2.2 Radiomics
2.2.3 Step 3: Feature Extraction
A sinistralidade laboral é avaliada através de diversos índices que ajudam a caracterizar a organização relativamente aos acidentes de trabalho e as suas consequências, independentemente da sua origem, mas excluindo os acidentes de trajecto por não se relacionarem directamente com o desempenho da organização ao nível da prevenção. Para este tratamento estatístico da sinistralidade na organização utilizam-se índices de sinistralidade, os quais permitem avaliar quantitativamente o seu desempenho no que respeita à segurança nos locais de trabalho. Os índices utilizados são o índice de frequência, índice de gravidade e índice de incidência.
Índice de Incidência - Expressa o número de acidentes com baixa por cada mil trabalhadores É um índice utilizado para comparações internacionais (OIT). Este índice permite avaliar o desempenho das empresas no que respeita ao número de acidentes ocorridos, independentemente da sua
gravidade. É utilizado para comparações sectoriais e internacionais. O seu significado é equivalente ao do índice de frequência, sendo menos rigoroso mas mais simples de calcular.
Índice de Frequência - Quantidade de acidentes ocorridos na organização ou no estabelecimento, independentemente da sua gravidade. Representa o número de acidentes ocorridos por milhão de horas-homem trabalhadas. Este índice permite avaliar o desempenho das empresas no que respeita à frequência com que ocorreram acidentes, independentemente da sua gravidade.
Índice de Gravidade - Gravidade dos acidentes ocorridos na organização ou no estabelecimento. Este índice permite avaliar o desempenho das empresas no que respeita ao impacto dos acidentes ocorridos. A gravidade dos acidentes ocorridos dá uma medida das perdas causadas na organização pela ocorrência de acidentes. Representa o nº de dias úteis perdidos por acidente em cada milhão de horas trabalhadas.
Índice de Duração – É o número médio de dias perdidos por cada acidente, realçando a gravidade dos acidentes ocorridos.
Foram apurados os seguintes dados, relativos á ISM no período de 10 anos, entre 2002 e 2011:
Nota: Representa o número de acidentes por cada 1000 trabalhadores.
II = nº de acidentes com baixa x 1.000
nº de trabalhadores
Índice de Incidência
Nota: Representa o número de acidentes com baixa por milhões de horas trabalhadas
IF =nº de acidentes com baixa x 1.000.000 nº de horas trabalhadas Índice de Frequência
Nota: Representa o número de dias úteis perdidos por 1.000 horas trabalhadas
IG = nº de dias perdidos x 1.000 nº de horas trabalhadas
Índice de Gravidade
Nota: Representa o número de acidentes com baixa por milhões de horas trabalhadas
ID = nº de dias perdidos nº de acidentes Índice de Duração
Quadro 4 - Índices globais anuais de sinistralidade, ISM, Média 10 anos (2002 a 2011)
Gráfico 1 – Nº Acidentes, Acidentes com e sem baixa, por ano (2002 a 2011)
Gráfico 2 – Representação Gráfica dos Índices de Sinistralidade verificados entre 2002 e 2011
Estes indicadores são uma fonte de informação sobre os acidentes ocorridos na ISM, embora para uma análise mais aprofundada das causas e gravidade, fosse necessária uma análise mais aprofundada e articulada com outros elementos de estudo mais detalhados. Os índices (II, IF, IG, ID) apurados pela organização, são os índices definidos pela OIT; sendo o seu apuramento obrigatório, tem por objectivo fornecer dados comparáveis entre empresas, sectores, etc. Nº Trab. Nº Horas Trabalhadas Nº Acidentes Acidentes Mortais Acidentes S/ Baixas Acidentes c/ Baixa Dias Perdidos Ano II IF IG ID 2002 173 317.687 25 0 13 12 203,00 69,36 37,77 0,64 8,12 2003 164 289.165 17 0 6 11 209,00 67,07 38,04 0,72 0,00 2004 140 246.216 10 0 4 6 127,00 42,86 24,37 0,52 0,00 2005 144 251.205 11 0 4 7 248,00 48,61 27,87 0,99 0,00 2006 163 281.309 18 0 5 13 220,88 79,75 46,21 0,79 0,00 2007 191 331.392 10 0 2 8 224,44 41,88 24,14 0,68 9,00 2008 185 330.629 28 0 10 18 167,85 97,30 54,44 0,51 167,85 2009 175 301.057 19 0 7 12 241,44 68,57 39,86 0,80 12,71 2010 144 266.424 13 0 6 7 68,75 48,61 26,27 0,26 0,00 2011 124 230.168 6 0 3 3 48,69 24,19 13,03 0,21 8,11 Média Anual 160 284.525 15,7 0 6 9,7 176 60,51 34,09 0,62 11,20
No quadro 4 estão representados dados relativos à ISM que demonstram a evolução da sinistralidade durante o período de dez anos, decorrido entre 2002 e 2011. Podemos constatar que o número de trabalhadores manteve-se sem alterações significativas, bem como o número de acidentes. O número mais baixo de acidentes de trabalho foi 6, registado em 2011 e o ano com mais acidentes foi o de 2008, com 28 acidentes registados. O número médio de acidentes, relativo ao período de 2002 a 2011, foi de 15,7 acidentes por ano, sendo que 6 são acidentes que não deram origem a baixa, 6,9 acidentes implicaram a ausência do trabalhador (com baixa), o que equivale a 176 dias de trabalho perdido por ano devido a acidentes de trabalho. O número de dias perdidos oscilou entre 48,69, no ano de 2011 e 248,00 no ano de 2005. A relação entre o número de acidentes com e sem baixa, manteve alguma regularidade ao longo da década em estudo. Constata-se um elevado número de acidentes de trabalho em 2008, coincidindo com o segundo ano com maior número de horas trabalhadas, o que levou a um aumento dos índices de sinistralidade. Como o número de trabalhadores foi diminuindo ligeiramente desde 2009, assim como o número de acidentes de trabalho, os índices relacionados também diminuíram neste período.
No estudo sectorial realizado pelo Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro para o IAPMEI – Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas, o índice de incidência verificado para o sector metalúrgico e metalomecânico é superior ao valor de referência para a indústria transformadora, 91,3 contra 79,71. No que respeita ao índice de avaliação de gravidade, o valor de referência para o sector de indústria metalúrgica de base e produtos metálicos é de 28,7 e para o sector de fabrico de máquinas e equipamentos é de 25,3.
Índice de Incidência (II) Índice de Gravidade (IG)
Indústria
Transfor. Sector MM ISM Ind. Transf.
Ind. Metal. Base/Prod. Metálicos Fabrico Maquinas e Ferramentas ISM 79,71 91,3 60,51 ____ 28,7 25,3 0,62
Quadro 5- Tabela comparativa de índices de incidência e de gravidade da ISM e do sector MM Fonte: Estudo Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro para o IPMEI, 2010
Comparando o valor do índice de incidência da ISM, quer com o da indústria transformadora em geral, quer com o do sector metalomecânico, pode-se considerar que o desempenho da ISM foi positivo neste período de 2002 a 2011.
CLASSIFICAÇÃO Índice de Frequência (IF) Índice de Gravidade
OMS ISM OMS ISM
Muito Bom <20 ____ <0,5
Bom 20 a 40 34,09 0,5 a 1 0,62
Médio 40 a 60 ____ 1 a 2
Mau 60 a 100 ____ >2
Comparando os índices de frequência (34,09) e de gravidade (0,62) da ISM em 2006 com a tabela classificativa emitida pela Organização Mundial de Saúde, pode concluir-se que o desempenho da ISM no período de 2002 a 2011, foi BOM.