Resultater og diskusjon
4.6 Sterkeste bølgelengde
Outra fonte possível de problema para a nova sociedade seria a sua estrutura social. Como vimos, o estrato mais baixo da sociedade poderia advir do surgimento de um grupo formado por pessoas errantes, o qual poderia absorver as ideologias referentes à decadência e ao fim do modo de vida pós-industrial. Esse grupo tenderia a viver em cidades, onde provavelmente não conseguiriam controlar a política, apesar de exercerem forte pressão e vetarem alguns programas. Esse grupo poderia, ainda, aliar-se, de forma intranqüila e instável, com a classe-média superior, ou seja, com as pessoas que continuariam a controlar a estrutura econômica e a utilizar os recursos da cidade. Nas cidades também haveria, possivelmente, um aumento de concentração de negros, aumentando a incorporação deles à classe média, apesar da militância dos negros muçulmanos. Então, de forma contraditória, alguns valores dos negros muçulmanos, como aqueles voltados ao trabalho, poderiam fazer com que muitos negros saíssem da “cultura da pobreza”576, adquirindo, assim, atitudes e ocupações da classe média americana. Então, com esse processo completo, o racismo islâmico poderia diminuir ou
574 KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, ., p. 202-203. 575
Ibid., p. 208. 576
Entendida como as perspectivas a curto prazo e a ênfase no prazer e na sobrevivência imediatos, KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 203.
desaparecer, reduzindo, com isso, o alto número, nos anos 60, de conflitos raciais sobre questões como moradia e educação577.
A classe média inferior, por sua vez, teria uma semana de trabalho reduzida, dando uma atenção especial ao lazer. Apesar de ter as satisfações básicas atendidas, as pessoas dessa classe poderiam ter outros empregos para complementar a renda. Por outro lado, alguns poderiam não se motivar a esse ganho extra, estando mais preocupados em ocupar o tempo com lazer. Existiria, por fim, aqueles que poupariam dinheiro para poderem realizar passatempos mais custosos ou para imitar alguns comportamentos das classes mais altas. Todavia, os autores acreditam que esse grupo constituiria um mercado potencialmente consumidor de esportes, hobbies e de formas de recreação em massa. Tal fator, contudo, poderia causar a degradação e a vulgarização da cultura. Essa classe poderia, ainda, ser contrária aos direitos civis, assim como contrária às classes pobres e aos não-empregados, os quais seriam vistos como “seus sustentados”. Eles, então, provavelmente apoiariam as políticas conservadoras578.
A classe média superior tenderia a imitar o estilo de vida da aristocracia rural do século XIX, enfatizando a educação, viagens, valores culturais, residências caras, entretenimentos onerosos e um modo de vida erudito e de boas maneiras. Haveria, de forma geral, grandes esforços para acumular propriedades e renda. Porém, isso não significaria o abandono das cidades e dos grandes centros urbanos, pois, para tal, seriam necessárias grandes quantidades de dinheiro. O auto-aperfeiçoamento seria valorizado, assim como o diletantismo cultural, aproximando-se do modelo grego/europeu. Os autores esperavam, nesse grupo, uma continuidade das tendências de riqueza nos subúrbios, resultando em padrões de vida auto-indulgentes, com casamentos instáveis e filhos alienados. Além disso, o interesse por pensamentos políticos estranhos e exóticos, assim como pelo misticismo oriental, poderia crescer. O culto ao estético e uma recusa aos aspectos “sujos” ou “crassos” da sociedade também poderiam ocorrer. Atitudes de descaso poderiam aparecer aliadas com o desprezo à classe média inferior e com o medo dos pobres e de sua inclinação à violência. O nobre selvagem (ou o hippie), como aquele que vive fora dos valores da sociedade, em uma pobreza voluntária e até em alguma forma de criminalidade, poderia aparecer romantizado. Para os futuristas, as duas classes médias, apesar de poderem possuir uma renda superior a que
577
KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 203-306. 578 Ibid., p. 206-207.
possuíam nos anos 60, não se sentiriam ricas e, por isso, poderiam manter valores, ainda que um pouco deteriorados, voltados para o trabalho, para o progresso e para a realização579.
Os muito ricos poderiam comprar proteção contra as inconveniências, porém, não se veriam livres da confusão cultural e dos conflitos de normas. Além disso, devido ao seu poder social, teriam grandes responsabilidades, podendo existir, em alguns grupos, um senso de
noblesse oblige que poderia ser compartilhado com alguns membros da classe média
superior580.
De forma geral, então, entre todas as classes, os conformistas trabalhariam, desejariam empregos rentáveis e pouco exigentes e aguardariam a aposentadoria prematura. O padrão de vida hip poderia vir a ser mais comum em todas as classes, menos na média inferior. Além disso, vários indivíduos se manteriam a partir dos recursos de amigos, de parentes e de outras fontes oportunistas de renda. No caso da classe média superior, haveria também os que se esconderiam por trás da pretensa criatividade artística581.
Na esteira dos símbolos da rebelião e do inconformismo, os jovens, também como decorrência da alienação e da anomia, estariam inclinados a modismos extremos de comportamento, como a exageros nas idéias políticas, éticas e religiosas. Seriam, portanto, auto-indulgentes e alienados, características, estas, resultantes da identidade conturbada característica da adolescência, acrescida da confusão e da ausência de normas na sociedade. A falta de preocupação com valores morais e éticos e a falta de responsabilidade na conduta pessoal estariam combinadas com sentimentos de perturbação decorrentes das contradições entre as prósperas nações ricas e a falta de prosperidade das nações pobres. O pacifismo e os pensamentos antipatrióticos apareceriam, então, ao lado de um forte sentimento de que a vida dos americanos é muito preciosa para ser perdida fora dos EUA, ou mesmo lá582