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4 Funn

4.1 Kvaliteter i relasjon med jevnaldrende

4.1.2 Stigma

Desenvolvemos nesta introdução as estruturas da terceira parte de nossa tese, cujo objetivo será explicitar a presença da lógica no discurso da Ação (1893) como uma mediação conceitual que abre a compreensão do texto e comprova sua coerência. Na primeira parte de nossa tese, uma apresentação sucinta da doutrina da Ação (1893) permitiuEnos localizar algumas “questões lógicas”, cujas respostas não são formuladas explicitamente no texto blondeliano, mas o sustentam implicitamente, como nós o comprovaremos. Por isso, Blondel pôde concluir sua tese afirmando haver uma lógica da ação e formulando o projeto de desenvolvêEla. Esta lógica pretende ser mais abrangente que a lógica do conhecimento puramente intelectual. Em nosso estudo do Princípio elementar, nós nos deparamos com esta pretensão e colhemos os elementos que a sustentam. Mas o fio de ouro de nossa pesquisa não é o da fundamentação da lógica abstrata. Desejamos, sobretudo, formular a estrutura geral dessa lógica concreta da ação, partindo do projeto presente na conclusão da Ação (1893) e dos esclarecimentos desenvolvidos em nossos dois últimos capítulos. Algumas observações podem ajudar a atualizar e sintetizar as investigações anteriores, lançandoEnos adiante.

a) No capítulo 4 de nossa tese, expusemos a relação entre a retrospecção, analítica e discursiva, e a prospecção, sintética e intuitiva. TrataEse de uma relação de adequação entre o pensamento e a ação. E esta adequação é retrospectiva, quando dirigeEse rumo ao pensamento que analisa a ação realizada, e é adequação prospectiva, quando orientaEse do pensamento para a ação que se realiza, numa síntese original. Ora, esse duplo movimento articula justamente o que é necessário ao que é voluntário em nós. Assim, a análise dirigeEse ao que sempre ocorre quando agimos voluntariamente e com sentido. Ela, portanto, explicita o que não pode ser negado cada vez que uma ação humana livre ocorre. O que se encontra sempre implicado no dado completo da vida. PodeEse conceber, portanto, o desenvolvimento

teórico da lógica da ação humana como uma investigação por implicação que, no que é voluntário e livre, discerne e determina o que é requerente e necessário.

b) Ao apresentarmos a privação positiva, compreendemoEla como o princípio elementar, ou seja, universal e necessário, de toda vida moral em geral, o que, em Blondel, significa toda a vida propriamente humana. Este princípio se encontra, portanto, implicado sempre e necessariamente, no movimento prospectivo em que nos realizamos. Ademais, Blondel concebera um estudo da privação, distinguindo os três momentos do desenvolvimento de uma ação: privação antecedente ou obrigação, concomitante ou opção e conseqüente ou sanção.

A análise discursiva deveria, assim, encontrar a privação antecedente (ou obrigação) implicada em cada um dos grandes campos da ação. Esta privação é um princípio de geração, que guia, acompanha e avalia a constituição de cada ordem de sentido necessária à realização humana. Blondel a chama igualmente, do ponto de vista da vontade, de exigência virtual e nós podemos aproximáEla do conceito de potência, embora a doutrina da ação argumente que o ato realizante abre a um conhecimento e a uma presença que não estão virtualmente contidos na potência em questão. Há uma novidade e um conhecimento que só podem vir da ação, decorrentes da privação concomitante ou opção, que determina os valores escolhidos e os preteridos num arranjo original. Finalmente, essa opção realizada implica uma privação conseqüente ou sanção, que é a adequação ou inadequação prospectiva entre o pensamento e a vida, em cada campo de ação ou ordem de sentido. Estes grandes campos da ação são vividos por nós em atitudes definidas.

Ora, todo este campo semântico de privações antecedentes, concomitantes e conseqüentes encontraEse referido ao conceito blondeliano de norma, o qual temos utilizado de maneira bastante livre. Mas é necessário observar que este só foi claramente adotado por Blondel progressivamente, ou melhor, só progressivamente Blondel o destacou de seu discurso, no qual, no entanto, sempre esteve presente. Na Ação (1893), o emprego do termo “norma”, recobrindo o conceito em questão, só ocorre uma vez e num contexto bastante delimitado187. O conceito, no entanto, atua constantemente no texto, mas Blondel utiliza preferentemente a palavra “lei” para designáElo. Só pouco a pouco nosso autor percebe que “norma” é um tesouro lingüístico e filosófico, evitando certas ambigüidades ou restrições que “regra”, “lei”, “cânon” e mesmo o termo “normal” carregam em si. Não iremos nos ater a esta

evolução ou às considerações blondelianas sobre os termos concorrentes a “norma”188. BastaE nos entender aqui o conceito: segundo Blondel, a norma encontraEse imanente a cada ser humano. Ela o orienta e o estimula. Ela é, para utilizar um termo caro a nosso autor,

requerente. E o que ela requer, em todos os casos, é uma transcendência da ação. Ela é

inviolável, mesmo quando parece ser violada, pois integra o juízo e a sanção inerentes às ações humanas, sempre situadas num horizonte de sentido da vida. Ela inclui um elemento de

valor em tudo o que se faz e não se faz, em toda decisão e ação livre. E ela se adapta a todas

as realizações humanas, determinando, assim, normas singulares a cada campo de nossa existência. Imanente em cada consciência, ela é capaz de gerar uma espécie de casuística do individual, ou seja, de realizarEse numa vida, conforme as luzes e capacidades de cada um. E, portanto, ela torna relativa toda casuística geral e torna insuficiente toda regra meramente externa. A vigência da norma na realidade humana conduz cada agente a buscar em si mesmo a confirmação e a razão que o levam a agir. A norma, nesse sentido, recolhe o conceito de autonomia, embora ela seja vivida como o que, na consciência humana, não é o resultado de uma iniciativa humana, mas que suscita e orienta toda iniciativa. A norma é, pois, um dado da vida a ser assimilado pela reflexão estritamente filosófica.

c) O sentido da ação humana só se abre inteiramente como movimento de acolhida ao dom do ser, devemos também descrever a atitude necessária a tal acolhida. Propomos chamáEla de atitude transcendente. É esta atitude que possibilita a passagem do conhecimento necessário do ser ao conhecimento real do ser. O conhecimento necessário é da ordem da representação ou, podemos agora entender, da retrospecção analítica e discursiva, enquanto o conhecimento real é da ordem da presença ou da prospecção sintética e intuitiva. A atitude transcendente recapitula todas as outras atitudes humanas e as superEdetermina como lugares possíveis da doação. Mas ela não é uma negação simples das demais, as quais propomos reunir agora sob o nome de atitude imanente. A atitude transcendente inclui a atitude imanente, com todas as suas normas requerentes, normas que a análise declarou necessárias à vida humana. TrataEse, portanto, de uma nova prospecção que abre ao dom do ser e que deve, assim, reordenar a vida humana engajada no mundo, com suas exigências indeclináveis, segundo a norma própria à acolhida do dom.

188 Na obra publicada de Blondel, somente em 1935 encontraEse uma consideração completa sobre a questão, nas

p. 237E252 de O Ser e os seres. No entanto, Blondel já havia recolhido os elementos desta consideração em seu curso inédito de 1909E1910, cujos esquemas, por nós consultados, encontramEse no Centre d’Archives Maurice Blondel, XLVIII/9, A, 29001E29083.

Esta atitude permitirá ultrapassar a forma dicotômica do problema da ação, posto no início de nossa tese, no contexto do conflito pessimista. Então, a “solução positiva” parecia dever formularEse de maneira excludente: de um lado, “o resto possuído no nada do ser, no desprezo do invisível e do ‘sobrenatural’” ou, de outro lado, “a via do ser no nada do resto, no desprezo de todo objeto dos sentidos e da ciência”189. A conclusão da investigação conduzirá Blondel, a uma conciliação dessas duas vias: a adesão ao fenômeno ou, o que é o mesmo, aos seres finitos, numa obediência às normas que os constituem, é a via de abertura ao ser. O abuso dos seres é fechamento ao ser. Assim, não se pode aderir aos seres sem consentir no ser e viceEversa. A lógica constituída a partir da privação positiva é capaz de justificar essa relação entre os seres e o ser, entre imanência e transcendência, guiando a constituição de uma atitude transcendente.

Estas observações mais gerais podem ser contidas no seguinte esquema comentado que nos guiará na redação da terceira parte: