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Generalisering og overførbarhet

In document Universell utforming i plan (sider 38-41)

As visões Empírica e Inata da percepção, presentes nos segmentos supracitados, na realidade, denunciam um princípio modelável e outro modelado, que coexistem no fenômeno da percepção. Exemplificando: a descoberta de Tadanobu Tsunoda (HOWARD BRABYN, 1982), do Instituto de Pesquisa Médica da Faculdade de Medicina de Tóquio, que dá a oportunidade de observar como o estímulo agindo sobre a parte sensorial interfere na estrutura biológica, no caso cerebral. Em 1965 distinguiu a diferença da dominância do hemisfério cerebral entre japoneses e não japoneses, cuja causa foi atribuída às relações da presença da estrutura sonora de palavras exclusiva ou principalmente vocálicas.

A estrutura inata da percepção são as condições que o organismo já possui para suportar a ação do estimulo e a experiência é o fato relacional entre exterior e interior, que necessita dessas estruturas, mas se instala de duas maneiras: subordinada à estrutura, com intuito de desencadear o processo de produção de sentidos, facilmente percebível num enfoque social e espaço temporal menor em relação à próxima. A segunda, que atua sobre a formação dessas estruturas, que só poderão ser evidenciadas se observadas no conjunto da evolução da espécie. Pensando num novo exemplo: Um pequeno mamífero que vive submerso nas dunas da cidade de Natal (RN), teve suas estruturas receptivas aliteradas em função do meio. Esse animal teve um desenvolvimento dos receptores auditivos elevado a um nível que capta as ondas sonoras que partem da ação do vento sobre touceiras de mato e ressoam pelas areia, em compensação sua vida submersa, talvez originada como modo de proteção do sol escaldante ou de possíveis predadores, fez com que a estrutura ocular recuasse, e tem apenas um índice da existência de olhos. Assim, infere-se que a estrutura receptiva é uma programação genética (inata) ocasionada pela relação ambiental (experiência) e passível a novas interações entre ambas no decorrer da existência das espécies. Nesta

14 A expressão mente animal, refere -se a condição de mente proposta por Peirce e neste caso abordada no reino

acepção, o conceito de evolução contido no Filosofia de Peirce, em que os fenômenos transitam da primeiridade para a terceiridade, justificam o fato. As experiências permeiam pelas três categorias: sentida, distinguida e regularizada. A estrutura é fruto de regularidades, porém também cria nova possibilidade para a percepção de novas experiências, e o ciclo prossegue. Atenta-se que essas inferências são uma pressuposição da gênese da percepção, que, para efeitos de distinção, denomina-se aqui de macro gênese, na espécie, e micro gênese, no individuo, sendo que nesta a estrutura adquire uma força mais acentuada para se entender a percepção devido ao pequeno espaço de tempo que o existencial tem em face da outra, a da espécie.

Enfim, num impulso interdisciplinar, para selar a visão dicotômica sobre a percepção, inata ou experiencial, e assinalar a sua condição receptora, social e biológica, a explicação de Mountcastle (1975 apud ECCLES, John C. 1991, p. 339) registra:

Cada um de nós vive dentro do universo – a prisão – do seu próprio cérebro. Deste se projetam milhões de frágeis fibras nervosas sensoriais, em grupos, unicamente adaptadas para captar os estados energéticos do mundo a nossa volta; calor, luz, força e composições químicas. Istoé tudo que podemos saber do mundo de modo direto: tudo mais é inferência lógica.

Os estímulos sensoriais que nos alcançam são registrados pelas terminações nervosas periféricas, e réplicas neurais deles são enviadas em direção ao cérebro, para o grande manto cinzento do córtex cerebral. Nós os usamos para formar mapas neurais dinâmicos e continuamente atualizados do mundo externo, tanto no que diz respeito a nossa localização e orientação, quanto no que se refere aos eventos dentro dele. No nível de sensação, as suas imagens e as minhas imagens são virtualmente as mesmas e prontamente inidentificáveis como iguais por uma descrição verbal, ou por uma reação comum.

Além deste ponto, cada imagem está associada a uma informação genética e a uma informação armazenada que tem origem na experiência que nos transforma num mundo privado e único. A partir dessa integral complexa, cada um de nós, constrói, num nível mais elevado da experiência de percepção, sua própria visão, muito pessoal, partindo de dentro seu intimo.

O termo empregado, percepção consciente, pelo Neurologista Eccles (1991), imbuído de uma visão antropocentrista da mente, apresenta uma faceta da questão perceptiva. Por consciente ele designa os estímulos que são interpretados pela mente humana, e, portanto, haveria os não conscientes. Pode inferir que se trata dos estímulos recebidos pelas estruturas neurais. Estas águas divisórias, que não podem ser excluídas de um tratamento mais sério sobre a percepção, pontuam para esta pesquisa ater-se à percepção dos estímulos que produzem sentidos tangíveis para a linguagem, particularmente a visual. De um lado, a percepção decodificadora, portanto sustentada por estruturas que permitem diversidades, e do outro, a percepção geratriz de cognoscibilidade. As categorias fenomenológicas permitem atingir qualquer um desses segmentos, desde os estímulos neurais, desprovidos de convenções

sociais até o fluxo de dados que alimenta o pensamento. Também se reforça que as fluências das relações entre exterioridade e interioridade, que as categorias permitem alcançar vão exemplificando, desde uma centelha de luz externa a um corpo humano, assim como substâncias que percorrem uma corrente sanguínea para uma célula.

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