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6.2. Strengths and Weaknesses of the Present Work
, através de um nível social culturalmente mais evoluído, no qual Miguel de Moura se integrava.
Inserido numa conjuntura de desenvolvimento da nova cultura italianizante de doutrinação neoplatónica e sentido maneirista186
Não podemos, neste caso, deixar de salientar a importância e influência que de certa forma a localização do convento tem, até na arquitectura. A morfologia do terreno, que acabaria por se aliar à conjuntura espiritual da Contra-Reforma, o convento de Sacavém terá nascido sob as influências das novas correntes arquitectónicas de base tratadística.
As características que restam da traça maneirista inicial no edifício do convento, estão, na sua maioria camufladas, ou antes, “misturadas” num “ecletismo militar”. Desta 1ª fase da construção restam, pelo menos visíveis nos dias de hoje, apenas a parte inferior da fachada principal (virada a Sul) (Figs.80,81,82), com a sua galeria, uma certa volumetria e orgânica espacial de ligação entre os diversos corpos, o claustro (Fig.118,119,169,170) com a sua evidente tipologia maneirista (onde apesar das alterações de utilização terá existido uma aparente manutenção da orgânica externa, com a manutenção das portas para as diversas divisões nos locais de origem) onde ainda facilmente distinguimos a Sala do Capítulo, a entrada, as escadarias principais e a torre.
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CORREIA, José Eduardo Horta, A arquitectura – maneirismo e «estilo chão», in SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal, vol.7, O Maneirismo, Lisboa, Alfa, 1986, p.132
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SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal, O Renascimento e o Maneirismo (1500-1620), Lisboa, Editorial Presença, 2001, p.13
65 ligeiramente encosteirado sobranceiro ao rio, voltado para a foz, implicou, por parte dos construtores, não só uma adaptação a estas características como a introdução de soluções originais, que simultaneamente conferiram ao projecto, quer do convento, quer e ainda de forma mais intensa, da igreja, uma presença forte e marcante; poderá ser considerado como um bom exemplo da moda quinhentista de integração paisagística.187 De facto, no edifício do convento, a forma como as habitações se apresentavam, remetem-nos por um lado para uma “arquitectura doméstica” mas, por outro, para certas soluções encontradas por exemplo por Terzi, no Forte de S. Filipe em Setúbal… O túnel que faz a passagem junto à torre (Figs.88,89), a forma como o conjunto se encontrava aglomerado (Figs.36,37,38,41), com os seus diversos telhados encosteirados, para além da solução da fachada, vão ao encontro de uma certa arquitectura militar, então em franca expansão. Os torreões, de que só resta um (Fig.82), e que fazendo parte da fachada a enquadravam, originalmente como duas pequenas torres piramidais (Fig.1,41), nos seus extremos, integrando-se na galeria e, também eles constituídos por arcos de volta perfeita, remetem-nos, mais uma vez para uma composição que proporcionava um certo ritmo e que conferia à fachada dignidade; acaba por ser a reprodução de um esquema italianizante que, na segunda metade do séc. XVI, veríamos utilizado, em algumas experiências isoladas, nomeadamente, sob a forma de casa de quinta suburbana ou de lazer188, tal como era, inicialmente, a situação. Apesar das múltiplas alterações sofridas na fachada adivinha-se, uma composição organizada e com uma volumetria de sentido horizontal189
187 Idem, p.133 188 Idem, p.132 189 Idem, p.134
; esta tipologia fixada, durante o período desta construção, associava-se a outras características presentes como um espaçamento regular dos vãos, a existência de dois pisos (na fachada principal), a simetria da fachada, numa tendência para a sobriedade e linearidade.
Baseado num núcleo, “edifício mãe”, o convento/quartel apresenta uma planta irregular (Fig.12), composta por corpos sucessivamente adossados, organizados em torno do claustro, e a zona que o envolve, a anterior cerca de dentro; de facto, o desnível do terreno em que foi implantado, especialmente no sentido Sul-Norte, obrigou a uma disposição em quatro (cinco) pisos (Fig.17), na qual o claustro acabava por funcionar como núcleo distribuidor principal, estabelecendo a ligação entre as várias dependências.
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No exterior, pelo “Auto à avaliação do suprimido Convento (…)”190
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Vide Auto em 1877, apêndice documental
ficamos a saber que o convento tinha em frente uma espécie de páteo lageado onde existia uma pia de pedra com bica, o designado caneiro; através deste páteo (que estava inserido no adro) existia serventia para umas casas onde funcionariam a enfermaria e fornos (em 1877 estas casas estavam em ruínas).
As sucessivas alterações, nomeadamente, com a transformação de telhados em terraços, retiraram, em parte, o visual civil ao imóvel, continuando a permitir, no entanto a leitura dos diversos níveis que o compõem.
De um modo geral podemos dizer que no que diz respeito à fachada (Fig.80) esta encontra-se dividida em quatro / cinco níveis horizontais e em dois módulos – o maior, mais saliente e que representa o maior comprimento, e o mais pequeno, mais recuado e que alberga a entrada principal no edifício; do maior faz parte o corpo saliente pertencente ao antigo torreão que fazia par com outro (Fig.82), entretanto desaparecido. No 1º nível, o térreo, encontramos a galeria (Figs.81,84) que percorre quase toda a fachada, com os seus nove arcos assentes em colunas toscanas de pedestal alto, e que nos remete para soluções encontradas, não só na arquitectura civil dos finais do séc. XVI mas, para soluções adaptadas, nomeadamente, nas fachadas de alguns fortes; o torreão que subsistiu, forma uma pequena “galilé” assente em duas grossas pilastras de cantaria, onde assentam os três arcos de volta perfeita que a constitui. Protegidas por esta galeria, encontram-se uma série de janelas (a maior parte fruto do parcial emparedamento de portas) e portas, uma das quais dá acesso, através de uma escada metálica, ao piso inferior do claustro; as divisões correspondentes a este nível da fachada, funcionam pois, em piso inferior ao claustro.
O segundo módulo (a Este do primeiro), recuado e mais pequeno (Fig.83), apresenta uma galeria de cinco arcos assentes (em 1926 eram seis, Fig.43) em colunas toscanas similares às que podemos encontrar no claustro; ligeiramente elevado em relação ao restante nível da fachada a ele temos acesso por uma escadaria exterior em pedra, de lance duplo. Esta zona encontra-se sob o terraço que percorre a fachada e os arcos encontram-se encimados por uma espécie de olhos de boi /seteiras ovais, outra criação já do séc. XX e que terá nascido da retirada do telheiro e do nascimento do referido terraço.
67 No 2º nível, correspondente ao primeiro andar do edifício, enfileiram-se nove janelas simples, a que se juntam mais três do torreão e uma porta que dá para o terraço, esta já no módulo menor, sobre a entrada principal. Quanto ao designado 3º nível, este é constituído por nove portas e janelas (8 no primeiro módulo e 1 porta no segundo) que dão directamente para o terraço que abrange toda esta fachada principal e que constituía anteriormente uma espécie de telheiro/ telhado de 1 água. Uma observação atenta constata que, estranhamente, as aberturas das janelas e portas não se acham niveladas; tal facto prende-se com as referidas transformações ocorridas e que se traduziram no nascimento de um espaço anteriormente ocupado pelos telhados e libertado com a construção do terraço; a adaptação de janelas pré-existentes (sem esquecer a uniformização que o muro da fachada sofreu a este nível, com o “apagamento”das divisões dos corpos que o compunham), o nascimento de novas portas e as sucessivas transformações, nomeadamente nos anos 50, levaram a uma certa improvisação.
O último nível corresponde a uma espécie de torreão central, coroado com merlões, ladeado por duas torretas; ao centro, é visível, uma janela arqueada com pilastra ao centro, sob a qual é visível um painel de azulejo representando Santa Bárbara, séc.XX. Toda esta zona da fachada resulta de fortes alterações produzidas depois de 1926; de facto este torreão ou a janela, que até parece original, não existiam; nas fotografias de 1926 (Fig.41) são visíveis apenas quatro pisos, divididos por uma fachada que não era una, mas antes uma junção de diversos corpos, como que de diversas casas reunidas, unificadas sobretudo pelo piso térreo (da galeria) e 1º piso; a fachada em si era constituída quase exclusivamente por este corpo ladeado pelos torreões e que pretendia ter continuação, não muito bem conseguida, no corpo recuado, mais pequeno.
A fachada Este do edifício (Fig.14,88,89) é composta por diversas zonas – na correspondente ao módulo da entrada principal (constituído lateralmente por sete janelas, divididas por três pisos) é visível um pequeno painel de azulejos (Fig.87) datado de 1770, registo religioso representando Nª Sr.ª ladeada por anjos, envolta em cercadura policroma, estilo auricular, rococó, com folhagens; alguns dos azulejos que o compõem não fazem parte da composição, depreendendo-se que, ou existiu substituição, ou o painel veio de outro lado, danificado.
Na continuação do módulo da entrada principal, encontra-se, a outro nível, a torre do mosteiro (Fig.85), sem sinos, com janelas em ajimaz com colunelo central e com cobertura em azulejo, idêntica, à da torre da igreja; este coroamento da torre resulta de obras já dos anos 90 do séc. XX, que terão tentado reconstruir a torre original, que
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entretanto tinha sido completamente modificada. Junto à torre, o edifício estende-se para Norte, num corpo sob o qual se abre um semi arco (Fig.86) que dá acesso a um pequeno túnel (com outra entrada na continuação deste alçado) (Fig.90) que dá passagem para a zona Norte; não esqueçamos que toda esta zona terá sofrido fortes alterações decorrentes da demolição do antigo coro, que fazia ligação com o restante convento, assim como de pequenas casas que o rodeavam.
Do referido túnel, paralelo à fachada Norte, vislumbra-se uma escadaria (Fig.91) que dá acesso a uma zona mais alta do terreno; nesta zona, ficamos entre um muro de suporte e uma fachada com várias janelas e portas; uma das aberturas em arco (Fig.93) permite a passagem, em túnel (Fig.94), para um piso térreo da fachada Oeste (do edifício mãe, principal), onde ainda existe um pequeno tanque, provavelmente vestígios da designada cerca de dentro.
No final da espécie de corredor que nos transporta pelo lado Norte, deparamo-nos com o topo do edifício, a Poente, que aqui, devido ao forte desnível do terreno, passou dos três pisos, para apenas dois; uma porta (cujo acesso ainda é feito por alguns degraus) sob uma janela, formam esta zona que surge como um corpo algo saliente (Fig.95); junto a este pode descer-se por uma escadaria (Fig.96) ao já referido piso inferior da fachada Oeste ou ainda, subir por outra menor que faz a ligação directa aos diversos terraços (para onde dão uma série de portas e janelas, mais elevados a Oeste, obrigando a descer por outra escadaria para fazer o nivelamento a Sul), que se encontram no 1º piso. A Poente, o 1º piso apresenta, ao centro, uma configuração em U, actualmente coberta com chapas plásticas (Figs.96,97).
No topo Norte do complexo, encontra-se o corpo onde chegaram a estar instaladas as “moradias” dos oficiais (antiga enfermaria?), este também com ligação directa, interna e externa ao restante edifício (Fig.98).