neste menu não obedece padronização e inviabiliza a manutenção de uma promessa pragmática real.

O mesmo acontece no menu “Entrevistas”. A estratégia informada para este menu estabelece uma produção de programas que, em sua maioria, são gravados em estúdio, com apresentação conduzida por jornalista e sem tempo de duração estipulado. As fontes são especialistas do Banco do Brasil, convidados a se posicionarem com relação a temas variados, tais como alimentação saudável, agronegócio, investimentos financeiros, mercado imobiliário, etc.).

Esta categoria foi preservada da programação inicial da TVBB. Contudo, a promessa pragmática também não foi mantida e os programas produzidos e divulgados não possuem uma identidade homogênea. Ainda na grade de programação no início do surgimento do canal da TVBB, o caráter geral e de interesse público – externo ao banco – das pautas em que centravam-se as entrevistas, atribuiu ao conteúdo grande índice de audiência que pode ter motivado o banco a investir na estrutura de distribuição via satélite que tratamos anteriormente.

Ocorre que, ao migrar para o ambiente virtual, buscando retomar a lógica de TV Segmentada inicialmente pensada para o banco, restringindo o acesso aos conteúdos a funcionários e não mantendo a promessa pragmática para os programas desta categoria, há uma indefinição quanto ao público-alvo desde a produção até a distribuição dos conteúdos.

É preciso frisar que o estabelecimento de promessas pragmáticas pelas emissoras se dá para consolidar uma relação com os receptores. “Para influenciar as crenças dos telespectadores, as emissoras atribuem de antemão determinado nome de gênero a um programa” (JOST, 2007, p. 71).

Ainda considerando o entendimento de Jost para a criação de promessas pragmáticas por emissoras de TV, vamos compreender que, no caso específico da TVBB, no menu “entrevistas” disponibilizado na plataforma atual, a promessa pragmática foi desfeita.

Assim, esse ato de atribuição de um nome a uma coisa passa por uma segunda promessa, essa de caráter pragmático, repousando sobre engajamentos: a) quanto ao interesse e às emoções daquele que procura a emissão anunciada; b) quanto à garantia de encontrar no programa os atributos exemplificados por essas amostras que são os anúncios, as chamadas de autopromoção nas mídias. (JOST, 2004, p. 30)

No menu “Notícias” inicialmente acoplado à grade de programação inicial da TVBB, houve a consolidação de uma promessa pragmática instaurada a partir de uma estratégia associada a um tom41 já reconhecido pelo público em geral com

relação à atividade telejornalística no canal de TV instalado pelo banco inicialmente. O tom dos programas deste menu está ligado a uma postura séria dos jornalistas

41

“O fato de uma emissão enviar a um mundo – real, fictício ou lúdico – não prejulga a maneira como ela realiza esse ato. (...) uma emissão pode se referir à realidade ou à ficção sob vários tons” (JOST, 2007, p. 65).

apresentadores, que nada os difere dos programas ligados ao telejornalismo já aplicado nas emissoras de TV tradicionais.

A migração para a internet também afetou a característica do menu “Notícias”. Atualmente a categoria comporta vídeos destinados tanto ao público interno – funcionários do banco – quanto para o público externo. Ou seja, está mantida uma proposta de produção de conteúdo voltada ao caráter generalista da TV massiva, porém a disponibilização do conteúdo se dá de forma restrita aos funcionários. Aqui se registra mais uma explícita incompreensão do processo comunicacional da TV e da indefinição da natureza lógica que o canal deveria obter após a migração para a internet.

A estrutura e fluxo de produção (elaboração das pautas, apuração dos repórteres, equipes de TV) para os programas disponibilizados nesta categoria seguem a padronização característica do telejornalismo clássico operado na TV convencional. Contudo, a disponibilização dos vídeos na categoria “Notícias” não obedece padronização. Ou seja, existem vídeos de outros formatos, tais como: documentários, comerciais, entre outros, disponibilizados nesta seção.

Se não é mantida uma lógica de público-alvo para o conteúdo disponibilizado nesta seção, torna-se inviável a manutenção da promessa pragmática sugerida para o gênero notícia na programação inicial do canal. Está evidente que para a geração da promessa pela emissora é fundamental o recorte do público que se pretende atingir.

Esta oferta de conteúdo indistinta pode ser conferida na Figura 12 a seguir:

No menu proposto para a seção “Tendências”, o banco sugere uma associação ao formato de revista eletrônica televisiva em que apresentador narra em linguagem menos formal a pauta dos vídeos que, geralmente, é feita sobre as ações de inovação e tecnologia do banco, tais como inauguração de novas agências e prestação de serviços diferenciados.

O mesmo conflito de público e de oferta dos conteúdos da seção “Notícias” é mantido neste menu. A promessa pragmática não se mantém e a tela de disponibilização do conteúdo passa a conter vídeos de diferentes formatos – animações, documentários, entre outros, conforme se pode comprovar na Figura 13 a seguir:

Figura 13 – Tela de disponibilização dos vídeos do menu “Tendências” na TVBB

Portanto, conclui-se da análise sobre a constituição da promessa da TVBB, que, ao migrar para o ambiente virtual, houve tentativa de manter uma alusão à promessa pragmática constituída no canal de TV inicialmente instalado no banco. Como vimos, a extinção da lógica de programação fundamental no conceito original de TV durante o processo de migração para o ambiente virtual acabou por romper toda a estrutura do palimpsesto do canal instalado pelo Banco do Brasil.

A estratégia articulada pelo Departamento que coordenava a TVBB em 2010 – virtualização do canal – não privilegiou uma sequência lógica e uma correlação

das categorias sugeridas para abrigar os conteúdos com os gêneros televisuais que entendemos fundamentais para articulação das promessas em uma emissora de TV. Nesse sentido, todo o conteúdo que foi disponibilizado e os que continuaram a ser produzidos após a migração para a internet não seguiram qualquer lógica que possa ser associada integralmente aos conceitos de TV massiva e TV segmentada. Antes, como vimos, a nova estratégia se firmou em características herdadas desses modelos, mas que, no resultado final da operação, não resultam em uma articulação que possa ser associada à lógica de um canal de TV – o palimpsesto.

Sendo assim, na configuração atual, a TVBB já não mais apresenta qualquer lógica que fundamente a constituição de promessas ontológicas ou pragmáticas fundamentais para a operação televisiva.