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Aline Cristina Fernandes1 Vera Lúcia Lopes Cristovão2

Resumo: O presente trabalho objetiva relatar experiências advindas de uma oficina de formação docente continuada interdisciplinar, sobre a temática da Educação Ambiental (EA) crítica (TOZONI-REIS, 2007). Os aportes teóricos-metodológicos que embasaram esta oficina estão ancorados no Interacionismo Sóciodiscursivo (BRONCKART, 1997/2009). Esta oficina oportunizou as participantes a capacitação sobre o relacionamento dos sujeitos com a natureza, além de problematizações sobre os temas ambientais a partir de questões históricas, sociais, econômicas, ecológicas e culturais. Sendo assim, esta oficina constituiu-se como um espaço potencializador dos saberes docentes a ensinar e para ensinar.

Palavras-chave: Formação Continuada; Interdisciplinaridade; Educação ambiental crítica.

AOFICINAINTERDISCIPLINAREAEACRÍTICA

Por meio da investigação da formação docente continuada em uma pesquisa de mestrado em andamento na área dos Estudos da Linguagem, escolheu-se desenvolver uma oficina de caráter interdisciplinar, para entender um pouco mais sobre as representações sociais das docentes diante de novas aprendizagens, e também identificar elementos envolvendo o conceito de EA crítica na produção escrita das participantes.

Ao se trabalhar coma oficina denominada “Educação Ambiental Crítica sob a perspectiva interdisciplinar” organizou-se um material (PONTARA; CRISTOVÃO, 2018) repleto de textos interdisciplinares com atividades sobre as teorias estudadas, para orientar o curso de formação continuada.

1 Professora da rede básica pública de ensino. Mestranda do Programa em Estudos da Linguagem – PPGEL da Universidade Estadual de Londrina. [email protected]

2 Profª Drª do Departamento de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Londrina, Londrina, PR, pesquisadora do CNPQ. [email protected].

Deste modo, este trabalho teve como objetivo promover o engajamento das docentes em relação ao tema e a possibilidades de entendimentos sobre a EA crítica visando auxiliar no desenvolvimento dos saberes a ensinar e para ensinar (HOFSTETTER; SCHNEUWLY, 2009). Além disto, entende-se a formação continuada como um direito dos professores, e considera-se que os conhecimentos destes são desenvolvidos a partir de práticas sociais, estas que se realizam por meio da linguagem.

CONTEXTODEPESQUISA

A oficina contou com a participação de dez professoras da rede básica pública de ensino da cidade de Ubiratã, no Estado do Paraná. Três docentes lecionam a disciplina de História, três Geografia, duas Português e duas Inglês.

O objetivo geral da oficina foi promover um espaço de discussão sobre a EA e sua condição de ser EA crítica. A oficina foi composta por oito encontros, com carga horária total de 40 horas. Ao trabalhar com um grupo interdisciplinar foi preciso sensibilização, mobilização individual e coletiva para estabelecer um contexto interdisciplinar.

Durante a oficina foram realizados estudos teóricos e práticos, envolvendo comparações de perspectivas que perpassam a EA. E, além disto, foram analisados materiais e atividades, praticando os conteúdos estudados durante o curso. Conhecer os diferentes vieses do trabalho com a EA foi muito importante, para em seguida, aprofundar os estudos sobre a EA crítica nas dimensões históricas, sociais, ambientais, visando seu caráter contínuo, transformador e emancipatório.

Esta oficina foi imensamente positiva, devido às discussões enriquecedoras e à produção escrita realizada em conjunto pelas participantes.

No primeiro encontro da oficina foram sugeridos dois gêneros de texto para a produção escrita das participantes, eles eram: material interdisciplinar sobre EA crítica e diretrizes para uma EA interdisciplinar. Além disto, a professora Débora Albuquerque, convidada para explicar sobre a importância do trabalho com a EA critica, sugeriu a produção escrita de uma diretriz de EA municipal.

Durante o curso, foi priorizada a escrita enquanto processo, visando o desenvolvimento dos conhecimentos que estavam sendo estudados. Sendo assim, as propostas para a produção escrita visaram instrumentalizar o agir social por meio da linguagem.

Ao considerar algumas características do processo de ensino e aprendizagem, como a complexidade dos gêneros de textos, o processo de aprendizagem das participantes sobre EA e a carga horária da oficina, decidiu-se realizar produções intermediárias para motivar as participantes, pois realmente elas estavam desenvolvendo conhecimentos sobre uma temática complexa e compartilhando processualmente os novos saberes em grupo.

As produções intermediárias foram feitas oralmente, em conjunto, associando os conteúdos que estavam sendo estudados sobre a EA crítica e os conteúdos dos materiais analisados.

Após essas produções intermediárias de análises, as participantes decidiram produzir um material interdisciplinar sobre a EA crítica, para praticarem o que estavam aprendendo e também terem a possibilidade de ensinarem seus estudantes. Sendo assim, as docentes iniciaram a produção escrita interdisciplinar no sexto encontro. Os grupos interdisciplinares se reuniram em outros momentos e deram andamentos nas atividades. No sétimo encontro, as participantes finalizaram as atividades do material, e no último encontro da oficina foi realizada uma revisão do material em conjunto.

As docentes escolheram trabalhar com a temática da coleta seletiva, um tema local que está em desenvolvimento no município de Ubiratã. Assim sendo, buscaram textos base para problematizar o tema sob os vieses histórico, social, ambiental e econômico.

As atividades deste material serão subsídios para outras discussões, produções escritas e reflexões, e com isto disseminará a complexidade e a completude do trabalho com a EA critica, visando o entendimento dos problemas locais, para embasar possibilidades de análises dos desafios ambientais globais.

A produção escrita das participantes foi compartilhada com outros professores do município de Ubiratã, com o intuito de que a interação e a participação social por meio deste material interdisciplinar beneficiem a formação dos sujeitos envolvidos tanto no ensino, quanto na aprendizagem.

ALGUMASCONSIDERAÇÕES

É evidente a necessidade do engajamento de perspectivas e a busca por novas possibilidades de exploração das áreas do saber. Deste modo, para existir melhorias na qualidade das formações docentes e no trabalho realizado em sala de aula, é necessário inovar buscando propostas que aliem teorias, práticas e temas críticos. Assim sendo, experiências serão oportunizadas, para que pequenas mudanças impactem na realidade escolar e reflitam benefícios para a sociedade em geral.

REFERÊNCIAS

BRONCKART, J. P. Atividade de linguagem, textos e discursos: Por um interacionismo sociodiscursivo. Tradução de Anna Rachel Machado e Péricles Cunha.São Paulo: EDUC, 1999/2003/2007/2009.

HOFSTETTER R. et SCHNEUWLY B. (2009).« Savoirs en (trans)formation. Au cœur des professions de l’enseignement et de la formation». In Hofstetter R. et Schneuwly B. Savoirs en (trans)formations des savoirs dans les formations aux professionsenseignantes. Bruxelles : De Boeck, p. 6-22.

PONTARA, C. L. CRISTOVÃO, V. L. L. Sequência de Formação para professores de Língua Inglesa: estabelecendo relações com os saberes e as capacidades docentes. Signum: Estudos da Linguagem, [S.l.], v. 21, n. 2, p. 172-198, 2018.

TOZONI-REIS, M. F. C. Contribuições para uma pedagogia crítica na educação ambiental:reflexões teóricas. In: LOUREIRO, C. F. B. A questão ambiental no

pensamento crítico:natureza, trabalho e educação. Rio de Janeiro: Quartet, p. 177-221, 2007.

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