Neste capítulo foram apresentados diversos sistemas segundo duas vertentes principais: Os sistemas de localização geográfica de nós na rede ou sistemas de geolocalização IP e os sistemas de localização relativa e virtual na rede. Apesar de estes dois grupos de siste- mas serem relativos a localizações para nós da rede, é necessário distingui-los e definir quais as contribuições que sistemas de um e de outro tipo podem dar.
Os sistemas de localização geográfica de nós da rede permitem inferir uma localização física estimada dos nós participantes, dado o seu endereço IP, estimativa essa, cuja preci- são depende sobretudo do método usado, mas também das condições relacionadas com a topologia da rede em que os nós se encontram.
Devido ao facto de os sistemas de localização geográfica IP relacionarem os endereços IP com a suposta localização física dos nós em causa, estes apenas servem esse mesmo pro- pósito especificamente, não sendo os métodos mais indicados para obter uma função de
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distância válida na rede. Isto deve-se ao facto de a topologia de rede não se poder relacio- nar directamente com a topologia física terrestre, sendo que essa relação é de facto bastan- te pobre. A situação concreta na qual dois nós se encontram fisicamente próximos mas cuja distância em rede, ou seja, a latência, é grande ocorre de uma forma frequente, o que acontece devido a elementos variados: pouca capacidade das ligações, tempo perdido em filas de espera, ou simplesmente porque apesar de os nós poderem estar próximos fisica- mente, estes poderem pertencer a domínios diversos. Tendo em conta estes factores, é possível inferir que não será simples obter uma função de distância adequada para estabe- lecer relações entre localizações virtuais ou sintéticas, que reflictam a topologia de rede através dos sistemas de geolocalização IP.
Para além destes factores, os sistemas de geolocalização IP não podem facilmente ser tes- tados em ambientes que não tenham alguma associação com a rede real, isto é, com loca- lizações físicas reais associadas aos nós participantes, ou em alternativa usando conjuntos de dados reais onde essa associação esteja presente, sendo que nesse caso as localizações físicas devem ser consistentes com as latências entre os nós. Isto obrigaria à existência de vastos e rigorosos conjuntos de dados, recolhidos na Internet, o que não existe disponível ou cuja veracidade não pode ser confirmada facilmente.
Os sistemas de localização virtual na rede (virtual network location systems) podem ser vistos segundo duas perspectivas distintas mas que visam providenciar algum tipo de loca- lização relativa na rede, havendo uma divisão entre os que produzem uma modelação aproximada da rede usando coordenadas virtuais e os que apenas se focam em distâncias relativas tendo em conta uma função de proximidade em termos de latência que geralmen- te se baseiam em medições no momento.
No caso dos sistemas de proximidade relativa que foram estudados existem alguns impe- dimentos à integração em ambientes de teste, nomeadamente no caso do sistema IDMaps. Como já foi referido, este sistema depende de uma infra-estrutura de implementação difí- cil e que não está disponível, pelo que não seria possível replica-lo. Em relação ao sistema Meridian e ao sistema Netvigator, cujas naturezas possuem algumas semelhanças, a difi- culdade não se prende com o ambiente de teste ou com infra-estruturas, até porque tal como os sistemas de coordenadas virtuais, estes também fazem uso das latências entre os nós para estimarem a proximidade. Neste caso, é a integração com o sistema LiveFeeds (que será descrito no capítulo seguinte) que é mais difícil. O sistema Meridian, por exem- plo, apenas permite obter em cada momento, um subconjunto de nós que se encontram
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próximo de um dado nó, no entanto, o sistema LiveFeeds funciona como um sistema full
mesh em que cada nó pode comunicar directamente com qualquer outro nó, sendo que, no
caso do algoritmo de difusão do LiveFeeds os nós com os quais se vai comunicar em seguida são determinados por uma selecção de entre um intervalo de identificadores (estes processos são descritos em mais pormenor no capítulo seguinte), pelo que seria necessário ter um modo de relacionar todos os nós entre si, o que não vai de encontro ao modo de funcionamento de um sistema com as características, quer do sistema Meridian como do Netvigator, estando mais de acordo com os sistemas de coordenadas virtuais, que permi- tem em cada momento e de forma imediata obter um relacionamento entre quaisquer nós participantes, dado pelas suas coordenadas virtuais estimadas.
A modelação da rede pelos sistemas de coordenadas virtuais tem o objectivo simples de para cada par de nós, em cada momento, ser possível conhecer uma estimativa da latência sem ter de efectuar medições caso a caso, isto porque esse tipo de medições seria muito caro para a rede ou até mesmo impossível, pela sobrecarga que causaria.
Assim, tendo em conta os impedimentos verificados para os restantes sistemas, restam os sistemas baseados em coordenadas virtuais, que podem ser considerados como as alterna- tivas mais consistentes para serem testadas neste contexto, visto que apenas baseiam a sua estimativa de localização virtual em medições de latência, posicionando os nós entre si de acordo com essas mesmas medições.
Nos capítulos seguintes são apresentados, o sistema LiveFeeds e os resultados da sua inte- gração neste sistema de alguns dos algoritmos estudados neste capítulo, sendo finalmente apresentados resultados sobre os melhoramentos que possivelmente estes possam trazer ao algoritmo de difusão do sistema LiveFeeds. Como é possível verificar nos capítulos seguintes, dos vários algoritmos apresentados neste capítulo, apenas dois destes foram integrados e fazem parte do estudo que se segue, neste caso, versões dos algoritmos GNP e Vivaldi. As razões que levaram à escolha de apenas estes e não de outros algoritmos, prendem-se com vários factores, os quais passarei a enunciar em seguida.
Tanto o algoritmo GNP como o Vivaldi, são sistemas que produzem coordenadas sintéti- cas ou virtuais tendo por base as latências entre os diversos nós. Devido a esse facto, estes sistemas permitem uma fácil integração em ambientes de teste diversos.
Mesmo usando apenas sistemas baseados em coordenadas virtuais, existiriam outros sis- temas que poderiam fazer parte do estudo que se segue, no entanto, tal seria muito com-
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plicado, dado o tempo que existe disponível para completar esta dissertação. Daí, ter-se optado por escolher dois sistemas representativos sistemas de coordenadas virtuais, mas de paradigmas diferentes: o sistema GNP, mais estático e que usa nós especiais que não fazem parte dos nós participantes e o sistema Vivaldi, um sistema mais orientado ao para- digma peer-to-peer, sendo um sistema dinâmico e que não possui nós especiais para além dos que são participantes no próprio sistema peer-to-peer no qual esteja integrado.
Tendo em conta o que foi referido, o estudo que foi levado a cabo ao longo desta disserta- ção culmina, nos capítulos finais, com a análise dos resultados obtidos neste contexto e para os referidos sistemas, bem como a apresentação das conclusões que foi possível reti- rar desses mesmos resultados.
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