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In document Årsrapport 2016 - Forskningsrådet (sider 54-61)

O Subsistema Gradação é responsável pela intensificação ou mitigação das avaliações realizadas nos Subsistemas Atitude e Engajamento. No grupo de pareceres R, esse Subsistema totaliza 168 ocorrências, com o predomínio das avaliações características do eixo Força (151 ocorrências), com predomínio de significados de Intensificação (99). O eixo Foco apresenta menos ocorrências (17), sendo todas de sentido negativo, sinalizando Precisão no significado. O quadro a seguir resume as ocorrências dos eixos Força e Foco no grupo de pareceres R.

Gradação

Força 151 (90%) Foco/ Precisão 17 (10%)

Intensificação Quantificação

Positivo Negativo

Positivo Negativo Positivo Negativo

07 92 01 51 - 17

99 (59%) 52 (31%) 17 (10%)

Total: 168 ocorrências

Quadro 3.18 -- Ocorrências de Gradação nos pareceres do grupo R

Podemos observar no quadro que a maioria das ocorrências de Gradação é realizada para modificar avaliações negativas, totalizando 160 ocorrências (92, 51, 17), das 168 no total. Analisando os dados do quadro separadamente, observa-se que os pareceristas utilizam mais recursos de Intensificação (99) do que de Quantificação (52), indicando um reforço da avaliação por meio de elementos intensificadores, tornando-a mais enfática. Dentre os

elementos lexicais mais utilizados pelos pareceritas na avaliação, destacam-se: “mais”, “muito”, “bastante”. Apesar de não fazerem parte de uma gama maior de ocorrências, outros elementos intensificadores foram utilizados na avaliação, tais como: “extremamente”, “maior”, “claramente”, “demais”, “tão”, “principalmente”, “fundamentalmente”, “qualquer”, “principais”, “piamente”, “sérios”, que também foram utilizados com significado negativo. O exemplo a seguir mostra algumas das ocorrências dos itens lexicais mais ocorrentes.

“O trabalho abarca muito material e não atende aos três temas abordados adequadamente.

O autor/ a autora precisa organizar os seus pensamentos numa forma mais cristalina e didática para motivar o leitor a continuar lendo. Julgamos a conclusão bastante sumária sem voz do autor/ da autora em comparação com o tamanho do artigo submetido..” (R10)

Nesse excerto, os intensificadores de Gradação reforçam a avaliação negativa do trabalho. Os recursos de Gradação por Força/Intensificação estão inseridos em posicionamentos, enfatizando que o referido “trabalho abarca muito material”, devendo organizar o raciocínio de “forma mais cristalina” e que a conclusão é “bastante sumária”. Ao optar por esses intensificadores, o parecerista destaca a avaliação em relação ao trabalho, cujas intensificações modificam um nome (“material”) e três adjetivos (“cristalina”, “didática”, “sumária”).

Martin e White (2005) estabelecem que o recurso de Gradação/Força/Intensificação pode ser realizado por meio de itens pertencentes ao mesmo campo semântico ou por palavras com a mesma conotação. No mesmo parecer ilustrado anteriormente (R10), foram encontradas ocorrências desse tipo, como se pode ver no excerto a seguir.

“Muitos nomes, fatos e conceitos são apresentados ou ‘jogados’ sem levar em conta que nem todos os leitores têm uma leitura e um domínio da área de estudo como parece ser o caso do autor/da autora. Muitas referências históricas devem ser “trabalhadas” e explicitadas em nota de rodapé para fazer a argumentação avançar [...].

O autor; a autora se refere às noções de “xxxxxxx” e “xxxxxxx” (p. 4, 1º parágrafo, linha 5 e torna a mencionar as noções (p. 6, 2º parágrafo, linha 1) sem exemplificação em “xxxxxxx” ou em “xxxxxxx”. O leitor recebe ainda mais informação ‘jogada e não trabalhada’ nas referências a “xxxxxxx” e à “xxxxxxx”. [...] Sem uma seleção crítica a respeito da ‘“xxxxxxx” que o autor/ a autora quer relatar, o leitor é simplesmente bombardeado com uma pletora de nomes sem poder avaliar direito a importância “xxxxxxx” dos indivíduos citados [...]

Sem dúvida, o autor/ a autora tem idéias, leitura e estudo. Mas, as idéias não são bem argumentadas e organizadas.” (R10)

Esse excerto é uma amostra do tipo de avaliação negativa do parecerista, em que ele se posiciona de forma predominantemente monoglóssica, utilizando enunciados afirmativos, tais como em: “Muitos nomes, fatos e conceitos são apresentados ou ‘jogados’”; “O leitor recebe ainda mais informação ‘jogada e não trabalhada’”, dentre outros; ou por recursos de Contração Dialógica, como em: “sem levar em conta que nem todos os leitores têm uma leitura e um domínio da área de estudo; sem exemplificação em francês ou em português”; “Sem uma seleção crítica a respeito da ‘história’ que o autor/ a autora quer relatar”; “Mas, as idéias não são bem argumentadas e organizadas”, configurando sua intenção em não dialogar com o articulista, ou, quando proporciona alguma oportunidade de diálogo, o faz de modo mais restritivo, para dificultar a interação. Para reforçar a avaliação consideravelmente negativa, há o uso de sequência de palavras com o mesmo sentido semântico (“nomes”/“fatos”/“conceitos”; “apresentados”/“jogados”; “trabalhadas e explicitadas”; “jogada”/“trabalhada”; “ideias”/“leitura”/“estudo”), assim como palavras de sentido pejorativo (“jogados”, “bombardeado”), intensificando, dessa forma, a crítica e os aspectos negativos identificados no artigo avaliado.

Com relação às realizações sinalizadoras de Quantificação, verificam-se realizações de significados negativos, sobretudo pelos itens lexicais: “vários”, “muitos(as)”. Outros elementos lexicais são escolhidos pelos pareceristas, como “inúmeros(as)”, “diversas”, “qualquer”, “único”, “poucos(as)”, dentre outros. Os exemplos a seguir mostram ocorrências dos elementos lexicais mais utilizados nesse grupo de pareceres.

“1: O abstract (em inglês) necessita de revisão, pois há várias inadequações formais. 2- O uso de vírgulas: vários períodos poderiam ter maior clareza, caso houvesse um uso mais freqüente e correto de vírgulas (vírgulas entre sintagmas adverbiais / preposicionais e orações adverbiais; separação indevida entre sujeito e predicado). ” (R07)

“As análises apresentadas são problemáticas em vários aspectos. Por exemplo, a asserção “xxxxxxx” (seção 3.6, p. 10) não encontra quase nenhuma evidência nos dados reproduzidos no corpo do próprio artigo. Além disso, em vários momentos são feitos julgamentos de valor sobre a propriedade das ações dos participantes das interações analisadas, isso com base em critérios pessoais do/a autor/a” (R20)

Nesses excertos, ocorrem avaliações sobre os tópicos Língua, Forma (R07) e Análise (R20). Os elementos quantificadores (“vários”, “quase nenhuma”, “várias”) corroboram para a expressão de significados negativos da avaliação, no que se refere ao campo semântico Apreciação. Aparentemente, o uso de elementos quantificadores parece ser uma estratégia do parecerista para sinalizar a existência de aspectos inadequados nos artigos, ainda que de forma

genérica, uma vez que sinalizam ideia ampla e não restrita acerca de “quantos(as)” e “quais” são os problemas especificamente.

Com relação ao recurso Foco, verificaram-se no corpus 17 ocorrências, todas com sentido avaliativo negativo. O elemento lexical mais recorrente foi a palavra “tudo”/“todo(a)”. Seguem alguns exemplos.

“Ora, tudo o que o trabalho fez foi mostrar como “xxxxxxx” representam o lugar “xxxxxxx”. Mostrar que ela se encontra no espaço “xxxxxxx” é ainda um trabalho por ser feito.” (R01).

“Em termos metodológicos gerais, a hipótese que sustenta a abordagem do autor não está descrita de maneira suficientemente explícita para que se possa compreendê-la.” (R09)

“O trabalho não apresenta nenhuma originalidade. Toda a questão sobre a relação entre teoria e prática é uma resenha, como reconhece o próprio autor (p. 4), de Granger.” (R16)

Nos excertos de R01, R09 e R16, as escolhas dos pareceristas tornam o enunciado enfático, acentuando a avaliaçao do trabalho. No primeiro excerto, ao abordar o tópico Resultado, o parecerista utiliza o item lexical “tudo” para destacar a falta de informação ou a inadequação encontrada no artigo avaliado. No segundo excerto, na abordagem do tópico Metodologia, ao escolher o elemento “suficientemente”, o parecerista avalia a falta de totalidade que deveria ser apresentada na metodologia da pesquisa. No terceiro excerto, há ocorrência de quantificador (“nenhuma originalidade”) para revelar a fraca contribuição que o artigo pode oferecer ao leitor e o uso do item lexical “toda” para abranger a escrita sobre teoria e prática, que, de acordo com o parecerista, não passa de uma resenha. Vê-se, portanto, que as instanciações de Foco, utilizadas nesse grupo de pareceres com sentido negativo, foram empregadas como recursos para mostrar a avaliação envolvendo um todo ou grande parte de que foi avaliado.

A análise do Subsistema Gradação no grupo de pareceres R, portanto, revelou que os avaliadores utilizaram recursos de Gradação com significados eminentemente negativos, o que demonstra a intensidade do parecerista ao apresentar a avaliação do trabalho.

Após apresentação e discussão dos Subsistemas de Avaliatividade no grupo de pareceres R, trago, na próxima seção, uma síntese do que foi visto no referido grupo.

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