4.1 Hovedresultater
4.3.4 STRESSPUMP 2: Gjentatt pumping og trenging, effekter etter sjøutsett; samarbeid med
À interpretação como restauração de sentido, Ricoeur opõe a interpretação como escola da suspeita. Esta forma de interpretar está presidida pelos três mestres, aparentemente excluídos entre si: Marx, Nietsche, Freud, dos quais é mais fácil colocar de manifesto sua oposição à fenomenologia da religião como “revelação” de sentido que sua articulação em um método único de desmistificação. Esse será o esforço que Ricoeur realiza ao assinalar que o que caracteriza os três mestres da suspeita é mostrar a verdade como mentira, a consciência como consciência falsa. Descartes tinha ensinado ao filósofo da duvidar das coisas, mas não da consciência. Com os três, no entanto: “[...] entramos en la duda sobre la conciencia” (CI: 139). Essa é a intenção critica comum a os três pensadores. A dúvida sobre a consciência e a crítica à consciência falsa, transcendem a questão kantiana de saber como uma representação subjetiva pode ter validade objetiva, questão esta que se colocaria ainda na órbita da filosofia platônica da verdade e da ciência. Agora, o problema da interpretação não é um problema epistemológico ou moral senão que se refere a uma nova possibilidade, a ilusão (FIC: 27) E aí, na dúvida sobre a consciência e a crítica à consciência falsa, afirma Ricoeur, é onde surgem os dois estilos contrapostos e o conflito das interpretações.
Mas, apelando a Heidegger, o qual assinala que a destruição é um momento de toda nova fundação, Ricoeur acha que:
[...] los tres despejan el horizonte en pos de una palabra más auténtica, para un nuevo reino de la verdad, no sólo por medio de una crítica “destructora”, sino por la invención de un arte de interpretar. Descartes vence la duda sobre la cosa por medio de la evidencia de la conciencia. Ellos vencen la duda sobre la conciencia por medio de una exégesis del sentido (CI: 139).
A crítica destruidora vai acompanhada da arte de interpretar, de decifrar as expressões da consciência, com o que ao próprio interior da hermenêutica da
suspeita surgiria um segundo momento “restaurador” que fundamentaria a superação do conflito das interpretações, despojado já o horizonte para uma palavra “mais autêntica” e um “novo reino da verdade”. A dúvida cartesiana sobre a realidade foi superada pela evidência da consciência, agora, a dúvida sobre a consciência, é superada pela “arte de interpretar” como ciência “mediata” do sentido.
Não cabe dúvida de que, entre Marx, Freud e Nietsche, existem diferenças no que diz respeito à explicação de como se gera a consciência falsa -(pela ideologia e a alheação econômica do ser social, indicará Marx, pela repressão do inconsciente, responderá Freud; pela vontade de poder, sentenciará Nietsche)- e qual será, por conseguinte, o método de deciframento do sentido analítico. Mas, Ricoeur acha que os três coincidem em que “[...] lejos de ser detractores de la ‘conciencia’, aspiran a una extensión de ella” (CI: 140). Marx pela tomada de consciência sobre as mistificações da falsa consciência e a liberação da práxis; Nietsche pelo aumento do poder do homem; Freud, pela ampliação do campo da consciência mediante a análise.
Uno de los primeros homenajes rendidos al psicoanálisis habla de “cura por la conciencia”. La palabra es justa, siempre y cuando se diga que el análisis quiere sustituir una conciencia inmediata y disimuladora, por una conciencia mediata e instruida por el principio de realidad (CI: 141). O princípio da realidade freudiana, uma vez que assentou a identidade de fundo dos três pensadores -Marx, Freud, Nietsche- na hermenêutica da suspeita, Ricoeur utiliza-o como critério definidor do antagonismo entre as duas formas de hermenêutica. Os três mestres da suspeita dão “[...] a toda hermenéutica concebida como recolección del sentido y como reminiscencia del ser su contrario más radical” (FIC: 35). Mas, o mesmo que de frente com a dúvida sobre a consciência e a superação pela mesma, havia encontrado um paralelismo em Descartes com a superação da dúvida sobre a coisa pela evidência da consciência, agora é Spinoza que proporciona a pauta da ascese que impõe o reconhecimento do princípio da realidade.
Es la lección de Spinoza: uno se descubre primero esclavo, comprende su esclavitud, y se vuelve a encontrar libre en la necesidad comprendida.
La Ética es el primer modelo de esta ascesis que debe atravesar la libido, la Voluntad de Poder, el imperialismo de la clase dominante (FIC: 35).
No terceiro livro do ensaio sobre Freud, dedicado à interpretação filosófica de Freud, Ricoeur defende a tese do caráter derivado e secundário das formas de ilusão denunciadas por Marx, Freud e Nietsche, e acode a Kant para sustentar a ilusão como estrutura necessária do pensamento do incondicionado.
Kant fue el primero en enseñarnos a tener a la ilusión como una estructura necesaria del pensamiento de lo incondicionado. El Schein trascendental no es simple error, puro accidente en la historia del pensamiento: es una ilusión necesaria. Aquí está, en mi opinión, el origen radical de toda “falsa conciencia”, la fuente de toda problemática de la ilusión, más allá de la mentira social, la mentira vital y el retorno de lo reprimido. Marx, Freud y Nietzsche operan ya a un nivel de formas segundas y derivadas de la ilusión; por eso resultan parciales y rivales sus problemáticas. Diría otro tanto de Feuerbach: el movimiento por el que el hombre se vacía en la trascendencia no es primario respecto al movimiento por el que se adueña de lo Totalmente-Otro para objetivarlo y disponer de él; porque se proyecta para adueñarse de él, a fin de colmar el vacío de su nesciencia (FIC: 463).
3 HERMENÊUTICA E FILOSOFIA REFLEXIVA
O problema da relação entre método hermenêutico e filosofia reflexiva já foi abordado por Ricoeur no final da Simbólica del mal ao interpretar esta como “[...] un área particular en el seno de una interpretación general del simbolismo religioso” (CI: 288), e sua conclusão maior -à qual chama da segunda revolução copernicana- era que “el Cogito está en el interior del ser y no al contrario” (FC: 489). Agora, trás o surgimento do conflito das interpretações, a relação entre hermenêutica e filosofia reflexiva, torna-se mais complicada. Assim o expõe Ricoeur:
La filosofía, nacida en Grecia, ha aportado nuevas exigencias en relación con el pensamiento mítico; lo que ha instituido ante todo y por encima de todo es la idea de una “Ciencia” en el sentido de la Episteme platónica o de la Wissenschaft del idealismo alemán. Teniendo en cuenta esta idea de la ciencia filosófica, el recurso al símbolo tiene algo de escandaloso (FIC: 39).
E, entretanto, hermenêutica e reflexão exigem-se mutuamente: em primeiro lugar, o símbolo aponta para a reflexão e a reclama, e em segundo lugar, a reflexão exige a hermenêutica.