11 Loss of tension force
17.4 Measured and calculated strains in the pipeline
17.4.4 Strains acting in the pipeline laying on the seabed
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Ao apresentar e discutir a construção desta proposta pedagógica, aplicando os temas transversais nas aulas de educação física no ensino médio integrado, aceitamos o desafio de pensar sobre o tratamento pedagógico das manifestações da cultura de movimento e dos temas transversais, a relação professor e estudantes, a relevância e intencionalidade da disciplina da educação física no currículo do IFRN.
Este estudo centrou-se na aplicação de temas transversais na disciplina de Educação Física no IFRN/SGA. É necessário, portanto, apresentar análise feita dessa experiência que tem como aspectos justificadores apresentar e discutir os temas transversais nas aulas de educação física, oportunizando um processo de ensino e aprendizagem que favorecesse de forma ampla a compreensão dos estudantes sobre a educação física, a sua cultura, a sua a corporeidade e o mundo como experiência significante no universo do Instituto.
Devemos retomar ao objetivo geral de nosso estudo: apresentar e discutir uma experiência pedagógica na educação física escolar a partir da operacionalização de temas transversais com os conteúdos curriculares no ensino médio integrado no IFRN, campus SGA. Nesse intuito, priorizamos duas questões de estudo: 1. Quais fatores limitam ou potencializam a inserção dos temas transversais na prática pedagógica do professor de educação física no IFRN? Campus SGA; 2. Que alternativas teórico-metodológicas possibilitam a operacionalização dos temas transversais com os conteúdos curriculares nas aulas de educação física nas turmas do 1º ano do ensino médio integrado?
Convém ressaltar que, por termos um projeto político-pedagógico definido e termos participado ativamente da organização curricular da disciplina de educação física, decidindo sobre a seleção e organização dos conteúdos que seriam ensinados durante o nível de ensino médio integrado no IFRN, essa ação fortaleceu ainda mais nosso compromisso político no processo de ensino que na prática cotidiana nos move num constante fazer planejar, executar e avaliar em nossa prática pedagógica.
Quando organizadas as unidades de ensino dos conteúdos da educação física com os temas transversais, para o 1 ano do ensino médio, decidimos por definir a tematização por
conteúdo nas aulas. Ao iniciarmos a nossa experiência pedagógica apresentando a proposta, sentimos a necessidade de realizar uma atividade que nos desse o diagnóstico sobre a percepção que os estudantes tinham da educação física. Essa atividade de diagnóstico facilitou abrir espaço para a discussão sobre a proposta do ensino da educação física no IFRN/SGA, fazendo os estudantes entenderem a educação física e aceitarem participar ativamente do processo de ensino e aprendizagem.
Nessa experiência como professora-pesquisadora, apresentamos e discutimos alternativas metodológicas para o ensino de temas transversais com os conteúdos historicamente definidos da educação física, indicando um caminho efetivo para um fazer pedagógico, conforme o PPP e a Proposta de Trabalho da Disciplina Educação Física (PTDEF) do IFRN. Isso porque buscamos vincular o conhecimento da realidade, isto é, da nossa própria prática, com ações docentes propostas nesta intervenção pedagógica, buscando estruturar um ensino crítico alicerçado na teoria da ação dialógica e concepções abertas no ensino como metodologia viável e adequada à operacionalização de temas transversais com os conteúdos curriculares nas aulas de educação física.
A proposta dos temas transversais nos PCNs requer uma intervenção na educação escolar. Concebidos na condição transversal, eles perpassam os componentes curriculares, expandindo-se na prática pedagógica da escola. No entanto, para propor uma intervenção, torna- se importante proporcionar aos profissionais a sensibilização para conhecer as orientações da proposta com temas transversais para a educação escolar, colocando a escola como espaço privilegiado para tratar dessas temáticas. Esse fato, infelizmente, não se consolidou na escola.
O diagnóstico inicial sobre a percepção que os estudantes tinham da educação física como mera atividade prática, que permite eles decidirem livremente o que fazer na estrutura de “aula livre”, facilitou para que os estudantes, mesmo contrariados, participassem das aulas. Mas essa percepção inicialmente se constitui aspecto que dificulta o professor oferecer uma proposta de ensino sistematizada, pois este tem que trabalhar um processo de mudança de percepção desses estudantes para aceitar o ensino do jogo, do esporte, da dança, da ginástica e das lutas de forma sistematizada. Daí o tom de resistência dos estudantes em participar inicialmente das aulas com satisfação. Esse fato exigiu desta professora interesse e disposição no discurso para que eles percebessem a nossa responsabilidade quanto ao ensino da educação física.
A partir da análise dos fatores que limitam ou potencializam a inserção dos temas transversais na prática pedagógica do professor de educação física, já iniciamos essa experiência pedagógica acreditando que era viável a tentativa de concretizar com os estudantes dos cursos de Edificações e Informática uma “nova prática”. Chamamos de nova, pois, historicamente, a educação física, no próprio IFRN, não construiu uma identidade de prática pedagógica com saberes sistematizados, ou seja, uma prática planejada.
Assim, colocamos nossa prática pedagógica em questão, apresentando, discutindo e refletindo sobre as dificuldades que atrapalham a inserção dos temas transversais na prática pedagógica do professor de educação física. A primeira dificuldade, no nosso ponto de vista, é a ausência de planejamento do ensino. O professor não vê o planejamento como atividade fundamental à prática docente que se pretende educativo-crítica. O trabalho com os temas transversais exigiu planejamento de cada sequência didática, relação conteúdo com o tema definido e a busca por envolver os estudantes na participação ativa de discussão do planejamento de ensino, especificamente sobre foram de abordagem dos os conteúdos, dos temas e sugestões de novas atividades.
Quando vivemos a prática pedagógica em que as intervenções do professor de educação física para o ensino dos conteúdos com os temas transversais não são planejadas, dificulta o estudante confirmar, complementar e ampliar os saberes da manifestação da cultura de movimento. Vimos que os pressupostos balizadores da ação dialógica proposta no planejamento do ensino das unidades didática contemplaram a abordagem dos conteúdos com os temas transversais, nas dimensões conceitual, procedimental e atitudinal, sob a utilização do diálogo amoroso, do trabalho em equipe, de situações de ensino com foco em aprendizagens, facilitou a receptividade da proposta pelos estudantes do ensino médio integrado no IFRN, campus SGA.
Outros aspectos limitadores são turmas com grande número de estudantes e a carga- horária definida no currículo para a disciplina de educação física. Isso porque se cria uma circunstância de aligeirar a abordagem dos conteúdos, ficando na superficialidade da construção do conhecimento. Os temas transversais, por envolverem ampla relação com questões sociais, não se abordam sob um único ângulo, o que requer tempo para as discussões; muitas vezes se iniciavam discussões, debates, e o tempo não era suficiente para o fechamento das questões.
Como pontos facilitadores, temos que uma prática pedagógica, quando planejada, facilita a mudança de visão dos estudantes sobre a educação física. Entendemos que cabe à
educação ensinar e em que estrutura de aula, diferente do “fazer o que o estudante quiser”. A opção metodológica pela concepção aberta no ensino da educação física favoreceu com o trabalho os temas transversais nas aulas de forma significativa, estimulando a criatividade, o trabalho em grupo e a colaboração tornando os estudantes mais ativos nas situações-problemas de ensino.
Nas aulas, foi interessante observar os estudantes perceberem o próprio corpo, como se nunca tivessem sido mobilizados a pensar sobre o corpo no ensino da educação física. Inicialmente já constatamos que o trabalho com os temas transversais tornou fácil mobilizarmos diversas aprendizagens motoras e atitudes sociais, que muitas vezes não receberam um tratamento pedagógico nas aulas.
Ao nos propormos apresentar a vinculação adequada entre os conteúdos da educação física e os temas transversais no nosso fazer pedagógico no IFRN, fomos acompanhados pelo seguinte questionamento: “[...]– o que é preciso fazer para que os professores saibam ensinar e o façam cada vez melhor” (CATANI, 2012, p. 55).
Para responder esse questionamento, inicialmente acreditamos na possibilidade de a prática pedagógica da educação física no ensino médio desenvolver processos formativos respeitando as culturas juvenis e ampliando o seu potencial humano na construção do conhecimento da cultura corporal, conferindo condições para abordagem dos temas transversais como saberes significativos na formação do cidadão, resultando seu ensino em aprendizagens da cultura de movimento nas dimensões do conteúdo conceituais, procedimentais e atitudinais significativas.
Nas aulas de educação física, a união dos estudantes significou um exercício nada fácil de relação solidária na produção do conhecimento, tomando consciência de sua corporeidade em interação com o outro na condição de sujeitos. Nas situações de interação do conhecimento, possibilitávamos que eles reconhecessem o nível de capacidades físicas e habilidades ensinadas em experiências que se tornam subjetivas nas diversas práticas corporais, na aprendizagem de saberes da cultura de movimento relacionados às questões sociais abordadas nos temas transversais, e da condição social conforme especificidade proposta nas discussões, de forma que implicava a tomada de consciência de sujeitos iguais de direitos e deveres, por isso, unidos por causas comuns.
Na estruturação de nossas aulas, cuidamos para que o processo de ensino e aprendizagem não incorresse unicamente em experiências de movimento para habilidades específicas do esporte. Como professora, queríamos sentir a sensação do êxito de superar os discursos de professores que externam que os estudantes de ensino médio só querem participar das aulas se tiver o esporte. A nossa intenção era que os estudantes se permitissem participar de experiências corporais diferentes, querendo aprender os conteúdos abordados com o tema transversal e percebessem nossas aulas como espaços de experiência de movimentos que lhes permitem atribuir sentido/significado ao aprendido na educação física.
Essa prática pedagógica de fundamento na teoria da ação dialógica de Freire (2012) mostra-se como um caminho para uma ação transformadora de ensinar e aprender na educação física. E de acordo com a proposta de abordagem dos conteúdos com temas transversais e as respostas do debate nas aulas, proporcionamos a apropriação do conhecimento sistematizado, oportunizamos a elaboração de novos saberes, à medida que ajudamos o estudante a se compreender como sujeito social.
No entanto ainda é preciso percorrer um longo caminho entre nossa prática particular e a institucional. Essa opção de ensino pela teoria da ação dialógica e da concepção aberta no ensino da educação física possibilitou pensar alternativas metodológicas que favoreceram aos estudantes a assimilação crítica da realidade, aproximando a dimensão conceitual que eles devem estar reportando sobre as manifestações da cultura do movimento e os temas transversais na escola. Observamos que aplicar saberes conceituais da educação física com os temas transversais em situações concretas oportunizou aos estudantes avaliarem a realidade concreta como sujeitos comprometidos e, por isso, responsáveis pela transformação dessa realidade.
O importante, não resta dúvida, é o planejamento constituir elemento didático para superar a ausência de práticas pedagógicas sistematizadas na educação física. Acreditamos que “[...]. Adotando esse procedimento será possível planejar a ação transformadora da realidade com conhecimento de causa.” (RAYS, 1996, p. 51).
Assim, podemos dizer que os estudantes, como sujeitos ativos que são influenciados pelo processo de ensino e aprendizagem, no momento, individualmente e em outro coletivamente, também vão configurando um processo próprio, que por sua vez os influencia. Daí a inclusão dos temas transversais no currículo das escolas, como propõem os PCNs (BRASIL, 2007).
Podemos arriscar em apontar que a conclusão deste estudo permitirá aos atuais e futuros professores do IFRN uma compreensão do ensino da educação física para além dos códigos da instituição esportiva que tem sido fortalecida na instituição. Sendo assim, vimos que é urgente mudar essa prática pedagógica. Como sugestão, temos essa experiência com a inserção dos temas transversais nas aulas de educação física, o que tornou possível a abordagem de questões sociais que contemplaram a diversidade de problemas enfrentados pela sociedade, de forma integrada às manifestações da cultura de movimento.
Foi muito importante esse caminhar do fazer científico na busca da formação continuada, perspectivando promover, por meio da pesquisa, novas práticas pedagógicas de educação física no ensino médio. A escola precisa focar a discussão para o trabalho pedagógico com nova significação dos temas transversais a partir da experimentação de alternativas teórico- metodológicas que favoreçam sua inserção na construção do conhecimento dos componentes curriculares. Aqui já mostramos as possibilidades da abordagem de alguns temas nas aulas de educação física.
Dessa forma, sugerimos que a escola reflita sobre sua prática pedagógica numa relação teoria e prática para mediar as mudanças desejadas, reconhecendo a riqueza da inserção dos temas transversais que repercutam em aprendizagem no interior da escola. Aos professores cabe buscar formas de trabalho e diálogo com a realidade em que vivem os estudantes, cuidando para manter a pertinência da prática pedagógica, uma vez que essas temáticas extrapolam o âmbito das atividades escolares.
A prática pedagógica é a realidade da ação docente que se constrói em cada componente curricular coletivamente. O professor é sua ação docente, uma forma única de concretizar possibilidades de experiências que favorecem o processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos da educação física com a realidade significativa e cheia de sentido. Sugiro que os professores de educação física abram mão do discurso de que “os estudantes só querem esporte nas aulas”, pois um componente curricular pode ser entendido através da presença pedagógica do professor, e cabe a nós, na interação do conhecimento nas aulas, fazermos surgir, por meio de nossa intervenção pedagógica que se constrói sempre, a unidade inseparável de ensino e aprendizagem na educação física escolar.
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