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Structural changes in the acquired company after an acquisition

7.2 Q UALITATIVE ANALYSIS

7.2.5 Structural changes in the acquired company after an acquisition

“Pensei que seguindo o rio Eu jamais me perderia: Ele é o caminho mais certo, De todos o melhor guia.”

João Cabral de Melo Neto. (O Retirante tem medo de se extraviar porque seu guia, o rio Capibaribe, cortou com o verão/Morte e Vida Severina).

De fato, esses processos analisados se dão no seio de uma totalidade, porém, podemos compreender essa totalidade como um conjunto de sub-totalidades, que se processam em conjunto para formar o real. Assim como afirma Marx (1982) a produção é sempre um ramo particular da produção ou ela é totalidade, nisso os processos de sua

reprodução são perfeitamente analisáveis como processos totais que se dão compondo a totalidade maior. A escolha empírica do objeto também renasce de como as categorias mais abstratas, "apesar de sua validade para todas as épocas, são, contudo, na determinidade dessa abstração, igualmente produto de condições históricas, e não possuem plena validez senão para essas condições e dentro dos limites destas" (MARX, 1982, p. 17).

Reuniões junto a Comissão Pastoral da Terra (CPT) se deram no decorrer da pesquisa, tanto na CPT de São Luís como na que se localiza no município de Balsas. A partir da referência desta entidade, pudemos delimitar outras entidades, como os Sindicatos Rurais a serem pesquisados e a Associação Camponesa (ACA). Essas entidades foram importantes no que diz respeito à localização de alguns conflitos importantes e de algumas situações-exemplo da territorialidade camponesa, que serviram de base empírica para a pesquisa.

Exemplos das lutas camponesas nessa região podem ser sintetizadas pelas conquistas de alguns bens como a Escola Família Agrícola (EFA) “Rio Peixe”, que também é expressa nesta pesquisa como parte da territorialização camponesa.

Em todas essas entidades foram feitas entrevistas com pessoas e representantes que se ligam de alguma forma ao processo organizativo do campesinato ou está associado à luta camponesa na região.

Segundo registros da CPT na micro-região de Gerais de Balsas cinco áreas estão em conflito atualmente, envolvendo 64 famílias em mais de 11.600 ha. No município de Balsas estão localizados os principais conflitos. São três conflitos envolvendo 44 famílias (CPT, 2007). Uma dessas localidades é a comunidade de Vão da Salina, que tem 28 famílias, e que está cercada por fazendas de soja como a fazenda “Pés e Companhia” (REGIS, 2009).

Esses conflitos representam, por um lado, a implicação direta da expansão da agricultura capitalista da soja no Maranhão, de outro, representa a resistência do campesinato a essa expansão. Carneiro (1996) considera que as ocupações camponesas podem ser descritas como uma reabertura da “Fronteira”, e lembra que o movimento de “Fronteira” no Maranhão está muito ligado a expulsão de posseiros de outras áreas e à expropriação de grupos camponeses. Esse entendimento pode ser visualizado, de certa forma, no município de Balsas, não no sentido de que os camponeses voltam ao movimento da “Fronteira”, mas sim que eles efetivam um processo de resistência ao movimento de expropriação causado pelo avanço do agronegócio da soja.

Além dos movimentos sociais, os órgãos de planejamento do Estado têm servido na coleta de dados e de material cartográfico, assim como o IBGE, o Instituto Nacional de

Colonização e Reforma Agrária (INCRA), a Secretaria de Estado de Agricultura do Maranhão, as Secretarias de Agricultura do município de Balsas.

Para se chegar aos objetivos propostos na pesquisa, então se dividiu esse trabalho em quatro partes. A primeira parte trata da fronteira agrícola de maneira geral, e especificamente da fronteira agrícola maranhense e sua inserção na economia globalizada. Trata das modificações ocorridas na fronteira e do desenvolvimento capitalista nessas regiões, bem como da inserção do agronegócio.

A segunda parte analisa o campesinato dentro do processo de expansão da fronteira, e especifica o campesinato maranhense e suas diversas formas, localizando a produção camponesa nesse contexto. A organização espacial desses grupos sociais a partir da organização de sua produção é caracterizada, mesmo sabendo que o espaço não será apenas organizado pela produção, depende de outros inúmeros fatores, mas aqui prezamos pela via produtiva.

No terceiro capítulo tratamos do avanço da cultura da soja nas áreas de fronteira no Brasil. Fazemos ênfase às políticas e programas que possibilitaram e incentivaram a produção de grãos na região de cerrado brasileiro, principalmente no município de Balsas, além de discutirmos a produção de soja dentro do contexto da mundialização do capital e a consequente inserção da produção em Balsas nos circuitos internacionais.

A atividade da sojicultura é um dos ‘cavalos de batalha’ no discurso modernizador do Estado, que, porém, não corresponde a um desenvolvimento nos termos sugeridos pelos planejadores. Essa atividade não consegue agregar trabalhadores a suas etapas produtivas como propõem seus defensores e esse fato é bem lembrado por Carneiro (et al., 2007) ao questionar qual desenvolvimento é esse da agricultura da soja, além de essa atividade corresponder a um grande número de fatores negativos que causam prejuízos ao município. A inserção de tecnologias na agricultura depõe a utilização de mão-de-obra em quantidade suficiente, principalmente àquela liberada em decorrência da expropriação campesina de terras seculares. Como lembra Bernardes (1996), o nível de tecnologia utilizado é vinculado às formas de atuação por parte de determinados grupos econômicos. Suas opções por níveis tecnológicos se relacionam à percepção de inviabilidade de outras formas para o êxito dessa atividade no território almejado, e a utilização dos níveis tecnológicos que não necessitam de mão-de-obra em quantidade é devido à competitividade dos mercados mundiais, onde a produção de soja do sul maranhense se insere.

O crescimento dos conflitos agrários nesse município é parte do processo de resistência que o campesinato oferece à expansão do agronegócio da soja. As implicações

espaciais desses conflitos se dão na organização das comunidades, e o território de luta é dado pela própria resistência de sair para outras regiões. A conflituosidade e a resistência do campesinato ao processo de expansão da agricultura da soja são tratadas no quarto capítulo.

Dessa forma, cremos ser preciso uma análise a partir do que os nossos sentidos nos colocam como real, mas que ainda assim, sabemos que, da mesma forma que no mito da caverna de Platão, esta se colocará apenas como representação desse real.

Por ser elaborado a partir dos nossos sentidos e ser racionalizado por um complexo de pensamentos que expressam as mais diversas opiniões do mundo, o que veremos nesse trabalho, muitas vezes, poderá soar como romance, como exagero, ou até como forma militante de defesa, mas a advertência tem que ser feita: todo ponto de vista é expresso a partir de um tempo-espaço que se constrói culturalmente e que nos coloca politicamente engajado de alguma forma, seja ela reacionária, seja radical, mas que até sem querer defendemos um ponto de vista pessoal. E isso se faz em atos que nem sempre são tidos como políticos, mas que guardam a sua politicidade nas consequências. Mesmo que nos colocássemos como isento de ser político já estaríamos o sendo, e assim é preferível ser logo explícito. O tempo-espaço que se coloca este trabalho vem da vivência tida junto ao campesinato e às suas lutas, sendo assim este trabalho é na defesa da cultura camponesa.