A questão da interface tem sido amplamente discutida e debatida, não apenas por estudiosos, mas também pelos usuários dessas interfaces. É interessante que uma questão de fundo tão complexo desperte o interesse e a atenção de pessoas interessadas não em pesquisar o tema, mas simplesmente
diferentes instrumentos utilizados para o registro. Assim, permanece inalterada a unidade fundamental desse novo sistema gráfico.
A penetração e fixação dos povos germânicos no território do Império Romano levaram ao surgimento de diversos reinos, marcando o fim da autoridade imperial no ocidente.
entendê-lo, o que é bastante compreensível no caso da interface, uma vez que ela interfere na forma como o usuário se relaciona com o computador. Ela determina a forma como o usuário acessa os media objects, os manipula e visualiza.
Lev Manovich faz uso do termo human-computer interface (HCI), desenvolvido também por outros autores como Andy Downton e Clayton Lewis, para se referir ao conjunto de interfaces envolvidas no processo de uso do computador e da internet, pois o browser é apenas uma das interfaces mediadoras desse processo, uma camada complexa e diversificada se junta a ele. Manovich explicita que “The term human-computer interface describes the ways in which the user interacts with a computer. HCI includes physical input and output devices such as a monitor, keyboard, and mouse” (2001: 69). Seu conceito engloba não apenas os softwares e browsers, mas a própria estrutura física do computador, uma vez que este é o primeiro ponto de contato do usuário, e a interface mediadora entre o homem e os softwares.
Segundo a definição de Manovich o conceito de interface engloba o maquinário – com sua tela, teclado, entradas USB (Universal Serial Bus), etc. – o hardware – com sua linguagem de processamento, gerenciamento e organização da informação baseada em bits – os softwares – com suas possibilidades de acesso e manipulação de dados, ferramentas de trabalho específicas – e os browsers – mediadores do conteúdo disponibilizado no vasto universo da internet. Ora, esses quatro sistemas que compõem a interface são os mesmos que compõem o suporte digital, temos então uma mesma definição para dois termos diferentes.
Os povos bárbaros adotaram o latim e a escrita comum romana, mas não tiveram sobre elas nenhuma influência, tão pouco foram eles os responsáveis pela formação de grupos gráficos variados que surgiram nos séculos VI e VIII.
Assim, o termo interface e sua definição não anulam o termo suporte ou colocam de lado as questões por ele levantadas, mas antes, problematizam a própria definição de suporte e questionam a forma como o vemos e analisamos. A partir do conceito de interface, o suporte não pode mais ser pensado como um substrato físico, nem como um mecanismo isolado ou como um único processo de mediação entre o usuário e a informação disponível na rede. Ele passa a ser visto como uma cadeia de mediações, entre diferentes agentes e linguagens, uma rede de traduções e codificações, diversos planos que se entremeiam e se modificam, modelizando a forma como o usuário irá interagir e se relacionar com o conteúdo disponível na rede. O conteúdo e a sua forma de apresentação não podem ser dissociados, denunciando o caráter participativo e modelizador dessas entidades mediadoras, pois “To change the interface even slightly is to change the work dramatically” (Manovich, 2001: 67).
Posto que
In semiotic terms, the computer interface acts as a code that carries cultural messages in a variety of media. When you use the Internet, everything you access – texts, music, video, navigable spaces – passes through the interface of the browser and then, in turn, the interface of the OS. (Manovich, 2001: 64)
E uma vez que o suporte é, segundo o olhar e a definição adotada nesta pesquisa, o mediador entre a mensagem e o leitor, suporte e interface se apresentam como campos conceituais próximos. Assim procuramos nesta
As maiores transformações que ocorreram nesse período foram nas condições sócio-econômicas da arte de escrever. Com a diminuição das transações comerciais, desapareceram as confecções de produtos de luxo, a produção do pergaminho entrou em declínio e o uso da escrita sofreu uma diminuição considerável.
pesquisa não somente aproximar esses termos, mas atualizar a própria definição de suporte.
O suporte da internet é composto não apenas por suas interfaces, mas também pelas interfaces do computador envolvidas no acesso à rede, pois quando a internet deixou de ser restrita apenas ao poder militar e a instituições de pesquisa, ampliando sua presença para os lares dos cidadãos comuns, ela modificou a imagem que as pessoas tinham do próprio computador. Ele deixou de ser visto como uma mera ferramenta utilizada para processar signos, uma tecnologia específica, e passou a ser a media machine mediadora dos mais diversos tipos de produção cultural e artística, uma máquina utilizada não apenas para produzir e armazenar, mas também para distribuir e acessar signos e mídias. Todo o conteúdo acessado por meio da internet é processado pelo hardware do computador, através dos arquivos temporários. Atividades como organizar, criar e apagar arquivos temporários não são acompanhadas pelo usuário, a máquina realiza essas operações automática e invisivelmente, recebendo o conteúdo da rede, decodificando esse conteúdo e recodificando-o baseado em novos códigos. Embora não vejamos essas atividades, elas ficam gravadas na memória do computador, assim como o histórico das páginas visitadas na internet e, como são informações e arquivos de cunho temporário, após certo período são apagadas automaticamente pelo computador.
A linguagem de base do computador é o bit, um código numérico binário construtor de uma linguagem discreta. Todas as operações realizadas pelo computador (e isso inclui a utilização dos browsers e o acesso à internet) são necessariamente codificadas em bits. A linguagem HTML, composta por signos
Ela encontrou um reduto seguro dentro das muralhas dos mosteiros e das igrejas, que cresceram em tamanho e importância durante o período da monarquia.
A concentração da escrita nos scriptoria eclesiásticos levou ao surgimento de uma rica variedade local da escrita comum romana. Ao mesmo
alfabéticos e símbolos gráficos, também é uma linguagem discreta, a mediadora entre os bits e a imagem que vemos na tela. Assim, a HCI é discreta por natureza. “This language speaks in the form of discrete objects organized in hierarchies (hierarchical file system), or as catalogs (database), or as objects linked together through hyperlinks (hypermedia)” (Manovich, 2001: 72). O que implica que
Given that computer media is simply a set of characters and numbers stored in a computer, there are numerous ways in which it could be presented to a user. Yet, as in the case with all cultural languages, only a few of these possibilities actually appear viable at any given historical moment. (2001: 70)
As interfaces que utilizamos representam apenas um número limitado diante das infinitas possibilidades oferecidas pelo sistema.