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SINTEF Teknologi og samfunn

2 Omtale av instituttene og rapport for bruken av basisbevilgningen

2.15 SINTEF Teknologi og samfunn

A predominância das redes no mundo contemporâneo coloca em xeque categorias e conceitos tradicionais, como as relações de poder; e as categorias básicas da vida, como tempo e espaço, são desconstruídas. A interação local-regional-global expressa um mundo em que os processos ocorrem em tempo real no espaço global do planeta, modificando a relação tempo-espaço “físico” das pessoas. Essa nova (e atual) fase do capitalismo, denominada de cibercultura, se estrutura nas redes interativas de comunicação, que por sua vez estruturam uma nova geografia e fazem das cidades extensas teias de telecomunicações avançadas. O sistema comunicacional cibercultural transforma radicalmente o espaço e o tempo. O espaço local fica despojado de suas características geográficas e culturais para se reintegrar na rede, como um espaço de fluxos. O tempo é ignorado, como se fosse apagado, e a rede vive um tempo intemporal, em que passado, presente e futuro interagem na mesma mensagem e o tempo é planetário, não importa a hora. O local comporta o território, no entanto é plural, porque integra dimensões múltiplas e não se esgota na comunidade local, passa por apropriações e está sujeito a múltiplas interpretações.

A ideia de que o mundo está ficando cada vez menor parece suficientemente clara. As palavras de Gilberto Gil, na canção “Parabolicamará”, ilustram bem esse processo de

22 Efeito borboleta é um termo referente à teoria do caos, no qual, segundo a cultura popular, uma borboleta ao bater as asas numa localidade poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um vendaval do outro lado do mundo.

flexibilização do espaço, em decorrência do avanço tecnológico. Ele diz: “antes o mundo era pequeno, porque a terra era grande. Hoje o mundo é muito grande porque a terra é pequena”.

Nesta sociedade globalizada, a informação circula quase que instantaneamente, não importa a distância. É a “dromocracia cibercultural” conceito citado por Trivinho (2007), em seu livro de mesmo nome que explica a fase do capitalismo atual articulado pela velocidade dos meios de comunicação e tecnologia digital. A internet encurtou o ciclo da informação, modificando o tempo da mesma. A notícia pode ser estocada por muito tempo, com custos irrisórios e a infraestrutura dessa rede se expande como uma imensa teia que cobre o mundo todo. Seu território não está mais demarcado ou protegido – a informação não se prende às fronteiras, nem à ideologia.

Para Trivinho (2007), é o processo de glocalização da existência humana em que glocal é uma junção de global com local. O termo é resultado da hibridação dos termos global e local, não prevê o isolamento ou a precedência de uma dimensão em detrimento da outra. A palavra não pode ser entendida como globalização, nem localização separadas e é diferente do conceito utilizado na administração mercadológica. “A aglutinação significante e a mescla de sentidos que marcam o glocal fazem dele invenção tecnológica de imbricação de processos contrastantes” (TRIVINHO, 2007, p. 242) e isso sem que se desfigure sua nova natureza. É outra palavra – e não pode ser reduzida nem a um, nem a outro termo já que eles se mesclam. O glocal é relação social e depende integralmente dessas determinações de unir a informação global no local. O fenômeno glocal surge com o advento das telecomunicações – se inicia com o telégrafo que é primeiro meio que torna possível a comunicação em tempo real (troca simultânea entre recepção e emissão) - e suas imposições são percebidas de maneira crescente com as novas tecnologias do virtual. É uma comunicação instrumental a distância, isto é, aquela que é mediada por máquinas. Neste recorte, presente especialmente no último quartel do século XIX, já estão disponíveis todos os elementos da condição glocal atual:

[...] equipamentos de telecomunicação, infra-estrutura de rede (pressupostas aí as estações de processamento, codificação e decodificação informacional), acoplamento entre ser humano e máquina, procedimentos de emissão e recepção, tempo real, fluxo(sonoro e/ou imagético) de sentido e não-sentido, espectralização da interação humana, desejo comunicacional (de abordagem da alteridade como espectro, isto é, como som, imagem, texto, ícone etc), e assim por diante. (TRIVINHO, 2007, p. 245).

Hoje, a comunicação a distância mediada por máquinas é a saga planetária glocal, enfatiza Trivinho. A partir da cibercultura, da ação bidirecional em tempo real, da dependência entre humano e máquina, o fenômeno glocal desponta com mais veemência, gerando conexões ainda mais significativas do simbólico e do imaginário que nutrem o glocal.

Com a ascensão da globalização econômico-financeira das nações e a explosão dos regionalismos/localismos político-culturais, juntamente com a velocidade da comunicação e interação na rede, o glocal aparece como ele é,

[...] um fenômeno comunicacional de (con)fusões em cadeia que, numa síntese intelectiva, admite ser assim expresso: um bunker de acoplamento corporal e simbólico-imaginário entre ser humano e máquina processado no lugar de acesso como ambivalência representativa do contexto local e umbelicalmente vinculado aos conteúdos da rede como dimensão representativa do universo global. (TRIVINHO, 2007, p. 248).

O autor esclarece que há aqui uma bidimensionalidade do mundo glocal, uma divisão de dois centros simbólicos de gravitação: um material e outro imaterial; um o universo dos lugares, o outro, o campo dos não lugares. Para ele:

Essa clivagem bidimensional do mundo é tecnologicamente ‘resolvida’ pelo processo de glocalização, e isso de maneira tal que os dados se dados se rearranjam como se nada de fundamental e de inédito na história tivesse ocorrido. As tecnologias que respondem pela cisão estrutural são as mesmas que, ato simultâneo, reconjuntivam os dois flancos e operam em prol da obiteração da própria cisão. (TRIVINHO, 2007, p. 250).

Como as tecnologias que dividem são as mesmas que refundem o processo é invisível aos usuários. Esse novo rearranjamento traz consequências não só para os meios e para a comunicação, mas também para a própria vivência do cotidiano e dos espaços, reprogramando toda a vida humana com as tecnologias do tempo real.

A reprogramação do espaço e do tempo reduz o espaço geográfico, em termos absolutos, ao lugar imediato de acesso, ao agora, que se reduz ao tempo real, num fluxo infinito, sem começo nem fim, numa ordem sucessória, como em um tempo atemporal. Assim, o espaço se anula porque se pulveriza num tempo que, finalmente, vai se revelar como

“nada”, é somente a tela luminosa da interface, “o espaço é zero porque não é senão tempo- luz, tempo que é luz continuamente expressa” (TRIVINHO, 2007, p. 256).

O que é presente é sempre um fluxo imagético-informacional, uma interface que tecnologicamente converte o tempo em espaço social e temporaliza o espaço geográfico, ou seja, a interface se parece com um “buraco negro”. O campo percepcional se volta totalmente para isso, na medida em que estamos totalmente imersos e a consciência centra-se na tela.

A glocalização do local é a localização que representa a ordem global, especialmente estruturada por meio de equipamentos em rede, sejam meios de comunicação massivos ou ciberculturais. Isso vai significar a transformação obrigatória de todos os pontos do globo em zona de acesso/recepção/retransmissão, independentemente das fronteiras terrestres e políticas, passando a existir aí, somente barreiras eletrônicas, significando a presença do poder comunicacional em todos os locais da atuação humana. O conceito de cidade é insuficiente para dar conta da glocalização da existência, pois passa a moldar as culturas ao articular essa nova localização tempo-espacial das redes. O conceito de civilização midiática, glocal ou glocalizada, por sua vez, diz respeito a um modelo que depende das mídias. Esses meios – de massa e telemáticos – ao mesmo tempo em que habitam as cidades estão fora delas.

Uma nova tecnologia modifica a natureza do homem porque desloca o horizonte de sua compreensão. O processo de glocalização insere o contexto glocal na cultura e assim rearranja o espaço geográfico, ao vinculá-lo com o global. Esse rearranjo traz mais uma característica dessa nova sociedade; o contexto glocal se transforma num bunker.