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Strategisk, offensiv og profesjonell rekruttering av ansatte

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Tiltak 16: Strategisk, offensiv og profesjonell rekruttering av ansatte

Em relação à questão da educação, enquanto área de intervenção procurou-se saber quais as dificuldades específicas do país em relação à educação, nomeadamente, quais as carências mais evidentes no sistema educativo guineense.

Quadro 12 - Principais carências educativas na guiné bissau

Fonte: Entrevistas realizadas a agentes de cooperação em maio/junho 2012 (cf. apêndice 1 ao apêndice 6)

Verifica-se que as carências assinaladas apontam para a questão do acesso á educação e qualidade do corpo docente. A questão de acesso, que podemos ligar à elevada percentagem de crianças, que estão fora do sistema educativo na guiné bissau, aquelas que entram tardiamente ou ainda aquelas que desistem da escola antes de terminar o ensino básico, sendo estas percentagens mais elevadas no sexo feminino. A questão da qualidade, porque existem professores que não estão aptos para ensinar, pois não têm formação ou não têm a formação necessária ou adequada, ou por outro lado, porque “ muitas crianças completam o primeiro ciclo do ensino básico e não sabem ler, não sabem contar, tem um fraco domínio da língua portuguesa”. A questão da língua também pode ser associada à questão da qualidade, visto que

Principais carências educativas

Entrev.1 “Acentuaria estes dois aspetos: as crianças que estão fora do sistema educativo são um desafio, e as questões da formação de professores, mas uma formação não ocidental, uma formação de professores enquadrada na realidade e no contexto da guiné bissau”

Entrev.2 “O sistema educativo tem graves problemas de acesso e de qualidade […] em termos culturais existe uma grande diversidade cultural, isso implica uma grande diversidade linguística, há muitas línguas, o português é falado por uma minoria”

Entrev.4 “A maior carência no meu entender é haver maior instabilidade a nível governamental porque este fato acaba por afetar verdadeiramente a escola pública”

Entrev.5 “Talvez a primeira seja a falta de professores com formação que também tem a ver com o baixo índice de escolaridade da população em geral. Ligado a este aspeto as dificuldades sentidas em relação ao português que é a língua oficial e a língua de escolarização falada por muitos poucos guineenses”

Entrev.6 “Desde logo a formação de professores, há pouca formação inicial de professores, há pouca formação contínua de professores e muitos mas muitos professores da guiné não têm formação mínima necessária para serem professores daquele grau de ensino”

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o português é a língua oficial e é falado por uma minoria “ isto cria muitos obstáculos […] porque as crianças iniciam a sua escolarização não tendo o português como língua materna, ou como língua segunda sequer” (entrevista realizada a um dos agentes de cooperação, cf. apêndice 2). As dificuldades sentidas em relação à língua portuguesa poderão depois ter outras consequências negativas, como as dificuldades de aprendizagem, assim, ou mesmo“ dificuldade em perceber a importância da escola numa sociedade em que não há estímulos de leitura […] por vezes as pessoas não vão à escola porque nem percebem a importância da escola”. (entrevista realizada a um dos agentes de cooperação, cf. apêndice 5).

Foram também apontadas carências de caráter físico “ faltam coisas físicas na guiné bissau, faltam escolas ainda para muitas crianças, […] acho que isso é um problema que nós devíamos ajudar a resolver, isso tem a ver quase como uma atitude moral perante o papel da escola pública na guiné bissau” (entrevista realizada a um dos agentes de cooperação, cf. apêndice 1). Neste sentido, para além da deficitária formação de professores e do elevado número de população que não frequenta a escola, existem carências físicas e materiais graves:“ faltam escolas, muitas da escolas são de baixo das árvores e falta material didático, quantas vezes um aluno passa um, dois, três, quatro meses sem ter um caderno para escrever” (entrevista realizada a um dos agentes de cooperação, cf. apêndice 6).

Apesar destas carências, existe a consciência que “ a sociedade civil, as comunidades têm tido um papel fundamental na organização dos serviços de educação, para as suas crianças criando as escolas comunitárias, tentando preencher algumas lacunas quando o estado ainda não consegue suprir essas faltas” (entrevista realizada a um dos agentes de cooperação, cf. apêndice 6).Novamente surge a questão da importância da educação não formal na guiné bissau e da sua importância ao longo do tempo, como impulsionadora da formação das populações.

A importância da educação enquanto fator estratégico de desenvolvimento da guiné bissau é visionado como indubitável, tornando-se necessário questionar quais os conteúdos formativos prioritários e quais os métodos e estratégias de ensino potenciadores de aprendizagem.

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Quadro 13- Conteúdos formativos prioritários e métodos e estratégias de ensino aprendizagem

Fonte: Entrevistas realizadas a agentes de cooperação em maio/junho 2012 (cf. apêndice 1 ao apêndice 6)

As ideias principais que emergem após a análise das respostas dadas pelos entrevistados são novamente as problemáticas relacionadas com a língua. Sendo o português a língua oficial de escolarização, torna-se este um dos conteúdos prioritários a desenvolver, independentemente de todas a vozes que não veem na língua portuguesa um fator de sucesso educativo. Seguidamente a temática dos direitos humanos, partindo-se do pressuposto que“ há uma declaração de direitos humanos, de direitos do homem que são iguais para todos, mas de fato não são, para já, porque depende das questões culturais […] os direitos humanos são importantíssimos para trabalhar, até para se conseguir uma melhor relação, entre as questões culturais e as questões universais” (entrevista realizada a um dos agentes de cooperação, cf. apêndice 3). As questões da educação para a saúde pública, higiene privada, sexualidade, educação para a cidadania foram igualmente aspetos mencionados como sendo necessários de integrar na formação guineense, de forma a garantir o aumento das condições básicas de vida. Por fim, a educação para a defesa do ambiente, de forma a garantir “ a poupança de recursos

Conteúdos formativos Métodos e estratégias de ensino Entrev.1 “ Eu acho que priorizaria três coisas fundamentais: o desenvolvimento curricular, significa a

construção dos materiais, de acordo com as necessidades da guiné bissau […]; “ Colocaria uma grande tónica na formação sediada nas escolas […] dinâmica das escolas terem a sua própria capacidade”

Entrev.2 “ Os conteúdos dependem do público […] se tivermos

a falar de adultos a alfabetização é muito importante” “ O método tradicional melhorado, o professor na perspetiva tayloriana, mas não mudar completamente, mas com equilíbrio, mudar alguns aspetos.” Entrev.3 “Os conteúdos básicos a ser trabalhados, a língua, a

matemática, as ciências” “ os direitos humanos são importantíssimos para trabalhar”

“ O método da guiné bissau é sempre expositivo que é o método usado também em portugal, por isso penso que a mudança a fazer é no sentido de algo prático […] ainda por cima a cultura africana é muito do fazer e muito menos do pensar”

Entrev.4 “ Tudo depende do diagnóstico que fizermos […] com base na experiência que tenho eu penso que se deve dar prioridade à educação básica e à alfabetização”

Entrev.5 “ A língua portuguesa como língua de escolarização deve ser trabalhada, no entanto também é uma das coisas que se vai falando é se faz sentido”

“ Em termos de métodos e estratégias os que forem eficientes para as pessoas saberem ler, escrever e contar […] a forma de lá chegar não é linear” Entrev.6 “ A primeira é a saúde pública e a educação para a

cidadania, a segunda é a educação para a defesa do meio ambiente”

“ Relativamente aos métodos e estratégias é como cá é através da experiência, através da realidade, a partir do seu dia a dia, partir dai para a teorização”

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que estão em risco de desaparecer, nomeadamente a água, a poupança de recursos hídricos” (entrevista realizada a um dos agentes de cooperação, cf. apêndice 6).

Outro aspeto importante referido foi a ideia de descentralização da educação através da criação de“ uma dinâmica das escolas terem a sua própria capacidade para criarem projetos de formação sediados na escola, ligando as direções das escolas, os professores e trabalhando em figuras na escola que consigam criar uma dinâmica de formação localizada na escola” (entrevista realizada a um dos agentes de cooperação, cf. apêndice 1). Esta necessidade de descentralização acaba por se complementar com o seguinte “ Tudo depende do diagnóstico que fizermos. Temos de ir ao terreno e fazer o diagnóstico e saber realmente o que estamos a fazer” (entrevista realizada a um dos agentes de cooperação, cf. apêndice 4). Desta forma, pode- se concluir que genericamente existem aspetos formativos importantes de serem desenvolvidos, no entanto, essa mesma importância deve ser confirmada e detetada a nível local e neste jogo de adaptação curricular, a descentralização é fundamental.

Relativamente aos métodos e estratégias de ensino aprendizagem, foi assinalado que a cultura africana “é mais do fazer do que do pensar”, o que leva a pensar os métodos práticos, ou seja “ o saber fazer” poderão ser mais apreciados em relação aos métodos passivos ou eminentemente teóricos. Contudo existe a consciência de que“ Em portugal andamos a falar destes métodos há muitos anos e há professores que não o fazem”, por isso estas coisas levam tempo e a guiné precisa de tempo também”.

5.3 A importância do processo de recrutamento e seleção de recursos humanos nos projetos