2. Moderniteten som eit mislykka forsøk på kollektiv danning
2.1 Striden mellom usosialheit og fornuft som framsteget sin drivkraft i Kant sin
Tendo em mente os exemplos que demos acima, quando falamos dos conceitos gestálticos, as abordagens afirmativas costumam supor que os conceitos possuem significados puros a despeito de aspectos pragmáticos. Quanto a isso, daremos dois exemplos de apontamentos clássicos de falácias que podem ser modificados quando se tem em vista uma visão crítica sobre o essencialismo semântico36.
Na sua Elegia do altar, Aristóteles disse o seguinte sobre Platão: “O homem a quem não é permitido aos homens ruins sequer louvar.” (VOEGELIN, 2012, p.341). Tomás de Aquino, na sua teoria moral, afirmava que uma ação humana deveria ser tida por boa quando o fosse no que concerne ao seu objeto às suas circunstâncias e à sua finalidade (SELLING, 2010, p.388). Dietrich Bonhoeffer dizia o seguinte:
Pior do que a má ação é ser mau. Um mentiroso dizer a verdade é pior do que um amante da verdade mentir. Um misantropo praticar o amor fraterno é pior do que um filantropo sucumbir uma vez ao ódio. A mentira ainda é melhor do
36 Veremos, adiante, como isto se dá, em detalhes, quando levamos em consideração as teorias da verdade que
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que a verdade na boca do mentiroso, e o ódio é melhor do que a ação de amor fraterno do misantropo. (2009, p.45).
Douglas Walton, no seu livro The place of emotion in argument defende que as emoções podem ser usadas quando há bons argumentos, mas que o uso de emoções apenas, sem bons argumentos, constitui um passo falacioso na argumentação. Uma teoria da argumentação que traga consigo uma lógica negativa por base leva em conta aspectos contextuais, pragmáticos e não apenas semânticos.
Luis Vega Reñón, como já mencionamos, na sua bibliografia sobre argumentação —
Argumentación: Indicaciones Bibliográficas —, fala sobre quatro perspectivas a partir das quais é possível estudar a argumentação: a lógica, a dialética ou lógico-informal, a retórica e aquela que se baseia na análise do discurso. A nossa percepção é a de que as duas primeiras têm sido predominantes na literatura sobre argumentação, precisamente, por costumarem supor o dogma do essencialismo semântico, enquanto as duas últimas, que mostram certa preocupação com aspectos pragmáticos, têm sido deixadas de lado, recebendo pouca importância.
A lógica negativa é, relembrando, basicamente, uma metateoria. As citações que apresentamos de Aristóteles, de Tomás de Aquino e de Dietrich Bonhoeffer levam-nos àquilo que chamaremos de teoria de Aquino-Bonhoeffer — que chamaremos daqui em diante de TAB. Trata-se de uma teoria que poderia ser incorporada em todas as teorias da verdade que trataremos adiante. Esta teoria, ou metateoria para ser mais preciso, indicará algo que tem sido percebido na literatura sobre falácias desde a década de 70; a saber, o fato de que as falácias são sempre contextuais37. A linguagem possui, pelo menos — dizemos pelo menos porque
alguns pensadores, como, por exemplo, Mário dos Santos, acrescentam a semiótica a estes âmbitos —, três âmbitos: a sintaxe, a semântica e a pragmática. Quando avaliamos argumentos, estes âmbitos têm de ser considerados de acordo com os contextos nos quais ocorrem.
Quando se adota esta perspectiva, vê-se, por exemplo, que o argumentum ad hominem sempre tem de ser contextualizado. Seguindo a fala de Aristóteles acima, não basta que um argumento A seja proferido, mas se tem de ver as características de A. Outra falácia que poderia ser, facilmente, questionada em termos da sua aplicabilidade universal38 é o argumentum ad
37 Cabrera (2010), menciona uma série de autores que busca salvar casos particulares de conferência de
falaciloqüência, a saber, Douglas Walton (1985); Michael Wrenn (1993); Margareth Crouch (1993); Lawrence Hinman (1982); Alan Brinton (1982) e Cabrera (1992).
38 O professor Julio Cabrera, no seu livro inédito Lógica Abierta, fala sobre algumas características que têm sido
pressupostas na Lógica Formal. Uma delas ele chama de Tese da neutralidade, que é a tese de que “em virtude do seu caráter puramente formal, a lógica [formal] não está comprometida com nenhuma filosofia em particular; as regras da lógica devem ser seguidas por qualquer filosofia, seja qual seja a sua tendência ou orientação, na medida
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nauseam. Uma frase que costuma ser atribuída a Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, é a de que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. A despeito de todos os métodos de engenharia social e de propaganda que foram desenvolvidos no século XX, os livros de argumentação que supõem uma abordagem afirmativa continuam apontando a repetição de um argumento já apresentado como sendo um passo falacioso na argumentação. Hegel, no seu prefácio à Fenomenologia do Espírito, parece já ter se dado conta dos aspectos pragmáticos da argumentação:
Devemos estar persuadidos de que o verdadeiro tem a natureza de eclodir quando chega o seu tempo, e só quando esse tempo chega se manifesta; por isso, nunca se revela cedo demais nem encontra um público despreparado. (HEGEL, 2008, p.70).
Na verdade, a citação de Hegel acima, como quase tudo em sua filosofia do Absoluto, é ambígua: parece que Hegel ainda supõe uma essência semântica e que o caráter da sua manifestação seja algo que depende não apenas daquele que busca conhecer a verdade, mas da própria verdade em si. Deixando-se de lado este aspecto, a repetição de um argumento pode ser um procedimento aceitável em uma argumentação. Cremos que o fato de que, em sistemas de prova como na dedução natural e nos tableaux, uma fórmula escrita em uma demonstração, não sendo uma hipótese, possa ser sempre usada, não havendo necessidade de repeti-la, condicionou o tratamento que acabou sendo dado às argumentações, mesmo que elas não estejam restritas a deduções — veremos que isto nos levará a outro dogma das abordagens afirmativas.
Um outro trecho de Hegel na sua Fenomenologia, mas, desta vez, na sua Introdução, que mantém o mesmo caráter ambíguo que mencionamos é o seguinte:
o conhecimento não é instrumento de nossa atividade, mas, de certa maneira, um meio passivo, através do qual a luz da verdade chega até nós; nesse caso, também, não recebemos a verdade como é em si, mas como é nesse meio e através dele. (HEGEL, 2008, p.71)
O que é importante observar no trecho acima de Hegel é que nossos argumentos são perpassados por aquilo que os condicionam em termos de suas possibilidades; em outras palavras, se a nossa linguagem é composta de âmbitos sintáticos, semânticos e pragmáticos, por
em que se pretenda raciocinar corretamente.” (p. 14). Como as teorias da argumentação, em geral, não são restritas a argumentos formais, ou meramente dedutivos, a crítica do professor Cabrera não se aplica completamente aqui, mas retomaremos esta tese específica denunciada no texto supracitado com as devidas adaptações ao nosso contexto.
40 mais que houvesse uma essência em termos de significados que fosse independente da pragmática, ela teria de, necessariamente, passar por esta quando quisesse manifestar-se. Quando discorremos sobre o dogma do disjuntivismo excludente falamos sobre o caso de haver contradição quando há definições a priori de conceitos contraditórios. Quando apresentamos a definição de argumento, ainda no escopo da abordagem afirmativa, apresentamo-la como sendo uma tripla < Λ, Δ, ╠ >, com Δ ≠ Ø. Esta definição, da forma como está, toma por princípio o dogma do disjuntivismo excludente e a possibilidade de contradição de conceitos de maneira analítica e a priori.
Na abordagem negativa, teríamos de ter uma nova definição que colocaria em jogo os argumentadores A1, o argumentador, e A239, o contra-argumentador, que estamos chamando
de agentes argumentadores. Teríamos, então, uma quíntupla < A1, A2 Λ, Δ, ╠ >, com Δ ≠ Ø. É importante destacar que, por vezes, os agentes A1 e A2 podem representar uma mesma pessoa. A mudança que é efetuada dá-se pelo fato de que inferências, em contextos argumentativos, sempre são proferidas por agentes argumentadores