Fonte: Adaptado segundo elaboração de Nelson Freire.
8.3 Aspectos conclusivos da interação U-E na Região Sul
A partir dos dados apresentados, é possível afirmar que a Região Sul está em destaque inserida no contexto brasileiro com mais de 23% dos grupos de pesquisa e mais de 28% de grupos de pesquisa com relacionamento. RS, PR e SC estão entre os seis maiores Estados brasileiros no que tange a quantidade de grupos de pesquisa que se relacionam com o setor produtivo evidenciando a grande estrutura institucional de ciências e tecnologia. Porém, observas-se que a taxa de crescimento dos dois grupos estão abaixo da média nacional. De 2002 a 2008 o Brasil teve uma taxa de crescimento nos grupos de pesquisa de 50,40%, enquanto a Região Sul apresentou um crescimento de 45,70%%. A taxa de crescimento das dos grupos de pesquisa com relacionamento no Brasil foi de 113,14% e o Sul ficou bem próximo, com 112,98%. Importante ressaltar nesta análise que os grupos de pesquisa tem se relacionado muito mais com o setor produtivo. De acordo com os dados, o ano de 2004, apresentou as maiores taxas de crescimento, aproximadamente 68%.
As Ciências Humanas representam a área do conhecimento com o maior número de grupos de pesquisa na Região Sul (1.070 em 2008) seguido pelas
Ciências da Saúde (836 em 2008). Este ranking segue o nacional. No que diz respeito a grupos de pesquisa com relacionamento as Engenharias se destacam com 265 grupos em 2008, seguido pelas Ciências Agrárias com 170 grupos em 2008. Seguindo também o posicionamento nacional, as duas grandes áreas que merecem destaque em quantidade de grupos de pesquisa com relacionamento no Brasil e na Região Sul são Engenharias e Ciências Agrárias, que representam respectivamente, 51,39% e 56,42% dos totais dos grupos de pesquisa com relacionamento. Os referidos setores são os que mais desenvolveram vínculos com as universidades, embora exista um grande potencial a ser explorado, visto no elevado grau de interação. Ao desagregar as 8 grandes áreas nas 76 áreas do conhecimento distintas, as áreas de Humanidades (Educação, História, Psicologia) possuem individualmente um número expressivo de grupos de pesquisa, mas com baixo grau de interação com o setor produtivo. Por sua vez, as áreas técnicas como as Engenharias (Ciência da Computação, Engenharia de Produção, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica) e as Ciências Agrárias (Agronomia, Medicina Veterinária) exibem menor número de grupos de pesquisa, mas com maior grupo de interação com o setor produtivo, assim, com maior aplicabilidade setorial. Algumas áreas do conhecimento tendem a interagir mais do que outras. Essas diferenças podem ser explicadas por meio da especialização dos grupos e instituições, mostrando que muitas vezes as empresas valorizam mais competência da instituição em uma determinada área do que a localização geográfica da mesma.
Os três principais tipos de relacionamento com o setor produtivo informados pelos grupos de pesquisa foram pesquisa científica com consideração de uso imediato dos resultados, transferência de tecnologia e pesquisa científica sem consideração de uso imediato dos resultados. Juntas representam aproximadamente 63% do total dos tipos de relacionamento identificadas pelos grupos de pesquisa nesta Região.
Das 10 instituições localizadas na Região Sul, com maiores grupos de pesquisa, a UFRGS tem destaque. O RS possui, além da UFRJ, outras 3 instituições estão neste ranking: PUCRS, UFSM e UFPEL. O PR apresenta 5 universidades: UEL, UFPR, UEM, UTFPR e UNIOESTE. Apenas a UFSC é representante de SC, porém está em segunda colocação, com 422 grupos de pesquisa em 2008, o que demonstra uma elevada concentração em uma única
universidade neste Estado. Com exceção da PUCRS que é de natureza jurídica Privada, as outras nove instituições são Públicas Estaduais e Federais.
SC é o Estado da Região Sul que vem crescendo de forma mais tímida na quantidade de grupos de pesquisa (35,27% de 2002 a 2008), abaixo das médias regional e nacional. Mesmo assim revela sua importância, como o sexto Estado em número de grupos de pesquisa que interagem com empresas (184 em 2008) no ranking nacional. O Estado catarinense destaca-se o nível nacional e regional, principalmente no que tange o grau de interação dos grupos de pesquisa, cuja média é de 17,20% em 2008, acima das médias apresentadas no Brasil (11,96%), na Região Sul (14,58%), e a densidade de interação, que e, 2008 foram de 1,97 unidades por grupos de pesquisa, acima da média nacional (1,66) e regional (1,82). Estes fatores são bastante variáveis entre as grandes áreas de conhecimento. Dentre as 10 áreas desagregadas, as áreas com maior interação são as Ciências Agrárias, com ênfase para a agronomia, e as Engenharias, com ênfase nas engenharias de produção, elétrica, mecânica e Ciências da Computação, que juntas representam mais de 47% dos grupos relacionados no Estado refletindo o resultado natural e histórico da estrutura econômica nacional. Os principais tipos de relacionamento entre os grupos de pesquisa e as empresa são pesquisa científica de uso imediato dos resultados e transferência tecnológica. Há uma forte presença de instituições públicas mantendo relacionamento, com destaque para a UFSC, que possui elevado grau de interação entre os grupos de pesquisa com o setor produtivo de 17,77% e densidade de interação de 2,57, em 2008. Os principais benefícios do relacionamento: novas redes de relacionamento e novos projetos de pesquisa. As principais dificuldades de relacionamento: custeio da pesquisa e falta de conhecimento das empresas das atividades realizadas pela universidade.
O PR é o grande destaque na taxa de crescimento dos grupos de pesquisa. O nível nacional é o quinto Estado que possui grupos de pesquisa com relacionamento. De 2002 a 2008 cresceu 79,87% na quantidade de grupos de pesquisa e 160,22% nos grupos de pesquisa com relacionamento, acima da média regional (45,70% e 112,98% respectivamente) e acima da média nacional (50,40% e 113,14% respectivamente). Se permanecer neste ritmo, logo assumirá como o Estado da Região Sul que possui o maior número de grupos de pesquisas.
O RS é o destaque da Região Sul a nível nacional assumindo a segunda colocação, ficando atrás apenas de São Paulo, na quantidade de grupo de