A Hipótese do contato surgiu na década de 1950, nos EUA, quando no cenário se destacavam grandes conflitos de natureza racial. No capítulo 2, que fala do preconceito e os comportamentos de discriminação, discutiu-se também as primeiras microteorias psicossociológicas para sua explicação.
A hipótese da importância do contacto entre grupos em conflito ou entre os seus membros apoiou-se, originalmente, num pressuposto teórico simples, enunciado no quadro do estudo das relações interpessoais (Newcomb, 1956, 1961; Heider, 1958) e da atracção interpessoal (e. g. Byrne, 1969): a atração decorre do grau de semelhança percebido entre dois indivíduos. (Monteiro, & Vala, 2000, p. 435)
A hipótese do contato sustenta-se na afirmação de que se pessoas de grupos diferentes passarem a estabelecer um maior número de contatos entre si, o grau de preconceito tenderá a diminuir substancialmente. Esta hipótese, aos nossos olhos, recebe um bom suporte empírico, entretanto, é importante a atenção para o que pode causar a distorção de duas variáveis com
importância decisiva: a circunstância em que ocorre o contato e as características dos participantes, e acima de tudo o status de cada um deles e as suas habilidades particulares.
Independente de tais circunstancias restritivas, admite-se que a realização de atividades cooperativas de grupos multiculturais produz mudanças em vários níveis, incluindo as atitudes relativas ao outro grupo, a intensificação do comportamento de ajuda às pessoas do outro grupo étnico, a redução dos conflitos e um acréscimo na participação de influenciação dos membros do grupo minoritário (Stephen, 1986). Entretanto, se estudos desta natureza tendem a depor a favor da viabilidade da adoção dessa estratégia, outros indícios não permitem este otimismo: muitas vezes a intensificação de contatos físicos pode acirrar os ânimos e levar à adoção de comportamentos discriminatórios (LabPsic, 2013, p. 23).
Nesse caso, a hipótese mais plausível de se adotar é o reconhecimento de que não será o puro e simples contato, por si só, que irá gerar transformações que possam levar à redução dos preconceitos, sendo necessário, adotar estratégias de contato relativamente complexas para que se possa obter algum sucesso na redução dos mesmos (Guerra, 2002, p. 239).
Na organização de contatos intergrupais, é interessante seguir uma postura moderada, independente de aceitar ou não essa perspectiva, reconhecendo a sua complexidade e destacando os pontos de interesse teórico e empírico, cujas regras poderiam ser:
1. Maximizar a cooperação e minimizar a competição entre os grupos; 2. O status de todas as pessoas envolvidas deve ser o mesmo;
3. Selecionar membros que possuam similaridade em dimensões tais como as crenças e valores;
4. Diferenças significativas no campo das competências individuais devem ser evitadas;
6. Oferecer um forte suporte institucional;
7. Os contatos intergrupais devem se expandir além dos limites da situação em que as atividades forem desenvolvidas;
8. Promover a individualização de cada um dos componentes do grupo;
9. Encorajar contatos mais profundos, sustentados através de uma postura mais aberta para as diferenças em relação ao outro grupo;
10. Os contatos devem ser voluntários;
11. O contexto em que ocorrem os contatos parece estar diretamente relacionado com a presença ou não de efeitos positivos;
12. Os contatos devem ocorrer em um número significativo de contextos e envolver o maior número possível de participantes de todos os grupos;
13. Deve-se utilizar número semelhante de indivíduos em cada grupo envolvido no contato (Stoer, 1986).
Para outros, como Ramos, Vala e Pereira (2008, p. 257), em diferentes tipos de contato podem produzir diferentes efeitos na forma como o preconceito se manifesta, por exemplo, o contato próximo, cooperativo e de igual status entre membros da maioria e membros da minoria - no local de trabalho - pode trazer resultados positivos, enquanto, formas mais causais de contato, facilitadas pela mera presença de membros das minorias, podem maximizar sentimentos negativos.
Aos olhos de Monteiro e Vala (2000), os diferentes grupos em contato permitiriam que os seus membros descobrissem que entre eles há mais semelhanças do que pensavam – a exemplo: nos sentimentos, nos valores ou nas atitudes. Essa descoberta, de acordo com a teoria de atração interpessoal, possibilitaria a compreensão mútua, e depois de contatos bem
sucedidos e repetidos, poderia permitir a criação de condições favoráveis à interação cooperante.
Quando os grupos de seres humanos se encontram, normalmente, passam por quatro fases sucessivas de relacionamento (Allport, 1954), ocorrendo progressivamente e com frequência, tendo seu inicio com um simples contato (1), que leva depois a uma competição (2) que em seguida dá lugar a acomodação (3) para finalmente chegar a assimilação (4). No entanto, esta evolução está longe de ser uma lei universal e nem é uma sequência irreversível. Seja ou não uma lei de progressão, certamente parece depender da natureza do contato que se estabelece (Allport, 1954, p. 262).
Na sua obra “The Nature of Prejudice” (1954), Gordon Allport afirmava que era necessário especificar em que condições o contato facilitaria a percepção de semelhança entre os membros dos grupos. Para preparar a averiguação dessas condições, “elaborou uma espécie de taxonomia dos fatores a estudar para viabilizar a hipótese do contacto” (Monteiro, & Vala, 2000, p. 436).
Gomes e Barbosa (2006, p. 85) dizem que não basta a presença dos deficientes em escolas regulares, excluídos em salas especiais, mas que sigam o princípio fundamental de que todos os alunos devem ser respeitados em suas diferenças e características, sejam elas quais forem. E, por isso, devem aprender juntos, independentemente de dificuldades ou limitações que possam ter, para que desenvolvam tanto conhecimentos acadêmicos quanto estratégias de convivência que amenizem suas limitações frente à sociedade, fortalecendo a amizade, o companheirismo, a colaboração e fundamentalmente a aceitação entre todos.
A tarefa de averiguar as condições do contato parece ser de enorme magnitude, ao que, Allport (1954) a fim de prever os efeitos do contato sobre as atitudes - pensou que idealmente deveriam ser estudadas - como as consequências de cada uma das variáveis que atuam tanto separadamente como em conjunto, daí, apontou uma lista de variáveis mostrando
a complexidade do problema. As variáveis apontadas por ele e não exauridas, compreende os aspectos: a) quantitativos - frequência, duração, número de pessoas envolvidas, variedade; b)
de status - inferior, igual, superior; c) vinculados com a função – competitiva, cooperativa,
subordinação; d) de atmosfera social - segregação/ igualitarismo, voluntário/ involuntário, real/artificial, percebido/ não percebido, típico/ excepcional, importante, íntimo/ trivial- transitório; e) de personalidade - preconceito-alto/baixo/médio, preconceito-
superficial/conformista/enraizado no caráter, seguro/temeroso/ desconfiado, experiência prévia, força do esteriótipo, idade, escolaridade, outros fatores; f) áreas de contato - casual, residencial, ocupacional, recreativa, religiosa, cívico e fraternal, político, atividade de boa vontade intergrupal.
Os resultados dos estudos efetuados no quadro dessa taxonomia apontam três fatores que, no nível de análise das relações intergrupais, seriam decisivos para a eficácia do contato na redução da tensão intergrupal: a paridade de status dos grupos, a comunalidade de objetivos a atingir e o apoio social/institucional envolvente (Monteiro, & Vala, 2000). Brewer e Brown (1998) apontam que as condições situacionais são fundamentais quando se trata de intervenções em contextos de antagonismo entre grupos. Os estudos realizados por Fritsche e Jonas (2005); Hewstone et al. (2006) sobre os efeitos do contato intergrupal demonstrou que quando os interesses entre grupos são compatíveis ou complementares, as reações ao invés de negativas, tendem a ser positivas - tolerância, justiça, amizade.
Miles (2000, p. 13), Gomes e Barbosa, (2006, p. 86) e Vieira e Siqueira (2010, p. 8) apontam que, em diversas culturas e contextos, as barreiras para a inclusão escolar podem estar relacionadas às pessoas direta ou indiretamente envolvidas, à ausência de recursos financeiros e materiais, à falta de conhecimento e informação e às características do próprio contexto.
Pelo pressuposto da teoria da atração interpessoal, que sustenta a hipótese do contato, a percepção de semelhanças é essencial para gerar ou aumentar a atração entre as pessoas, afirma Monteiro e Vala (2000), no entanto, parece estar associada a importância da informação sobre o outro grupo, de modo a diminuir a ignorância que origina o preconceito negativo. Embora a questão da informação sobre o outro grupo deve ser relativizada, tanto as semelhanças como as diferenças são importantes para compreender os efeitos do contato, devido a outras causas, de natureza cognitiva e emocional - sobre as quais o contato não tem qualquer influência -, ainda reside a preocupação em que é muito fácil passar da constatação negativa da diferença, para a discriminação, com base na mera diferença categorial; e processos cognitivos limitem a reaprendizagem da relação uma vez que o sucesso do contato passa pela receptividade da informação.
Embora o efeito do contato pareça favorável, sofre uma limitação intrínseca, levando as pessoas a considerar como uma coisa natural a situação particular em que o contato ocorre, e falham completamente em generalizar a sua experiência. Nesse sentido Allport (1954) diz que se pode, por exemplo, encontrar vendedores negros em uma loja e lidar com eles como iguais, embora mantenha o preconceito; ou seja, o contato em igualdade de status pode levar a uma dissociação, ou a atitude altamente específica sem afetar a percepção e os hábitos do indivíduo. O cerne da questão parece ser que o contato deve transcender o superficial para ser efetivo e alterar o preconceito, e que somente o tipo de contato que leva as pessoas a fazerem coisas juntas, com os mesmos objetivos, pode resultar em mudanças de atitudes.
Atitude é uma variável-chave, diz Kuester (2000), para determinar o sucesso da educação inclusiva - “Attitude is a key variable in determining the success of inclusive
education” (p. 88) - e pode ser definida como uma avaliação sumária - cognitiva e afetiva - de
benéfico, agradável ou desagradável, desejável ou indesejável (Gomes, & Barbosa, 2006, p. 87).
O princípio é claramente ilustrado no caso de uma equipe desportiva onde o objetivo é o mais importante, e a composição étnica da equipe é irrelevante. Cooperativa e solidariamente se esforçam para atingir o objetivo. Assim também, nas fábricas, bairros, condomínios, escolas, os interesses comuns são mais eficazes do que o simples fato de manter contato com status de igualdade. É também verdade que a solidariedade intergrupal pode ter seus limites, mesmo quando comungam dos mesmos interesses; e em situações extremas há limites até dentro de um mesmo grupo étnico.
Um dos fatores importantes para o sucesso da inclusão de um aluno deficiente é a interação deste com o professor. Entre as variáveis que influenciam as atitudes dos professores, a literatura científica tem se voltado para o tipo de professor, a natureza da necessidade especial, o gênero do docente, a experiência do professor, a experiência e o treinamento para trabalhar com deficiente, a presença de recursos necessários, o conhecimento sobre inclusão, o suporte familiar, atitudes em relação ao ensino em geral. Corrobora-se, como mostra ainda, mais a frente em nossa pesquisa, que atualmente uma das barreiras a serem transpostas pela política educacional inclusiva é a falta de recursos humanos habilitados para atuar nesta questão (Kuester, 2000, p. 89; Souza, 2009, p. 41).
A verificação empírica da importância da percepção de semelhança para facilitar a atração decorrente da tarefa de cooperação para atingir um objetivo desejável entre grupos, não tem sido linear, ao que “Sherif (1966) testou o efeito do contato cooperante na redução do conflito entre grupos de status idêntico, verificando a sua ineficácia na alteração dos estereótipos negativos e do comportamento de discriminação intergrupal” (Monteiro, & Vala, 2000, p. 439).
A equivalência do status na situação de interação corresponde a uma regulação social de nível situacional e a comunalidade de objetivos a uma regulação social de nível intergrupal, já o apoio social corresponde, a uma regulação social de nível institucional e que a hipótese do contato intergrupal não pôde deixar de ser considerada na redução do preconceito e da hostilidade (Monteiro, & Vala, 2000; Cabecinhas, 2002, p. 125). O efeito será muito maior se este contato contar com apoios institucionais, determinado por lei, costume ou um clima favorável, e desde que seja de uma espécie que leva à percepção humanística de interesses comuns entre os membros dos dois grupos (Allport, 1954, p. 281).
As pessoas normalmente pensam que conhecem os grupos minoritários, os homossexuais, os negros, os deficientes porque os encontram em muitos lugares. Mas os contatos casuais são suscetíveis de serem totalmente superficial. Onde o costume é a segregação, mesmo que disfarçada, os contatos são informais, ou estão firmes nas relações de subordinação ou superioridade. Allport (1954) diz indicar claramente que esse contato não afasta os preconceitos, mas pelo contrário parece provável que aumente - o fato do preconceito variar com a densidade numérica de um grupo minoritário apóia esta proposição - quanto mais contato, mais forte é o preconceito. Se examinar a situação perceptiva em um contato casual, teoricamente, todos os contatos superficiais que se faz com um membro de um grupo externo ao nosso, poderia fortalecer a “lei da frequência”, às associações mentais adversas que se tem - por associação de ideias, é provável que venha à mente uma lembrança de rumor, boato, tradição, ou estereótipo em que este grupo é conhecido, portanto, permite que o pensamento sobre o grupo permaneça em um nível “autístico” – não se comunica de maneira eficaz com o estranho, nem ele conosco.
Existem muitas maneiras de transmitir conhecimento sobre as pessoas e em contraste com os contatos casuais, a relação autentica faz diminuir o preconceito e a hostilidade. Se vê isso no ensino acadêmico nas escolas, nas quais muitos educadores acham que é melhor além
da transmissão de informações, procurar dar aos alunos uma experiência direta através de visitas técnicas (Roth et al., 2006, p. 15). Essa metodologia tem resultados para além do cunho prático dos conhecimentos transmitidos, mostrando que a experiência de viver e viajar juntos resulta em geral numa distancia social significativamente menor, porém uma relação mais estreita pode também depreciar uma pessoa, trazendo a luz defeitos reais de sua natureza. A relação pode não ser de forma perfeita, nem estar claro se o conhecimento provoca a amizade, ou se a amizade evita a aquisição de conhecimentos, o que é evidente é que há uma relação positiva. Conhecimento e familiaridade com membros de grupos minoritários contribuem para atitudes tolerantes e amigáveis. Neste ponto, segundo Allport, uma importante qualificação deve ser adicionada - o preconceito é refletido tanto nas crenças quanto nas atitudes.
Parece altamente provável que um maior conhecimento de um grupo minoritário conduz diretamente a um verdadeiro conjunto de crenças. Não se deduz que as atitudes vão mudar proporcionalmente. Alguém pode, por exemplo, aprender que o sangue “negro” não é diferente na composição do sangue “branco”, nem por isso aprendeu a gostar de negros. Ao que Allport (1954) conclui: contatos que trazem conhecimento e familiaridade são susceptíveis de gerar crenças mais sólidas a respeito de grupos minoritários, e por esta razão contribui para a redução do preconceito (p. 268).
Para Allport (1954), aqueles que têm contato mais próximo percebem menos diferença do que aqueles que são mais remotos. Indicando claramente, no caso do racismo, que brancos que vivem lado a lado com os negros da classe média em projetos sociais habitacionais, por exemplo, são, em geral, mais amigáveis, menos medrosos e estereotipados em suas opiniões do que os brancos que vivem segregados. Como em todas as generalizações, não é o simples fato de viver juntos, que é decisivo, mas é a forma resultante de comunicação que importa. Não se deve presumir que a habitação integrada
automaticamente resolve o problema do preconceito. No máximo, pode-se dizer que cria uma condição em que os contatos amigáveis e percepções sociais podem ocorrer.
Com relação ao contato profissional, os empregos que a maioria dos negros, e os membros de certos grupos minoritários ocupam, entre eles os deficientes, encontram-se nos mais baixos da escala ocupacional, implicando em baixa remuneração e status. Allport (1954) observa que os negros são geralmente não chefes, mas empregados; e que esse status diferenciado se acumula tornando-se um fator ativo na criação e manutenção de dados preconceituosos. No entanto, observou que entre estudantes universitários brancos percebe-se que nos empregos de igual nível ou superior aos mesmos estes tinham atitudes mais favoráveis. Igualmente se surpreende ao encontrar trabalhadores que conhecem os negros em cargos profissionais - médicos, advogados, professores - e que são muito menos preconceituosos do que aquelas que nunca encontraram os negros de classe ocupacional alta.
Aron e Loprest (2012, p. 116) observaram que salas de aula regulares são o cenário mais comum para o contato com os estudantes especiais em todas as faixas etárias, e os alunos mais velhos são mais propensos do que seus colegas mais jovens a gastar porções de seu dia de escola fora de suas salas de aula regulares, muitas vezes indo às salas de aula separadas para instrução especializada – onde se encontram os deficientes. Da mesma forma, alunos com deficiências de fala e linguagem, atraso no desenvolvimento, deficiências visuais e dificuldades de aprendizagem específicas são muito mais propensos a gastar grandes parcelas de seu dia em uma sala de aula regular, quando comparados com os alunos com retardo mental, deficiências múltiplas, ou o surdo-cego.
A missão oficial de quebrar a discriminação nos últimos anos tem sido buscada principalmente através da promulgação de leis, porém, elas não param automaticamente a discriminação. Pelo contrário, uma grande quantidade de “psicologia” é necessária para convencer os empregadores que seu negócio não irá sofrer, nem a sua organização ser
interrompida, por uma política de emprego mais liberal (Allport, 1954; Cabecinhas, 2002), como por exemplo, hoje, as cotas para deficientes. Uma lição aprendida é ser desejável a introdução dos trabalhadores de “grupo minoritário”, não só na parte inferior da escala de profissionais, mas nos escalões mais altos também. Curiosamente, quando a mudança é introduzida, sem levantar a questão para discussão, normalmente não há mais que uma onda de entusiasmo de curta duração, logo a nova política é aceita como uma coisa natural. Os recém-chegados são tolerados e respeitados, logo que seus méritos como indivíduos se tornam aparente.
Sem julgar os méritos relativos à técnica “democrática” e a técnica do “fato consumado”, Allport (1954) dá uma explicação dos mecanismos psicológicos envolvidos neste caso referindo que a maioria das pessoas tem uma atitude dupla com respeito a seus próprios preconceitos e que seu primeiro impulso é obedecê-los. Por que expor-se ao aborrecimento desnecessário votando em trabalhar, ou estudar ao lado de um negro, ou outro membro de uma minoria que não lhe agrada? Tal atitude é despertada muitas vezes por um traço de vergonha, tanto quanto é a competição limpa e autênticos valores de igualdade de oportunidades. É por esta razão que uma ação enérgica e direta que venha de “cima” é geralmente aceita depois de um período inicial de exaltação. O fato consumado é muitas vezes bem vindo se estiver em consonância com a própria consciência.
Com relação à paridade de status dos grupos, Monteiro e Vala (2000) surgem com a questão: os grupos devem ter status semelhante no contexto social amplo ou apenas na situação delimitada do contato? Esta autora responde citando que Allport (1954), Krammer (1950) e Pettigrew (1979) acentuaram a importância da igualdade de status dos membros dos grupos no quadro específico do contato, sustentando que a percepção de igualdade - de poder, de prestígio, de recursos - entre os grupos pode facilitar a atração entre os seus membros e reduzir os mútuos preconceitos.
Num contexto social mais amplo há quem defenda a igualdade de status além da relação delimitada pelo contato, por exemplo, os conflitos inter-raciais numa sociedade em que o racismo seja dominante, “as disparidades sociais entre os grupos são tão intensas que interferem em qualquer manipulação experimental restrita, anulando os seus efeitos” (Monteiro, & Vala, 2000, p. 437); ou seja, torna-se difícil induzir através do contato a semelhança desejável à redução dos preconceitos negativos e da hostilidade.
A hipótese de que o impacto da igualdade de status no contexto do contato restrito não depende apenas dos valores e representações dominantes do contexto amplo, mas pode ser conseguida mediante uma intervenção próxima sobre as expectativas mútuas em relação à interação. Pode-se até compreender o modo como os membros de grupos dominantes e dominados se posicionam na interação, se apoiar na teoria das expectativas, a qual o status social de um grupo se constitui como base do comportamento interacional. Porém a expectativa não é suficiente para que dominantes e dominados acreditem e esperem que seja igualmente capazes, o que mostra a complexidade do contato, e que, o mero contato entre grupos, sem a garantia de igualdade de status - real ou induzida - não facilita e ameniza os