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9.   Modell-basert statistisk inferens i utvalgsundersøkelser

9.3.   Metodevarians

Além da compreensão da definição de formação de professores, outro aspecto relevante neste trabalho, foi identificar qual a percepção dos participantes da pesquisa acerca do locus no campo educacional em que a formação de

professores, enquanto área do saber está inserida. Seria possível identificar a qual

ou quais Ciências da Educação a formação de professores pertenceria e, em particular, um campo de estudos e práticas dedicadas à formação de professores

para Ongs? As participantes da pesquisa, especialmente as professoras, manifestaram uma reflexão estruturada sobre o tema.

Eu acredito que a formação de professores hoje não faz parte de nenhuma Ciência da Educação, mas com certeza deveria. Talvez com outro nome, mas seria importante existir uma área dedicada a estudar como os professores são preparados para o trabalho. Eu acredito que este campo seja a própria Pedagogia. No nosso caso, da formação para Ongs, não chegamos sequer a fazer parte da Pedagogia hoje, eu acredito. Não porque realmente não faça parte, mas porque não existe qualquer interesse das universidades em se estudar ou capacitar pessoas para a trabalhar com educação nas Ongs. (Gestora da Ong FORMADORA, coordenadora e professora do curso Formação de Professores para Ongs, Entrevista semiestruturada, 2008)

A professora “B” apresentou uma visão convergente à da coordenadora do curso, com pequenos pontos divergentes.

Sem dúvida a formação de professores é parte do campo da educação. Deveria ocupar um lugar de destaque. Sei que existem estudos na área da ergonomia, escolas francesas, e de áreas da Pedagogia que estudam a formação de professores, ainda que não seja a formação para Ongs. O fato é que o saber que é construído sobre e pelo trabalho do professor precisava ser aproveitado, entende? Nós mesmas adotamos um modelo de formação que reconhece que o trabalho do professor faz surgir um saber que pode contribuir com o desenvolvimento de outros professores. Não é só teoria. (Professora “B”, Entrevista semiestruturada, 2008)

As professoras e a coordenadora do curso entendem que a formação, enquanto área do saber, está inserido nos domínios da Pedagogia. Elas advogam que a área seja reconhecida como relevante entre os saberes educacionais, em postura semelhante à adotada por muitos teóricos nas últimas décadas, entre os quais pode-se indicar Carlos Marcelo Garcia (1999), Maria da Graça N. Mizukami (2002) e José Carlos Libâneo (1994).

Cumpre destacar Garcia, pesquisador da Universidade de Sevilha, que analisou o tema e apresenta a sua concepção de formação de professores e o

locus que ela ocupa no campo das Ciências da Educação, conforme segue:

A Formação de Professores é a área de conhecimentos, investigação e de propostas teóricas e práticas que, no âmbito da Didáctica e da Organização Escolar, estuda os processos através dos quais os professores - em formação ou em exercício – se implicam individualmente ou em equipa, em experiências de aprendizagem através das quais adquirem ou melhoram os seus conhecimentos, competências e disposições, e que lhes permite intervir profissionalmente no desenvolvimento do seu ensino, do currículo e da escola, com o objectivo de melhorar a qualidade da educação que os alunos recebem. (GARCIA, 1999, p. 26).

A principal contribuição que Garcia traz, ao explicitar sua visão, reside no fato de o autor defender que a formação de professores seja tratada, à começar pelos meios especializados, como uma área particular do conhecimento e da

investigação do campo da educação, pertencente a dois ramos das Ciências da Educação: à Didática e, também, à Organização Escolar.

O posicionamento das professoras do curso estudado parece equivocado, na medida em que a Pedagogia é responsável pela investigação da “natureza das finalidades da educação numa determinada sociedade, bem como os meios apropriados para a formação dos indivíduos, tendo em vista prepará-los para as tarefas da vida social” (LIBÂNEO, 1994, p. 24). A perspectiva de Garcia, diferente da visão das docentes entrevistadas, é que a Didática seria, por excelência, a Ciência da Educação, a qual a formação de professores está vinculada.

A pesquisadora e professora da Unicamp, Amélia Domingues de Castro sinaliza que o eixo ou núcleo principal de estudos da Didática é o ensino, compreendido “como intenção de produzir aprendizagem e sem delimitação da natureza do resultado possível (conhecimento físico, social, artístico, atitudes morais ou intelectuais, por exemplo), e de desenvolver a capacidade de compreender [...]” (CASTRO, 2004, p. 23). A percepção de Domingues é incompleta, porque pode-se considerar que a Didática é uma Ciência da Educação que dedica-se também e não unicamente à análise dos processos de ensino, ainda que compreendidos de modo ampliado. A autora não associa de forma direta a Didática à formação de professores.

Neste trabalho a Didática é concebida como a área que dedica-se ao

estudo de dois segmentos fundamentais da educaçao intencional , que são a análise do ensino, incluindo todos os seus elementos constitutivos e os aspectos

que o condicionam, e o trabalho do professor em suas dimensões humana (individual e coletiva), técnica, social, cultural, econômica e política.

Nesse sentido, é a Didática que subsidiará e apoiará os professores a: compreender o trabalho e a atividade docente, em suas diversas dimensões; identificar as referências teóricas e técnicas norteadoras do trabalho do professor; compreender e avaliar os complexos processos políticos, econômicos e sociais que envolvem a teorização e a atividade educacional prática; analisar e atuar para garantir a adequada construção das relações interativas no processo educativo; orientar a formação e o desenvolvimento dos professores.

Portanto, se a Didática é a Ciência da Educação voltada, entre outros, para a análise do trabalho do professor, parece adequado que seja a área em que os pesquisadores e profissionais da educação dediquem-se aos estudos, práticas e teorizações acerca da formação dos professores.

Até o momento pudemos observar, no curso Formação de Professores

para Ongs, que a noção de formação é declaradamente negada pelas docentes,

coordenação e alunas do curso entrevistadas. Entretanto, nota-se, de modo subjacente, que a formação é compreendida enquanto espaço de parceria no processo de aprendizagem entre os atores participantes curso. O campo no qual a área de formação de professores está inserido é, na percepção das professoras e coordenadora, a Pedagogia. O conceito de formação e o seu espaço nas Ciências da Educação surgem de modo difuso, nas entrevistas realizadas. Vale ressalvar que o mesmo não ocorre quando referimos ao modelo formativo teórico e prático assumido pelo curso, que será abordado no próximo tópico.