4.1 Hovedresultater
4.3.2 Effekt av trengetid på ulike stressvariable og restitusjonstid hos Atlantisk laks smolt –
No ensaio sobre Freud, o capítulo sobre o conflito das interpretações vai precedido de uma delimitação de conceito de interpretação. De modo similar, a como precisou o símbolo contrapondo uma definição demasiado ampla, a de Cassirer, e uma demasiado restrita, a da analogia, agora se propõe obter uma definição da interpretação, “intermédia” entre dois conceitos extremos da mesma: um demasiado “curto”, o da exegese e outro demasiado “amplo”, o da significação aristotélica.
De acordo à leitura que Ricoeur realiza de Aristóteles, para este, “es interpretación todo sonido emitido por la voz y dotado de significación [...]” (FIC: 23). Seria interpretação o nome, o verbo, a frase e, sobretudo, a proposição declaratória, suscetível de ser verdadeira ou falsa, pois “decir algo de algo es, en el sentido completo y fuerte del término, interpretar” (FIC: 24). A palavra significante é interpretação no mesmo sentido em que o símbolo é mediação universal em Cassirer: “[...] decimos lo real significándolo, en este sentido, lo interpretamos” (FIC: 23). Porém, inclusive, Ricoeur leva sua leitura de Aristóteles até encontrar nele a problemática do duplo sentido. Não porque, comenta Ricoeur:
[...] Aristóteles haya planteado el problema de las significaciones multívocas tal como lo elaboramos aquí; solamente digo que su definición de la interpretación como “decir algo de algo” introduce a una semántica distinta de la lógica, y que su discusión de las significaciones múltiples del ser abre una brecha en la teoría puramente lógica y ontológica de la univocidad (FIC: 25).
Em síntese, mediante a leitura de Aristóteles exemplariza a definição demasiado “longa” de interpretação, ao fazê-la coincidir com a da significação,
mas ao mesmo tempo vê surgir na obra aristotélica, a problemática do duplo sentido que será objeto do campo hermenêutico.
A tradição da exegese bíblica, ao contrário, propõe uma definição de hermenêutica restrita, vinculada com a definição de símbolo por analogia, e incapaz, portanto, de acolher os símbolos oníricos, apesar da necessidade de reconhecer que é ao interior da mesma onde se constituiu -em grande parte- o problema da hermenêutica com as noções de analogia, alegoria e sentido simbólico.
Além de sua limitação estrutural, a exegese bíblica adoece de outras duas limitações: sua subordinação a uma autoridade (monárquica ou eclesial) e a redução de seu objeto ao texto literário (Cf. FIC: 25-26). Mas de todas formas, parece um bom ponto de partida, já que a noção de texto pode tomar-se em sentido analógico. Já na Idade Média, falava-se da interpretatio naturae, graças à metáfora da natureza como livro, e desde o Renascimento a interpretatio naturae desvinculou-se das referências escriturárias -de tal forma- que Spinoza recorrerá a ela para instituir um novo conceito da exegese bíblica: “Una nueva hermenéutica regida por el principio de la interpretación de la escritura por sí misma” (FIC: 26). A esta noção de “texto”, liberado da “escritura”, recorrerá com freqüência a Freud:
[...] con él no es sólo una “escritura” lo que se ofrece a la interpretación, sino todo conjunto de signos susceptible de ser considerado como texto por descifrar; así, pues, tanto un sueño, un síntoma neurótico, como un rito, un mito, una obra de arte o una creencia (FIC: 27).
Desta forma, Ricoeur estabelece a definição intermédia de hermenêutica como “ciência das regras exegéticas” que, por um lado, ultrapassa uma simples ciência escriturária e, por outro lado, não se funde com uma teoria geral do significado, mas -ao mesmo tempo, extrai sua autoridade de ambas as origens. Paralelamente define a exegese como “[...] interpretación de un texto particular o de un conjunto de signos susceptibles de ser considerados como un texto” (FIC: 27).
Para apresentar o conflito das interpretações, talvez tivesse sido ilustrativo realizar uma enumeração completa, do tipo indutivo, como no caso do simbolismo, dos diferentes “estilos hermenêuticos”. Entretanto, a esse respeito, Ricoeur escreve:
Me ha parecido más ilustrativo partir de la oposición más externa, de la que crea la máxima tensión en el origen de nuestra investigación. Por un lado, la hermenéutica se concibe como manifestación y restauración de un sentido que se me ha dirigido como un mensaje, una proclama o, como suele decirse, un kerigma; por otro, se concibe como desmitificación, como una reducción de ilusiones (FIC: 28).
No fundo dessa tensão manifesta-se a crise objetiva da linguagem que oscila entre a “desmitificación y la restauración de sentido” y de ella surge una hermenéutica movida por una doble motivación: “voluntad de sospecha y voluntad de escucha” (FIC: 28). A psicanálise se coloca do lado da suspeita e da fenomenologia da religião do lado da escuta. E Ricoeur viu-se confrontado a este conflito das interpretações, ao defender o estudo da psicanálise que lhe expõe um problema dialético que se enuncia da seguinte maneira:
¿Es la interpretación freudiana de la cultura excluyente de cualquier otra? Si no lo es, ¿qué regla de pensamiento habrá de seguirse para coordinarla a otras interpretaciones, sin que la inteligencia se vea condenada a no repudiar el fanatismo sino para caer en el eclecticismo? (FIC: 2).
Desta forma, reconhece o esforço por coordenar as diferentes interpretações da cultura, que lhe permitirá, além disso, realizar o “longo rodeio” que deixou em suspenso ao final da Simbólica del mal, para abordar “[...] el problema de las relaciones entre una hermenéutica de los símbolos y una filosofía de la reflexión concreta” (FIC: 2). Vejamos como caracteriza os dois tipos de hermenêutica, a hermenêutica restauradora de sentido e a hermenêutica da suspeita, redutora de sentido.