2 Omtale av instituttene og rapport for bruken av basisbevilgningen
2.5 Stiftelsen Frischsenteret for samfunnsøkonomisk forskning
Por meio dos critérios de êxito que incidem sobre os diversos GDs é possível observar que os blogs em geral não se resumem a um gênero discursivo. Trata-se de uma categoria que traz à cena os enquadramentos que estão situados “acima” do gênero. Segundo Maingueneau, dispositivos “tais como ‘diálogo’, ‘carta’, ‘diário’... não podem ser consideradas como gêneros de discurso” (MAINGUENEAU, 2010, p. 131). Para o autor, os blogs podem ser caracterizados dessa maneira.
O autor afirma que “na realidade, ‘blog’ é uma categoria que atravessa categorias temáticas (pessoal, institucional, comercial, educacional...) e impõe rígidas restrições formais” (idem ibidem), ao mesmo tempo em que a cenografia assume um papel central. É preciso destacar que, para ele,
A cenografia é ao mesmo tempo a fonte do discurso e aquilo que ele engendra; ela legitima o enunciado que, por sua vez deve legitimá-la, estabelecendo que essa cenografia onde nasce a fala é precisamente a cenografia exigida para enunciar como convém, segundo o caso – a política, a filosofia, a ciência –, ou para promover certa mercadoria” (MAINGUENEAU, 2013, p. 98).
O blog é, com efeito, um dispositivo comunicacional fortemente influenciado pelo mídium. Ele submete os blogueiros a algumas coerções técnicas variáveis inclusive em função do suporte em que o site pode ser materializado. Desse modo, Maingueneau (2010, p. 132-133) afirma que o enfraquecimento das coerções
genéricas dá lugar ao fortalecimento das cenografias, que passam a assumir uma posição central: elas tornam-se o elemento crucial para encenar a comunicação de acordo com as estratégias de quem escreve.
Além disso, a concepção clássica de gênero não leva em consideração a dupla hierarquização da estrutura comunicacional da web: “a hierarquia dos suportes materiais e a hierarquia dos componentes da cena de enunciação” (MAINGUENEAU, 2010, p. 132). Dessa maneira, pode-se afirmar que os blogs englobam dispositivos comunicacionais, isto é, GDs extremamente diversos que, a priori, não poderíamos listar exaustivamente.
Assim, para compreender o sentido do hipergênero blog é necessário retomar a noção de cenografia, uma vez que ela é a unidade que impõe coerções mais efetivas a ele. Antes disso é necessário observar um detalhe nas reflexões de Maingueneau (2010, p. 131) acerca dos blogs, que abre espaço para uma pertinente discussão. Para o autor, o blog “é uma espécie de hipergênero típico, cujas propriedades comunicacionais são mínimas: alguém (com um nome próprio) fala sobre si mesmo(a) para alguém que esteja visitando seu website”. Com isso, é possível observar que o autor considera o blog apenas como um diário online, retomando o surgimento do dispositivo, descrito no primeiro capítulo desta dissertação. No entanto, ainda que a presente reflexão dissesse respeito apenas ao blog como escrita íntima, por se tratar de uma mídia, seria necessário levar em consideração a distância constitutiva entre o caráter privado da escrita íntima e o caráter público de seu modo de existência. No caso de blogs profissionais, destinados a comunidades discursivas específicas, essa ponderação faz-se ainda mais necessária, uma vez que as cenografias de um blog profissional relacionam-se a gêneros ligados a debates públicos.
Nessa trilha, invocamos as análises de Maingueneau (2006, p. 115-135) em seu artigo “Cenografia epistolar e debate público”, que se centram em “cenografias de carta privada em gêneros epistolares que visam agir sobre o debate público”. Sobre essa distinção o autor afirma que:
A cena genérica epistolar encontra-se em pé de igualdade com seu estatuto, seu modo de intervenção, ao passo que a carta provada servindo de cenografia a um gênero do debate público mantém por natureza uma tensão com um gênero do debate público com seu modo de intervenção (MAINGUENEAU, 2006, p. 120).
Com efeito, compreende-se que as características da unidade hipergênero podem perpassar os gêneros e subgêneros de diferentes blogs. Sabe-se, por exemplo, que hipergêneros como cartas, diários e diálogos “podem ser usados durante longos períodos e em muitos países” (MAINGUENEAU, 2010, p. 131). O sentido da expressão “longos períodos” pode, no entanto, ser relativizado durante a observação das estruturas da web. As constantes inovações tecnológicas tornam suportes e softwares obsoletos em menos de uma década, por exemplo. Desse modo, as alterações na estrutura dos websites podem transformar as condições de comunicação de acordo com as novas restrições técnicas. Trata-se de um meio infiel em que blogueiros precisam lidar com ambientes técnicos de diferentes naturezas, relativas aos diferentes mídiuns em que seus blogs precisem circular, além do ambiente humano e cultural, que influencia diretamente no desenvolvimento dos suportes materiais. Em resumo, pode-se dizer que os blogs renormalizam a teoria clássica dos hipergêneros, ao relativizar a cronografia tradicionalmente atribuída ao blog em um mundo caracterizado por uma grande heterogeneidade de dispositivos comunicacionais sujeitos a uma rápida obsolescência.
Por outro lado, ainda que atravessados por características e coerções inerentes ao hipergênero blog, os blogs profissionais podem ser caracterizados como GDs, uma vez que podem ser vistos como dispositivos de comunicação sócio- historicamente definidos por um contexto de exacerbação do capitalismo flexível, do surgimento de uma economia da internet, entre outros fatores já discutidos no primeiro capítulo da presente pesquisa.
Retomando a questão das cenografias, pode-se observar que, dado o seu papel central para os blogs, o processo de comunicação também depende da construção e legitimação do quadro enunciativo. No caso de um blog profissional, especialmente, isso não é o suficiente para que sua finalidade seja atingida. Maingueneau (2013, p. 104) afirma que “toda fala procede de um enunciador encarnado; mesmo quando escrito, um texto é sustentado por uma voz – a de um sujeito situado para além do texto”. Essa fala implica certa representação do corpo de seu enunciador. Trata-se do ethos, noção que será discutida a seguir.