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Finalmente, é importante ressaltar-se que a memória − na medida em que funciona como um elemento de produção de contexto e adição de profundidade para o produto jornalístico − deve ser considerada uma das variáveis a ser observada e mensurada quando está em causa a avaliação de qualidade dos jornais digitais.

tal constatação envolve uma nova tarefa, que tem início com a necessidade de criação de instrumentos específicos para a análise dessa dimensão do jornalismo em redes digitais, uma vez que o instrumental disponível – tanto teórico quanto empírico (questionários, lista de observação e avaliação, listas de critérios, etc.) – foi majoritariamente criado para a análise de websites em geral e não especificamente para a avaliação de websites jornalísticos (palacios, 2009). pode-se aceitar a perturbadora imagem do tempo líquido (bauman, 2007) como uma característica de nossa contemporaneidade, que nos força, como à alice de lewis Carrol (Alice´s Adventures in Wonderland), a correr com todas as nossas forças para permanecermos no mesmo lugar. porém, paradoxalmente, temos também que aceitar que − a despeito de toda a fluidez − os múltiplos registros destes nossos tempos, até pela simples imensidão de material produzido, não vão simplesmente desaparecer como a água que escorre por um ralo. inevitavelmente,

pelo menos parte dessa enxurrada memorialística sobreviverá como ‘memória congelada’.

ou talvez não se trate exatamente de um paradoxo, mas antes de uma consequência: a velocidade de nosso tempo é tal que nos sentimos obsessivamente compelidos a salvar imagens do presente, com o propósito de a ele voltarmos mais tarde, em um tempo futuro idealizado e mais calmo que – obstinadamente – insistimos em sonhar que um dia possa vir a existir. assim fazendo, agimos um pouco como os turistas que desesperadamente clicam suas câmeras durante suas viagens, produzindo milhares de imagens que, muito provavelmente, ficarão armazenadas e esquecidas em algum disco rígido de computador, cartão de memória ou espaço in the clouds. e devemos estar plenamente conscientes e avisados que, diferentemente da natureza sólida e perene das marcas nas rochas deixadas por nossos antepassados neolíticos, ou até mesmo diferentemente da palpável realidade dos álbuns de viagens de nossos pais e avós, nossas marcas digitais são extremamente vulneráveis a todo tipo de apagamento.

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