Ulisses acerca dos poucos prêmios que recebe, na hora da partilha dos despojos; Heitor
promete aos troianos recompensas para o que conseguir se aproximar das naves argivas;
Dolão propõe a Diomedes e a Ulisses objetos de ouro, para não ser morto por eles; Idomeneu
oferece a Meríones armamentos que foram subtraídos dos heróis troianos que caíram mortos
em batalha; Heitor compromete-se a dar metade do espólio de Pátroclo para aquele que
conseguir arrastar para dentro das muralhas de Tróia o corpo do efebo, bem como oferece a
Aquiles, antes de morrer pelas mãos deste, muito ouro, para que o seu cadáver fosse restituído
a Príamo:
“[...] Tebas, cidade sagrada de Eecião foi por nós assaltada,
completamente destruída e espoliada das muitas riquezas. Com eqüidade foi tudo entre os homens Aqueus dividido [...]”. (HOMERO, 2002, I, v. 366-368, p. 68) Heitor, avançando para eles, falou-lhes:
“Ora, guerreiros Troianos, grevados Acaios, vos digo
o que vos manda propor Alexandre, fautor desta guerra: Pede que todos os homens Aqueus e Troianos deponham as belas armas na terra, nutriz de infinitos guerreiros, para que possa no meio do campo lutar com o discípulo de Ares, o herói Menelau, por Helena e suas muitas riquezas. O que provar que é o mais forte, vencendo o adversário na luta, leve consigo os tesouros e a casa conduza a consorte.
Com juramento firmemos nós outros a paz duradoura”.
(ibidem, III, v. 85-94, p. 106) Cai o guerreiro [Adrasto] de bruços, bem junto da roda do carro, indo de boca no chão; logo perto se achou dele o louro
filho de Atreu, Menelau, com sua lança de sombra comprida. Passa-lhe os braços à volta dos joelhos Adrasto e suplica:
“Ó Menelau, não me mates; aceita resgate condigno.
Em meu palácio, meu pai acumula preciosos tesouros, bem trabalhados objetos de ferro, e ouro e bronze abundantes. Meu genitor te dará, de boamente, um resgate elevado,
quando souber que me encontro com vida nas naus dos Aquivos”.
Isso disse ele, abalando, sem dúvida, o peito do Atrida,
que já inclinado se achava a entregá-lo a um dos servos, que o fosse para os navios velozes levar (ibidem, VI, v. 42-53, pp. 164-165).
“[...] Nem Agamémnone, certo, nem outro qualquer dos Aquivos,
conseguirá convencer-me, pois graça nenhuma me veio de meu esforço incessante ao lutar contra os nossos imigos. Tanto ao ocioso, que ao mais esforçado, iguais prêmios são dados;
as mesmas honras se outorgam ao fraco e ao herói mais galhardo. Morre da mesma maneira o inativo e o esforçado guerreiro. Vêde! Nenhuma vantagem me veio de tantos trabalhos,
a pôr em risco a existência nos mais temerosos combates [...]”. (ibidem, IX, v. 315-322, p. 222)
Tendo-os ali reunido, [Heitor] propôs-lhe sensato conselho:
“Qual dentre vós quererá pôr em prática o plano que tenho,
para ganhar alto prêmio? Obterá recompensa condigna. Um belo carro de guerra, com dois ardorosos cavalos, os do mor preço das naves velozes Acaias prometo
a quem ousar – alta glória, com isso, há de obter, por sem dúvida, – aproximar-se das naves de curso veloz, porque vejam
se ainda os Aqueus continuam guardando os navios velozes ou se alquebrados por causa das perdas que a todos levamos, e pelo extremo cansaço vencidos, combinam a fuga,
sem se importarem de a guarda noturna fazer neste instante”.
Isso disse ele; os presentes calados e quedos ficaram.
Um tal Dolão entre os Teucros se achava, nascido de Eumedes, O divo arauto; muito ouro, de fato, possuía, e, assim, bronze. Exteriormente era pouco agradável, porém velocíssimo. Com cinco irmãs, era ele o único varão no palácio. Vira-se, então, para Heitor e os Troianos e diz o seguinte:
“Meu coração e meu ânimo, Heitor, destemido, me levam
a aproximar-me das naves de curso veloz para espiá-las. Quero, porém, que, primeiro, me jures, alçando o teu cetro, que me darás cavalos e o carro de adornos de bronze que nos combates Aquiles conduz, o guerreiro admirável. Tua confiança verás confirmada; não sou mau escula, pois pretendo ir pelo campo inimigo, até perto da nave do grande Atrida Agamémnone, onde quiçá, se reuniram
para pensar no dilema: ou fugir ou aceitar o combate”
(ibidem, X, v. 302-327, pp. 244-245) Dolão, entre lágrimas, disse:
“Não me mateis; aceitai meu resgate, que em casa possuo
bem trabalhados objetos de ferro e ouro e bronze abundantes. Meu genitor vos dará de boamente um resgate elevado,
quando souber que me encontro com vida nas naus dos Aquivos”.
(ibidem, X, v. 377-381, p. 246) Idomeneu, dos Cretenses o chefe, lhe disse, em resposta:
“Lanças, se tal desejares, não uma, somente, mas vinte
dentro da tenda acharás, encostadas no muro esplendente. Lanças Troianas são todas, tomadas dos nossos imigos, pois nunca luto a não ser frente a frente com meu adversário. Por isso tenho abundância de lanças, de escudos copados,
elmos e belas couraças que vivo fulgor irradiam”.
Disse-lhe, então, em resposta, o prudente escudeiro Meríones:
“Tenho, também, belo espólio tomado dos Teucros, na tenda e no navio anegrado [...]” (ibidem, XIII, v. 259-268, p. 303).
Para animá-los, [Heitor] profere as seguintes palavras aladas:
“Tribos sem conta de nossos vizinhos e aliados, ouvi-me!
Não foi por causa do número, ou para vos ter ao meu lado que vos chamei das cidades nativas e aqui vos conservo; mas para que de bom ânimo as Teucras esposas e os filhos nos defendêsseis do ataque dos fortes guerreiros Acaios. Por isso esgoto o meu povo, exigindo alimentos e dádivas, para que todos possais lutar sempre com zelo extremado.
Sem vacilar, pois, deveis atirar-vos de encontro ao inimigo, Para viver ou morrer, que esta é a sorte de toda batalha. Quem conseguir arrastar para Tróia o cadáver de Pátroclo e o Telamônio obrigar a afastar-se, metade do espólio
de minhas mãos obterá; para mim, há de ser a outra parte [...]”.
(ibidem, XVII, v. 219-231, p. 394)
“Por teus joelhos, tua vida, por teus genitores, suplico
não consentires que, junto das naves, aos cães atirado
seja o meu corpo. Ouro e bronze abundante, em resgate, recebe, quantos presentes meu pai te ofertar, minha mãe veneranda, e restitui o cadáver, que possam, em casa, os Troianos e suas jovens esposas, à pira funerária entregá-lo”. (ibidem, XXII, v. 338-343, p. 491)