Após uma abordagem à metodologia utilizada na recolha, análise dos dados, bem como à caracterização sumária do contexto de desenvolvimento deste estudo, passaremos a descrever os procedimentos relativos à recolha de dados.
Estabeleceu-se um primeiro contacto com o presidente do conselho executivo, em Novembro de 2008, com o objectivo de apresentar o nosso projecto de investigação e averiguar a receptividade do órgão de gestão relativamente ao desenvolvimento do mesmo. Tendo o Presidente do Órgão de Gestão manifestado a sua concordância, dirigimo-nos à coordenadora do grupo de EE, mencionando o nosso interesse em desenvolver o trabalho com os professores de educação especial. A sua disponibilidade foi imediata, tendo-nos convidado a apresentar o projecto numa reunião do grupo.
A reunião com os professores de educação especial decorreu no dia 12 de Fevereiro de 2009, expondo-se aos presentes o nosso projecto de investigação. De uma maneira geral, os elementos do grupo mostraram-se receptivos para colaborar, permitindo-nos a entrevista individual. Tivemos, então, o cuidado de referir que a marcação das entrevistas seria em conformidade com a disponibilidade de horário de cada um. Tendo por base metodológica da investigação qualitativa a entrevista semiestruturada como o principal meio de recolha de dados, definida a amostra sobre a qual incidirá o estudo, procedemos à elaboração do guião da entrevista focalizando-o no objecto fundamental deste estudo.
De modo a verificar a compreensão das questões, a adequação das respostas, o tempo médio de duração da entrevista, o funcionamento da gravação em áudio, bem como o comportamento dos intervenientes (entrevistador e entrevistado), procedemos a uma validação. Nesta experiência piloto, tivemos o cuidado de assegurar condições físicas e geográficas similares àquelas em que iríamos desenvolver o nosso estudo. A entrevista teste foi efectuada noutro Agrupamento de Escolas com professores que integram o mesmo grupo de recrutamento, conforme apresentamos na Tabela 2:
Tabela 2 – Teste da entrevista
1.ª Entrevista
1 Docente de Educação Especial
2.ª Entrevista
1 Docente de Educação Especial
Aplicação: 26/03/2008 Aplicação: 01/04/2008
A testagem do guião inicial permitiu-nos avaliar as dimensões que questionámos, proceder às alterações necessárias e elaborar uma nova versão do guião da entrevista. Por exemplo, verificou-se que a entrevista era demasiado extensa, havendo também a necessidade de reformular algumas questões, de forma a tornarem-se mais objectivas.
Elaborada nova versão, foi validada pela Orientadora da Investigação (Anexo 1), após o que se tornou definitiva.
Quanto ao local da entrevista, privilegiou-se o contexto educativo, sendo em algumas situações a própria sala de aula.
Sempre que a investigação implica ou incide sobre sujeitos humanos, Bogdan e Biklen, (1994, p. 75) diz ser imprescindível asseverar os princípios éticos da prática investigativa. Lima (2006, p. 137), refere que o primeiro documento sobre a conduta ética na investigação, produzido no Canadá em 1998, atribui especial destaque “às questões do anonimato e da confidencialidade”. Ainda segundo o autor:
o princípio fundamental para a aceitabilidade ética de um estudo é o consentimento informado: o de os participantes serem informados da natureza e do propósito da pesquisa, dos seus riscos e benefícios, e de consentirem participar sem coerção. (2006, p. 142).
Salvaguardando esses princípios, foi entregue a cada sujeito entrevistado um protocolo de investigação, contendo a descrição do estudo, objectivos da investigação e outras informações, nomeadamente a garantia de confidencialidade dos dados e protecção da identidade dos participantes, tendo os mesmos dado o seu consentimento através da assinatura do referido protocolo (Anexo 2). Da mesma forma, solicitou-se previamente autorização a cada entrevistado para fazer a gravação em áudio, explicitando as condições em que a mesma seria efectuada. Previamente ao início da entrevista, foi entregue um formulário com as questões principais, para que os entrevistados se familiarizassem com o conteúdo dos assuntos a abordar.
No decorrer das entrevistas tivemos o cuidado de não refutar ou tomar posições, respeitar o tempo de resposta ou não interromper. Para Bogdan e Biklen, (1994, p. 83) em investigação qualitativa é suposto não se ter conhecimentos precisos sobre o meio e as pessoas que constituem o
objecto do estudo, devendo os investigadores não construir ideias preconcebidas. Da mesma forma, “o entrevistador deve evitar alimentar as respostas aos sujeitos e fazê-los sentirem-se desconfortáveis relativamente aos seus pensamentos” (Bogdan & Bilklen, 1994, p. 139).
De referir, ainda, que o momento em que decorreu este estudo foi um período particularmente marcado pela conturbação inerente à implementação do modelo de avaliação de desempenho docente, facto que torna indispensável dissociar o sujeito investigador do sujeito docente e manter o distanciamento necessário, de forma a garantir a autenticidade da investigação.
As entrevistas decorreram no período de 16 de Abril de 2009 a 7 de Maio de 2009. A duração média das entrevistas foi de quarenta e cinco minutos, sendo a entrevista mais longa de cerca de cinquenta e seis minutos e a mais curta de cerca de vinte minutos.
No decurso da primeira entrevista, verificámos que algumas questões se tornaram desnecessárias. Por exemplo, decorrente da situação da não entrega dos objectivos individuais pelo entrevistado e por todos os elementos do grupo, conforme o próprio nos informou, deixou de fazer sentido colocar algumas questões previstas no guião, tais como, como se pediu observação de aulas e número de aulas assistidas ou se solicitou avaliador da mesma área disciplinar. Da mesma forma, a questão relativa às dificuldades e/ou vantagens encontradas na aplicação dos instrumentos foi, de imediato, reformulada da seguinte forma: como não foi solicitada a observação de aulas, os instrumentos de registo de observação não foram aplicados. Contudo acha que eram de fácil aplicação ou demasiado complexos? Ainda a questão sobre os aspectos positivos/negativos encontrados no procedimento de aulas observadas, foi igualmente reformulado: qual a sua opinião relativamente à observação de aulas?
A transcrição das entrevistas foi devolvida a cada entrevistado, de forma a que estes se pudessem inteirar do conteúdo registado, dando-lhes a possibilidade de clarificar, explicitar, ou desenvolver alguns assuntos ou ideias se assim o entendessem. As entrevistas apenas foram submetidas aos procedimentos de análise, após a sua devolução. Segundo Bogdan e Bilklen (1994, p. 51) este procedimento traduz “uma preocupação com o registo tão rigoroso quanto possível do modo com as pessoas interpretam os significados”.
A atribuição de um código a cada entrevistado foi feita de acordo com a ordem pela qual a entrevista foi efectuada.
A constituição do
corpus
, ficou, então, delimitado às entrevistas uma vez que, conforme tivemosconhecimento através dos entrevistados, o portefólio, como instrumento de recolha de evidências, não foi adoptado por este Agrupamento de Escolas e a observação de aulas também não foi efectuada
neste grupo de docentes.
A entrevista efectuada ao elemento da CCAD, embora não integre o
corpus
do estudo serviu, noentanto, para fornecer informações mais abrangentes, contribuindo para completar ou explicitar algumas informações recolhidas nas entrevistas, consolidando, de alguma forma, as informações emitidas. Assim, “se o material a analisar foi produzido com vista à pesquisa que o analista se propõe realizar, então, geralmente o
corpus
da análise é constituído por todo esse material” (Vala 1986, p. 109).Segundo Bogdan e Bilklen (1994, p. 134), em investigação qualitativa, “as entrevistas podem constituir a estratégia dominante para recolha de dados ou podem ser utilizadas em conjunto com a observação participante, análise de documentos e outras técnicas”. Pelas razões supracitadas, a entrevista constituiu, neste nosso estudo, o principal meio de recolha de informação.