5 IS som subkultur
5.3 Stil
interações encontros Organização Ordem Fonte: Morin (1997, p. 58)
A produção de conhecimento torna-se mais rica quanto mais ricas são as interações. A diversidade física e biológica, na sua natureza mais solidária, apresenta “a ideia e a imagem do fogo heraclitiano eructante, trovejante, destruidor e criador é precisamente a do caos original donde saiu o logos” (MORIN, 1997, p. 60). A pós- modernidade, que admite a incerteza nos processos de pesquisa e produção de conhecimento, nos fala de um novo universo que mantém sua generatividade, abalando os conceitos e associando os contraditórios. Assim, que estratégias adotar para que essa práxis se efetive?
Ao propor tessituras transdisciplinares, a presente pesquisa encontrou na complexidade a compreensão de que mais que pontes entre o mundo físico, biológico e cultural, os enraizamentos multidimensionais do humano perpassam o que está entre, através e além do conhecimento disciplinar. Nossa historicidade também é composta pelo sagrado. Portanto nossas referências espirituais e transcendentais produzem conhecimento que aliado à referência cognitiva integram a nossa esfera natureza-cultura. Continuo interessada em:
[...] pesquisar sobre a expressão poética, como a poética do ser criativo, que é capaz de fazer um engenho, um invento, a partir do que já existe, nunca do nada. Isto resulta na capacidade de instituir outra coisa, de re-elaborar suas ideias e a experiência do sensível. É importante dizer que neste caminhar quero evidenciar a expressão criativa que está presente na arte, por meio das suas poéticas, compreendendo a arte como expressão que pode ser vivida na vida cotidiana. Esta, em particular, é a que me interessa porque é a expressão que nos leva a uma estética compartilhada onde o sujeito se autoriza a mostrar sua singularidade. (SILVA, 2008, p. 71-72)
Na poéise dos triângulos as linhas triangulares delinearam a estrutura, avançamos para os anéis até chegar à forma espiral. Assim, foi concebida uma matriz de ciclo.
Figura 14 - Matriz de ciclo
Fonte: elaboração da autora. Brasília, inverno de 2013.
A imagem sintetiza alguns princípios do Método da Complexidade selecionados para a criação das estratégias em Educação Ambiental e para desenvolver a metodologia da ecoformação pesquisa. Os campos de sentido foram o cotidiano escolar, envolvendo as relações interpessoais, o espaço construído e o espaço natural. A partir desses campos, a escola foi pensada como um ambiente estético que dialoga com seu entorno: Brasília e o Cerrado. Toda a articulação metodológica para a formação humana pretende o diálogo sujeito-intérprete que coopere com a visão de um ser mais sensível e um modo de encarar a vida com mais cuidado e respeito pelos seres vivos, estabelecendo um laço entre as estratégias com o ser no mundo da pedagogia Freireana. E foi assim que a Carta da Terra (In GADOTTI, 2010) constituiu o conjunto de princípios e atitudes trabalhados nas oficinas ecopedagógicas. O movimento da Carta da Terra na perspectiva da Educação e pela “Ecopedagogia” (GUTIÉRREZ; PRADO, 2002) esclarece o tema sustentabilidade e favorece o exercício de uma “Cidadania Planetária” (GADOTTI, 2010).
•Inter-relação – sistema- organização •Físico-biológico- cultura/ ordem- desordem- organização/ eco- auto-organização •autos, indivíduo, sujeito •lógicas concorrentes e contraditórias O principio dialógico A reintrodução do sujeito no processo do conhecimento é
uma das teses centrais do pensamento complexo. O principio holográfico que reconhece não apenas a parte no todo, mas o todo na
parte. Esferas e anéis
A poéise dos triângulos baseada na complexidade e na abordagem triangular constituiu a leitura analítica e interpretativa dos registros, envolvendo a observação existencial participante.
A observação participante existencial foi compreendida na pesquisa como uma abertura à parceria, à colaboração e nos encaminhou para uma atitude de reciprocidade na construção de novas vias interpretativas. Para elaboração desse roteiro foram considerados os objetivos e as questões da pesquisa e os espaços formativos.
1. Clima e interação nos encontros de formação, nas rodas de conversa e conversações.
2. Receptividade das atividades corporais.
3. Compreensão sobre os conceitos e princípios trabalhados.
4. Atividades do pesquisador coletivo: organização e elaboração dos registros. 5. Expressão de ideias e sentimentos.
6. Nível de participação e debates. 7. Atitude de colaboração.
8. Envolvimento no planejamento das ações (realizadas a cada encontro e Semana da Educação para a Vida).
O sistema analítico-interpretativo compreendeu as rodas de conversa, as conversações, a observação participante, enquanto os eventos aconteciam e ao final da pesquisa. A seguir demonstro como essas interações se articularam e me orientaram a criar o triangulo<>espiral.
2.3.1 Triangulo<>espiral: o sistema analítico-interpretativo da experiência
Para a análise interpretativa e compreensiva de toda a dinâmica do processo ecoformativo, considerei: os diários, as conversações, as oficinas ecopedagógicas, a participação dos agentes culturais e também as expressões artísticas individual e coletiva. A relação entre o rigor e a flexibilidade de análise a partir de uma abordagem multirreferencial e de uma escuta sensível das falas e múltiplas expressões das subjetividades envolvidas foi fundamental. Assim, considerei o que Barbier (2002) recomenda: que a interpretação seja sistematizada por meio da análise das práticas, discursos e produtos.
A descrição densa ou indexada da experiência coletiva constituiu a base interpretativa com a utilização da análise do conteúdo emergente. Esse entrelaçamento dos significados foi sistematizado, respeitando como foi proposto pelo pesquisador coletivo nos registros e demais elementos do processo ecoformativo. Nesse momento, pluralidade, densidade, detalhamento e contextualização foram os
recursos portadores da confiabilidade da pesquisa. Também considerei como lentes interpretativas as seguintes vias: abordagem multirreferencial - Ardoino (1998); o olhar clínico e a escuta sensível - Barbier (2002); pertinência metodológica - Macedo (2012); movimento dialógico - Morin (1997); contexto e campos de sentido - Barbosa (2009).
Deste modo, foi possível compor um sistema interpretativo espiral e recursivo para chegar às unidades de significado e constituir as categorias. Trata-se de mais um anel na perspectiva moriniana complementar à poiése dos triângulos e que eu batizo de triangulo<>espiral: