A Prática de Ensino Supervisionada, inserida no Mestrado em Educação Pré-Escolar decorreu numa Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), situado no concelho de Guimarães. Esta tem como respostas sociais desenvolvidas o berçário, a creche e jardim de infância.
Breve apontamento histórico:
O edifício começou a ser construído em 1973 pelo então denominado Instituto de Obra Social do Ministério da Educação e ficou concluído no início de 1975. Porém, problemas conjunturais e políticos retardaram a sua abertura, que só veio a acontecer em Outubro de 1977. Este estabelecimento mantém em funcionamento a Creche e o Jardim-de-Infância e, desde Agosto de 2012, passou a ser gerido por uma Santa Casa da Misericórdia.
É um edifício construído de raiz em anfiteatro, direcionado ao sol nascente, de acesso fácil e direto. O acesso interior faz-se através de corredores amplos, halls, escadas, registando-se algumas barreiras arquitetónicas que dificultam a inclusão de crianças com mobilidade reduzida.
As instalações desta Instituição estão divididas da seguinte forma: 2 Salas de Berçário, das quais apenas 1 é utilizada; 4 Salas para a Creche, das quais apenas 3 se encontram a funcionar; 4 salas para a educação pré-escolar; 1 Cozinha; 1 Refeitório; 1 Recreio ao ar livre; 1 Vestiário para a equipa educativa; 1 Sala de Acolhimento; Instalações sanitárias para crianças em cada sala; 1 Gabinete de Direção; 1 Gabinete de Educadores; 3 Instalações Sanitárias para adultos; 1 pavilhão desportivo.
4.1.1 Projeto Educativo
Para a realização desta descrição foi importante analisar o Projeto Educativo da Instituição.
" (...) o projeto educativo do estabelecimento deverá explicitar, de forma coerente, valores e intenções educativas, formas previstas para concretizar esses valores e intenções (...) e os meios da sua realização" (OCPEPE, 1997, p.43)
Este documento deve conter os valores da Instituição, a caracterização física do meio envolvente, assim como as finalidades e objetivos curriculares gerais e específicos.
Durante a análise deste documento foi possível notar que as palavras 'família', 'comunidade', 'inserção', 'valorização' estão bastante presentes. Tudo isto vai de encontro ao tema do Projeto Curricular da Instituição "Educar para a cidadania".
4.1.2 – Plano Anual de Atividades
De acordo com o enquadramento legal português, o Plano Anual de Atividades de uma organização educativa é o
“documento de planeamento, que define, em função do projeto educativo, os objetivos, as formas de organização e de programação das atividades e que procede à identificação dos recursos necessários à sua execução” (decreto-lei 75/2008 de 22 de abril, artigo 9º).
No caso do plano da instituição onde realizamos o nosso trabalho, ele é constituído essencialmente pelas atividades programadas para todo o ano letivo. Ao longo do documento nota-se uma grande necessidade de envolver a família e a comunidade. Cada atividade tem descrito ao pormenor os seus objetivos, os seus intervenientes e o seu público-alvo.
4.1.3 – Projeto Curricular de Sala
Este documento é uma base de apoio para toda a organização do processo educativo do grupo e tem um papel central na organização da equipa pedagógica. O projeto curricular de sala é realizado com a intenção de ajudar o desenvolvimento do grupo em questão, analisando não só o ambiente
educativo, como também o meio envolvente da criança, os seus conhecimentos prévios, as suas novas aprendizagens e utilizá-las para criar novas.
Este projeto curricular de sala está dividido em várias partes, como a caraterização do grupo, onde são explicados os interesses e as necessidades das crianças, o seu agregado familiar e que adultos acompanham o grupo. Existe uma fundamentação das opções educativas/metodologia utilizadas com este grupo e as intenções de trabalho para o ano letivo que se segue. É ainda referido um plano de atividades proposto e são descritos os objetivos da relação com família e outros parceiros educativos
4.2 Caraterização dos grupos de crianças
“Observar cada criança e o grupo para conhecer as suas capacidades, interesses e dificuldades, recolher as informações sobre o contexto familiar e o meio em que as crianças vivem, são práticas necessárias para compreender melhor as características das crianças e adequar o processo educativo às suas necessidades.” (OCPEPE, 1997, p.27) Para que todo o projeto corresse pelo melhor era necessário uma observação atenta do grupo de crianças com o qual iríamos trabalhar. A Prática de Ensino Supervisionada quer em Jardim de Infância, quer em Creche foi realizada na mesma Instituição, situada no concelho de Guimarães. Conhecer a Instituição, assim como o seu Projeto Curricular no momento da transição do Jardim de Infância para Creche ajudou bastante na integração do nosso projeto de trabalho com o da equipa pedagógica deste centro educativo.
4.2.1 Jardim de Infância
O grupo da Sala C desta Instituição Particular de Solidariedade Social é constituído por 14 crianças, 8 meninas e 6 meninos, com idades compreendidas entre os 3 e os 4 anos. O grupo de crianças é acompanhado diariamente por uma educadora e uma ajudante de ação educativa.
Existe neste grupo de crianças, uma criança com necessidades educativas especiais, com 3 anos de idade, que apresenta características de Paralisia Cerebral, no entanto ligeira, não afetando por isso o funcionamento normal da sala.
Segundo, Arnold Gesell (2000:307), algumas das características do perfil do comportamento desta faixa etária, são as seguintes: “os 3 anos são a primeira idade em que a criança presta tanta atenção às outras crianças como à educadora” o que demonstra a crescente socialização das crianças a partir desta idade. Este grupo é interessado, curioso, dinâmico, participativo, conversador e ativo.
Das atividades extracurriculares do grupo fazem parte as aulas de música e de educação física, distribuídas pelas manhãs dos dias da semana. Existe ainda a natação, no final de um dos dias da semana, na qual algumas das crianças não participam.
A rotina diária do grupo de crianças determina o funcionamento da sala, do grupo e dos adultos e está intimamente relacionada com a organização do espaço, pois a utilização do tempo depende das experiências e oportunidades educativas que se podem retirar dos espaços.
Uma das grandes vantagens da rotina diária é que
“(…) permite criar maior oportunidade para todas e cada uma das crianças. Sem rotinas, o educador tende a centrar-se só nalgumas crianças” (Oliveira- Formosinho, 1996:71).
A articulação entre o tempo e o espaço deve ser planeada tendo em conta as características do grupo e as necessidades das crianças. Os horários e as rotinas devem ser suficientemente repetitivos, embora flexíveis, para permitirem que as crianças, cada uma ao seu ritmo, explorem, treinem e ganhem confiança nas suas competências.
4.2.1.1
Organização
do
espaço
e
materiais
de
aprendizagem e rotina diária
O espaço está dividido por 5 áreas, sendo estas a área da biblioteca, a área das construções e de jogos de chão, a área da pintura, a área dos jogos de mesa e a área da casinha.
Na Educação Pré-escolar é importante que o espaço seja desafiador para as crianças e que lhes permita participar na organização do mesmo para que sejam autónomas na sua arrumação e utilização. É importante lembrar que “o espaço favorece as trocas entre os diferentes elementos do grupo, a interacção social, exploração e aprendizagem. Deve favorecer o bem- estar das crianças, mas não pode negar o bem-estar dos adultos que se ocupam delas” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1998:147).
A sala oferece um ambiente seguro, acolhedor e saudável para as crianças. Existem janelas grandes à volta de toda a sala, que deixam entrar bastante luz natural, proporcionando às crianças uma vista para a área exterior e para a rua, mantendo-se assim, indiretamente em contacto com o exterior. Existe ainda um sistema de ar condicionado que mantém a sala a uma temperatura agradável para todos, durante todo o dia.
Tal como referido anteriormente, o espaço está dividido por áreas, que são escolhidas por cada criança na hora de atividade de escolha livre, tendo sempre em conta que a criança não escolha sistematicamente a mesma área, para que possa usufruir das aprendizagens que todas as áreas têm para oferecer. Estas áreas encontram-se bem definidas, de forma a encorajar diferentes tipos de atividade, estão ainda organizadas de forma a assegurar a visibilidade dos objetos e materiais que incluem, bem como a deslocação entre as diferentes áreas.
O espaço é utilizado livremente pelas crianças e os materiais são manuseados à vontade. Estes estão organizados, etiquetados, disponíveis e ao nível das crianças, para que estas possam utilizá-los sempre que pretenderem. Estes materiais são variados, desde blocos à plasticina, passando pela manipulação de objetos que se assemelham aos do quotidiano, aproximando- se do seu tamanho real, indo assim de encontro aos múltiplos sentidos da criança.
Os materiais expostos na sala mostram o envolvimento da família na vida escolar de cada criança e a importância das crianças ao nível da comunidade. Semanalmente, as crianças desenham alguma atividade realizada no fim de semana com a sua família. Este é exposto no exterior da sala para que possa ser visto por quem ali passa. Além disso, qualquer
atividade que envolva a comunidade é registada com fotografias e exposto na sala.
Existem produções das crianças expostas um pouco por toda a sala, mostrando desta forma às crianças a importância do seu trabalho para todo o grupo.
A área exterior tem um tamanho consideravelmente grande, de maneira a que todas as crianças da instituição circulem livremente. Esta é facilmente acessível a partir de vários locais na instituição, através das grandes janelas. Esta área é fechada, utilizada apenas pelas crianças da instituição onde estas se encontram protegidas visualmente do tráfego. O chão é coberto por relva artificial, existindo ainda um campo de jogo com balizas e cestos. A zona de relva artificial torna possível o amortecimento do impacto em caso de queda. Durante o tempo quente as árvores existentes no espaço protegem as crianças do sol. Infelizmente, durante esta semana de observação a meteorologia não permitiu que as crianças se deslocassem ao exterior, não podendo assim evidenciar qualquer situação neste local.
4.2.1.1.1 As rotinas da sala
A organização da rotina diária do jardim de infância é considerada muito relevante nos modelos pegagógicos que anteriormente referimos. Sob ponto de vista formal,o governo português tamém assume a sua relevância e esclarece o seu sentido eminentemente educativo.
"A sucessão de cada dia ou sessão tem um determinado ritmo existindo, deste modo, uma rotina que é educativa porque é intencionalmente planeada pelo educador e porque é conhecida pelas crianças que sabem o que podem fazer nos vários momentos e prever a sua sucessão, tendo a liberdade de propor modificações. Nem todos os dias são iguais, as propostas do educador ou das crianças podem modificar o quotidiano habitual" (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1997:40)
A rotina da sala é estabelecida pelos adultos, no entanto, esta pode ser alterada de forma a respeitar o ritmo das crianças e dos trabalhos que se vão desenvolvendo a partir dos interesses das crianças. Este posicionamente dos profissonais de educação de infância é extremamente importante uma vez que
"O tempo educativo contempla de forma equilibrada diversos ritmos e tipos de actividades, em diferentes situações - individual, com outra
criança, com um pequeno grupo, com todo o grupo - e permite oportunidades de aprendizagem diversificadas, tendo em conta as diferentes áreas de conteúdo." (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1997:40) Neste jardim de infância, ainda que possa ser alterada, as crianças têm consciência da rotina diária e sabem quase sempre o que vai acontecer no momento seguinte.
A rotina deste grupo começa na zona de acolhimento, com uma pequena conversa acerca do que foi feito no dia anterior na sala ou no fim-de- semana, no caso da segunda-feira. As crianças acabam por partilhar momentos do seu quotidiano que estão (ou não) relacionadas com o tema de conversa.
A educadora tenta que as crianças descubram o que foi planeado para esse dia, dando pistas, lendo poemas, mostrando imagens, fazendo assim com que as crianças desenvolvam a sua linguagem.
Após esta conversa em grande grupo, são marcadas as presenças e as crianças deslocam-se para a sala, onde tomam o reforço alimentar da manhã, conversando entre si, promovendo assim a interação social.
As crianças fazem as tarefas planeadas para esse dia ou as que não foram terminadas no dia anterior. Em alguns dias da semana têm atividades como a educação física e a música, que substituem parte do tempo destas tarefas.
Após o almoço e o descanso as crianças podem terminar a tarefa iniciada de manhã ou caso já a tenham terminado, escolhem uma área para explorar.
Sempre que durante uma atividade existe desarrumação, são as crianças que arrumam os objetos no seu devido lugar. Quer seja numa atividade de grande grupo, quer seja numa atividade de pequeno grupo. Existem alguns materiais que estão etiquetados e outros que não, no entanto, as crianças mostram saber onde é o lugar de cada uma das coisas.
Durante esta semana em contexto, não foi possível observar as crianças no exterior. Em conversa com a educadora e por observação do espaço exterior foi possível constatar que o espaço proporciona às crianças liberdade para se envolverem em vários tipos de atividades físicas, desde a corrida livre,
ao jogar futebol, andar de baloiço, escorrega, utilizar os equipamentos de trepar.
4.2.2 Creche
O grupo da Sala Laranja da Instituição Particular de Solidariedade Social onde foi realizada a Prática de Ensino Supervisionada é constituído por 10 meninas e 7 meninos com idades compreendidas entre os 2 e os 3 anos.
O grupo de crianças é acompanhado diariamente por uma educadora e uma ajudante de ação educativa.
Relativamente às principais características deste grupo, no geral é um grupo bastante curioso, motivado e trabalhador, que se mostra sempre pronto para realizar qualquer atividade.
Este grupo mostra desde cedo sentimentos de amizade, respeito e partilha. Existem no entanto algumas situações de conflito entre as crianças, nada anormal nestas idades, situações esta provocadas por eles mesmos. Estas surgem normalmente em momentos de brincadeira, onde algumas crianças ainda não são capazes de partilhar objetos. Este grupo mostra-se ainda bastante participativo nos diálogos, querendo sempre partilhar as suas vivências e experiências.
4.2.2.1
Organização
do
espaço
e
materiais
de
aprendizagem e rotina diária
O espaço está dividido por áreas, sendo estas a área da biblioteca, a área das construções e de jogos de chão e a área da casinha.
Tanto no Jardim de Infância como na Creche é importante que o espaço seja estimulante para as crianças.
A sala oferece um ambiente seguro, acolhedor e saudável para as crianças. Existem janelas grandes de dois lados da sala, que deixam entrar bastante luz natural, proporcionando às crianças uma vista para a área exterior
e para a rua, mantendo-se assim, indiretamente em contacto com o exterior e existem umas janelas interiores que permite a interação com as salas do lado. Existe ainda um sistema de ar condicionado que mantém a sala a uma temperatura agradável para todos, durante todo o dia.
Todo o espaço da sala é utilizado de forma livre pelas crianças e os materiais disponíveis são manuseados à vontade. Estes estão disponíveis e ao nível das crianças, para que estas possam utilizá-los sempre que pretenderem. Existem produções das crianças expostas no exterior da sala, num local próprio para esse fim mostrando desta forma às crianças a importância do seu trabalho.
A área exterior tem um tamanho bastante grande, fazendo com que todas as crianças tenham liberdade de movimentos e se sintam à vontade para realizar todas as suas necessidades motoras. Esta é de fácil acesso a partir de vários locais na instituição, através das grandes janelas e também através das salas. Esta área é fechada, utilizada apenas pelas crianças da instituição onde estas se encontram protegidas visualmente do tráfego. O chão é coberto por relva artificial, com um pequeno parque infantil com baloiços, escorregas e túneis adaptados à idade destas crianças. A zona de relva artificial torna possível o amortecimento do impacto em caso de queda. Durante o tempo quente as árvores existentes no espaço protegem as crianças do sol.
A rotina destas crianças é estabelecida pelo adulto, no entanto, em qualquer momento que seja necessário, esta pode ser alterada para respeitar o ritmo das crianças. Apesar da possibilidade de alteração, as crianças têm alguma noção da rotina e sabem que momentos sucedem outros.
A rotina deste grupo começa na zona de acolhimento, com uma pequena conversa acerca de algum tema que tenha chamado a atenção de alguma criança. É cantada a canção de bons-dias e é explicado às crianças o que vai ser trabalhado nesse dia.
Após este momento, as crianças dirigem-se a uma zona exterior à sala, onde tomam o seu reforço alimentar.
As crianças retornam à sala e realizam as tarefas propostas para esse dia. Em alguns dias da semana têm atividades como a educação física e a música, que substituem parte do tempo destas tarefas. Quando o tempo
meteorológico assim o permita, as crianças brincam no exterior até à hora de almoço.
Após o almoço e o descanso as crianças podem terminar a tarefa iniciada de manhã ou caso já a tenham terminado, escolhem uma área para explorar ou dirigem-se para o exterior.