• No results found

Strategisk planlegging

In document Universell utforming i plan (sider 56-61)

A proposta da primeira parte desse estudo foi levantar bases teóricas para a pressuposta hipótese: a percepção na apreensão sistematizada da linguagem visual estaria sujeita à predominância da terceira categoria, legi-signos, necessitando de estratégias que valorizassem a predominância dos sin-signos. Estas implicações poderiam dar pistas à elaboração de métodos que não entendessem as competências dessa forma de linguagem na subjetividade do “dom” e assim fossem menos excludentes. Rememorando sinteticamente tais bases constituem-se em:

1 – A evolução da linguagem visual, tanto no contexto - social22, como no individual, apresenta percursos similares: os signos visuais tendem a atingir a generalização da forma - terceiridade, após passar pelas mais naturalistas – secundidade. Essa refração evolutiva da linguagem visual do macro sobre o micro leva em consideração as transformações culturais como apuradores ou confinadores da percepção. Releva-se no ocidente o Impressionismo como cisão desta possível regra, pois o movimento cíclico entre o real e a generalização, que acompanha a história da arte, atinge uma consciência perceptiva sob a predominância da primeiridade – a cor-luz. Entretanto, como se verificou historicamente, há um fenômeno desencadeado por processos perceptivos centrados também na segunda categoria;

2 - As três principais teorias sobre a aprendizagem – Construtivismo, Interacionismo e a Teoria das Inteligências Múltiplas, direcionam a percepção para a base dos processos cognitivos, portanto a construção do conhecimento, a linguagem na sua potencialidade de armazenar signos depende da relação entre o percepto e o percipuum, estabelecida no julgamento perceptivo. Não obstante, ressalta-se que o signo gera outro signo no pensamento, independente de novas entradas perceptivas, mas a linguagem visual se

alimenta principalmente do mundo existencial, concreto, pertinente à predominância da secundidade. Essas três correntes sobre os processos de ensino-aprendizagem, principalmente a Interacionista e Teoria das Inteligências Múltiplas, apresentam uma possibilidade do meio social como um espaço sujeito à ampliação de potenciais e repertórios dos cognoscentes, como também pode encerrá-los em hábitos mentais;

3 – A práxis sistematizada, que trata a linguagem visual principalmente sob o jugo de Arte, apóia-se na idéia de espontaneidade, no idiossincrático sem algo que o determina anteriormente, apresentando ações metodológicas sem maiores compreensões do processo perceptivo;

As formas de produção de linguagem: desenho, pintura, fotografia, escultura, gravura, adornos corporais, arquitetura, enfim toda a produção de imagens tem na sua essência a mesma estrutura: linha e massa, o que difere são: a dimensão (bidimensional ou tridimensional) que ocupa o espaço, os meios de constituí-las (material) e a intencionalidade, mas foi sobre ato de desenhar e pintar, visto por ora, como recurso expressivo bidimensional, dada a sua imediaticidade na relação viso-motor e a predominância no ambiente de aprendizagem sistematizada – escola, que se crivaram as atividades das oficinas desenvolvidas para fins de verificação da existência ou não do fato pressuposto. Isto não significa que as formas tridimensionais não sejam suscetíveis das mesmas pressuposições, porém tal verificação está além do recorte da pesquisa.

Neste estudo, a forma de leitura das atividades partiu da concepção de que se produz o que se vê, desenho e pintura são exteriorizações do olhar. Sequenciando, é oportuno lembrar um fato ocorrido na década de 90, noticiado por um jornal de São Paulo, sobre uma escola particular da mesma cidade, que apresenta uma ilustração dessa argumentação. Um garoto matriculado nas séries iniciais do Ensino Fundamental desenhou um carro de perfil com um homem dentro e, através de duas linhas paralelas (provavelmente uma rua), ligava a outra extremidade onde desenhou uma casa com um menino na janela. Segundo o periódico, o devido responsável pelo assunto nessa unidade escolar, a psicóloga, interpretou que o desenho indicava uma certa distância entre o pai e o filho e, portanto, a mãe, que foi chamada, precisaria estar ciente dessa situação emocional.

Por outro lado, a mãe, também psicóloga, notificou a escola o significado daquelas formas visuais: o desenho foi realizado um dia depois que o marido dela (pai do garoto) havia comprado um carro novo (o homem dentro do carro), o local onde moravam era uma vila e a sua casa era aquela que ficava de frente para a entrada da viela (linhas paralelas

indicando caminho) e por fim o menino na janela era o próprio garoto que ficou aguardando a chegada do pai para o ver o carro novo.

Outro caso semelhante ocorreu numa exposição de Artes dos alunos de quinta série de uma outra escola de São Paulo no ano de 1991. A produção de um aluno nas aulas de Artes era um castelo com torres e raios, pois ele retratava a temática dos filmes de terror, mais especificamente a morada de um vampiro. Durante a exposição, um parente ficou estarrecido com a figura, pois retomava o período em que a criança desenhava somente igrejas devido ao sofrimento da perda da mãe. Logo interpretou que o processo de sofrimento poderia desencadear-se novamente. Infelizmente não se teve acesso às figuras anteriores para comparar as semelhanças e diferenças entre as torres da igreja e do castelo do vampiro, mas com certeza não estavam correlacionadas no pensamento do garoto, conforme se pode constatar através de diálogo naquele dia em que o mesmo disse que partiu das torres do castelo de um filme do Drácula.

Os dois eventos ilustram situações de leituras interpretativas dos signos visuais presentes, sem se preocupar com os dois aspectos intrínsecos que compõem a produção, processo e produto, que denotam dois tempos, o durante que se divide nas etapas de ler, fazer e reler, e o finalizado, aparentemente estático, também dividido em ler, referenciar e interpretar, mas indicador das capacidades articuladas no processo. Mesmo nessa relação dual, são diversos os focos de leitura do ponto de vista da semiose que podem se instalar, porém o destino do estudo é sobre a construção da forma, tanto a unitária (morfologia), como a composicional (sintática) como indicadores de níveis de predominância de apreensão perceptiva: iconicidade, indexicalidade e convencionalidade.

Ler está para o processo receptivo dos estímulos visuais sobre a percepção, mediados pelos signos pré-existentes. O fazer é a segunda etapa de uma situação praticamente simultânea, que se inicia na inconstância da imagem mental e se fixa na imagem materializada (constante), sem menosprezar as habilidades motoras e as propriedades materiais que participam desse momento, mas sob a dominância visual. A esta passagem entre o inconstante e o tornar-se constante se dá o ato de reler do processo, afinal o autor é quem faz a primeira leitura da própria produção.

A expressão inconstância mental refere-se às interações entre o percipuum e o percepto, é a força do objeto sobre a recepção visual, mediada simultaneamente pelas estruturas gerais que o objeto possui para uma determinada mente. A imagem fixada através da materialidade física ou relatada através de manifestações orais prenuncia a condição

entendendo deste modo uma nulidade dos aspectos icônicos e simbólicos. A propriedade indexical do produto permite vislumbrar uma reconstituição parcial do processo que o antecede, dando condições de inferir, entre outros fatos, sobre o grau das interações perceptivas que foram envolvidas.

Partindo do princípio de que tudo que se produz é deflagrado pela percepção, seja a observação imediata ou a memória, sendo a última mais sujeita a maiores reestruturações no plano mental, se tem indício do domínio mais icônico, indicial ou simbólico da habilidade de elaborar imagens. Atenta-se que a condição icônica não é sinônimo de realismo figurativo, a mímese, mas envo lve as qualidades visuais como: cor, textura, etc.

Na apreensão da forma visual estão articulados os aspectos materiais, contextuais e os cognitivos. Exemplificando, um desenho pode apresentar a dominância da linha devido aos instrumentos, a historicidade acumulada na memória e a dificuldade de sintetizar planos. Se a análise sobre a produção visual oferece uma leitura direta dessas condições, o pronunciamento verbal, tomado sob a Teoria das Matrizes da Linguagem e do Pensamento (SANTAELLA, 2001), através dos aspectos descritivos, narrativos e dissertativos, também está revestido, indiretamente, de forte indexicalidade: material, contextual e cognitiva ao referenciar o signo visual. Os dados descritivos (as contemplações), em alguns casos, como serão vistos mais à frente, passaram na experiência desenvolvida, quase diretamente para o estágio da argumentação cognitiva. 23

Sintetizando, o produto referencia o processo e este é precedido pela percepção, adquirindo uma flexibilidade permissiva à verificação de estratégias para os níveis de apreensão.

Quadro 4.1 – Síntese das características processo e produto na produção visual

Processo Produto

Semioses

Inconstância mental do objeto Imagem em estado de movimentação

mental para fixação e submissa as condições: materiais, culturais e

cognitivas.

Constancia mental do objeto Imagem finalizada sujeita a referencias

materiais, culturais e cognitivas.

Percepção Em movimento cristalizada

Habilidades Ler – fazer – reler Ler – referencia r - interpretar

23 Mesmo estando além deste objeto de pesquisa, esta questão é digna de uma observação: a referência sobre o

signo estético no ato contemplativo como um fenômeno que envolve apenas a primeiridade passando diretamente para a terceiridade do signo, seja uma visão unilateral da apreciação estética vista sob a ótica da

Leitura Necessariamente o autor Esta para o interno

Não necessariamente o autor Esta para o externo

Os processos aparentemente não mensuráveis, livres de qualquer condução estratégica para leitura, dosados pelo espontaneísmo24, foram descartados em face deste estudo voltar-se apenas para os processos organizados com o intuito de adquirir o domínio expressivo, a sistematização de aprendizagem. Reforça-se que parte das propostas de aprendizagem da linguagem visual assume, muitas vezes, dada a linha tênue que a define perante as Artes Plásticas, um caráter de passividade, procurando formar apenas espectadores.

Denominou-se “processos organizados” pensar em estratégias que levassem os participantes a terem uma relação perceptiva sob a predominância da categoria da secundidade, tanto para a apreensão da morfologia como da sintaxe, pois conforme analisado anteriormente (cap. 3) essa categoria tende a dominar a linguagem visual.

In document Universell utforming i plan (sider 56-61)