5. Teoretisk bakgrunn og metode
5.3 Stil
E agora? Depois do que ouvimos, observámos e concluímos, sabemos que ainda há muito para fazer.... Há crianças para abraçar, há colos para dar, há palavras que custam a ouvir, mas sabemos que virão... Enfim, há que elogiar todos os que trabalham na área da infância, e que o fazem bem, de forma abnegada, dando um pouco (muito grande) de si todos os dias, mas recebendo tanto em troca destes pequeninos. Há que tentar melhorar, mudar o que está menos bem e sobretudo lutar para que a protecção da infância funcione efectivamente. Para que o sistema de protecção à infância não fique parado por excesso de papéis, para que as crianças não continuem à espera de pais diferentes em que nunca se tornam os que eles têm...que as famílias sejam ajudadas e cuidadas também pelos técnicos da área social e da educação. Que os adultos tenham mais respeito pelas crianças e que as crianças tenham a oportunidade de ensinar mais aos adultos. Que as crianças sejam cuidadas como têm direito, para que tenham sempre oportunidade de exercer a sua (única) profissão: brincar.
No que toca aos organismos do Estado de protecção à infância, sobretudo as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, é essencial que haja uma reestruturação no seu funcionamento. Mais técnicos especializados na área da infância a tempo inteiro, menos burocracia, maior rapidez de acções e mais responsabilização dos técnicos que acompanham os casos.
Talvez fosse interessante estudarmos posteriormente os efeitos da intervenção na ABLA no percurso destas crianças. Será que conseguiu realmente eliminar-se a situação de perigo para as crianças? Será que as famílias e as crianças adquiriram e puseram em prática estratégias de empowerment para saírem do ciclo de pobreza persistente em que viviam? Quais as dificuldades encontradas, como ultrapassaram os obstáculos? Que mudanças isso teve na situação das crianças? Houve casos de sucesso? Questões ainda sem resposta, talvez perdendo-se o rasto de muitas destas crianças pela sua saída da ABLA no seu natural percurso escolar. Estamos conscientes que este estudo se cingiu apenas a uma instituição, não podendo ser extrapolado, e que outras poderão não trabalhar desta forma e ainda assim trabalharem bem na protecção da infância. Esta investigação é uma pequena contribuição na análise de um canto de todo um sistema de protecção à infância, mas que sendo numa instituição não tem completa autonomia para agir, mas trabalhando em parceria com órgãos estatais tem de esperar respostas desses órgãos, aguardar orientações sempre com o fim maior: atender ao superior interesse da criança.
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