Ana Carolina Rubini Trovão1 Verena Mehler2
Resumo: A Gerência de Serviço de Produção de Água de Curitiba da Sanepar tem que promover a constante manutenção de poços e caixas d´água e muros porque existem muitos casos de vandalismo. Em muitos destes casos, além de pichação nos muros das estruturas e a incidência de cacos de vidro, os atos de depredação causam rachaduras e vazamentos ocasionando desperdício de água potável e interrupções no serviço de abastecimento. Diante da constatação desta realidade, a Gerência de Serviço de Produção de Água e a Gerência de Educação Socioambiental desenvolveram, em parceria, um projeto com ações para revitalizar e valorizar os espaços operacionais do sistema de tratamento de água. Desde o início do projeto até agora, 5 colégios da região metropolitana de Curitiba se envolveram, aproximadamente 80 alunos participaram de 6 oficinas e da execução de 6 murais. Palavras-chave: Sistemas de tratamento de água; Vandalismo; Educação Ambiental; Parcerias; Corresponsabilidade.
INTRODUÇÃO
A Gerência de Serviço de Produção de Água da Sanepar tem que promover a constante manutenção de poços e caixas d´água e muros porque existem muitos casos de vandalismo. Em Curitiba e na região metropolitana a necessidade de manutenção constante implica incremento de custos que, em outras circunstâncias, poderiam ser aplicados em melhorias.
Em muitos destes casos, além de pichação nos muros das estruturas e a incidência de cacos de vidro, os atos de depredação causam rachaduras e
1 Socióloga na Gerência de Educação Socioambiental da Diretoria de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar. Doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná. [email protected].
2 Assistente social na Gerência de Educação Socioambiental da Diretoria de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar. Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná. [email protected].
vazamentos ocasionando desperdício de água potável e interrupções no serviço de abastecimento.
Diante da constatação desta realidade, a Gerência de Serviço de Produção de Água e a Gerência de Educação Socioambiental desenvolveram, em parceria, um projeto com ações para revitalizar e valorizar os espaços operacionais do sistema de tratamento de água.
MATERIAIS E MÉTODOS
A estruturação do projeto parte do pressuposto de que a educação ambiental é um instrumento que permite as pessoas tomarem ciência acerca dos impactos sociais e ambientais que as pressões antrópicas exercem sobre o meio ambiente e de como a ação individual e coletiva é importante para a conservação e a promoção de boas condições de vida.
Tal forma de compreender as possibilidades da educação ambiental fez com que o eixo central das ações fosse a inclusão de temáticas socioambientais atuais e importantes em processos educacionais com jovens da comunidade favorecendo a tomada de consciência acerca dos enfrentamentos necessários para a construção de uma realidade socialmente justa e ambientalmente responsável.
A metodologia proposta se divide em: diagnóstico socioambiental preliminar; estabelecimento de ações que contribuam para o enfrentamento das problemáticas observadas; estabelecimento de parcerias com unidades da empresa e com a comunidade; oficina de grafite e meio ambiente; oficina para a pintura do mural.
Durante o diagnóstico socioambiental preliminar a equipe da Gerência de Educação Socioambiental - GESA visitam os locais onde estão os sistemas indicados pela Gerência de Produção de Água como prioritários. O objetivo é desta ação é estabelecer um primeiro contato com a comunidade e observar os problemas socioambientais em que será possível atuar.
Diante dos dados levantados a equipe elenca as ações que poderão ser feitas. Em alguns casos é preciso ações estruturais e sinalizações, em outras a veiculação de artigos na mídia local sobre o que são as estruturas qual sua importância para a distribuição de água potável e em outras são necessárias ações sociais como inclusão na tarifa social ou campanha de agasalho.
Por isso o próximo passo é o estabelecimento de parcerias internas. Para os casos em que é preciso ações de comunicação estabelece-se parceria com a Gerência de Comunicação e Marketing, para os de ação social com a Gerência de Gestão de Pessoas e assim por diante conforme a necessidade.
Estabelecidas as parcerias e as ações, a equipe da GESA volta a comunidade para estreitar as relações com a comunidade entrar e contato coma as escolas e centros da juventude para organizar as oficinas. De forma geral as que já foram realizadas aconteceram em escolas municipais.
As oficinas de arte e meio ambiente tem duração de 16h. Elas são ministradas por artistas urbanos e pela equipe da GESA. Enquanto aqueles ensinam técnicas básicas de grafitagem, estes estabelecem vínculos entre a arte, o meio ambiente e a água.
Para finalizar o processo os alunos, sob a orientação dos artistas, pintam os muros das estruturas confeccionando um mural cuja temática é conservação, água e saúde.
RESULTADOS
O projeto teve início em 2016 no Colégio Ambrósio Bini. Entre 2016 e 2017, 14 alunos participaram das oficinas e da pintura do Muro do Poço do Centro em Almirante Tamandaré.
Neste mesmo ano, somou-se a parceria com o Colégio o Centro de Juventude da cidade. Foi lá que ocorreu a oficina para o mural do Reservatório Monte Santa. Desta empreitada participaram cerca de 15 alunos.
Em 2018 foram realizados mais quatro murais.
Em Almirante Tamandaré, mais uma vez o Colégio Ambrósio Bini foi parceiro da Sanepar. Duas turmas de aproximadamente 10 alunos participaram das atividades e confeccionaram os murais dos Reservatórios São João e Morro do Amor.
Neste ano o projeto também foi realizado em Colombo. Participaram o Colégio Estadual João Gueno e o Colégio Estadual Vinicius de Moraes. As turmas contaram com cerca de 15 alunos cada. Eles pintaram os muros dos reservatórios São Dimas e Monte Castelo.
Portanto, desde o início do projeto até agora, 5 colégios da região metropolitana de Curitiba se envolveram, aproximadamente 80 alunos participaram de 6 oficinas e da execução de 6 murais.
Outro resultado significativo é o fato de que antes da prática as estruturas tinham que ser recuperadas a cada três ou quatro meses o que implicava grandes gastos para garantir a manutenção e seguridade destes equipamentos. Depois da prática a necessidade deste tipo de manutenção diminuiu significativamente. Em alguns casos ela tem sido feitas a cada oito ou nove meses.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para 2019 está prevista a realização das ações do projeto em mais 10 estruturas de tratamento de água na região metropolitana de Curitiba.
São elas: Poços Brascal e Tacaniça em Rio Branco do Sul; Casa de Química e Poço 8 em Contenda; Reservatórios Papagaios, Paraíso, Monte Santo em Almirante Tamandaré, Poços 2 e 3 na Lapa e Poço 4 em Tunas do Paraná.
Neste ciclo o projeto também contará com a participação da equipe de Patrimônio Histórico que será responsável pelo registro das ações e pela curadoria de uma exposição fotográfica sobre o projeto e seus impactos.
REFERÊNCIAS
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http://web.unifoa.edu.br/portal_ensino/mestrado/mecsma/arquivos/sauve-l.pdf . Acesso em: 16 de julho de 2018.
SAUVÉ, L. Uma Cartografia das correntes em educação ambiental. In: Educação
Ambiental: pesquisa e desafios. Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Artmed. 2005. p. 17 – 45.
SORRENTINO, Marcos; TRAIBE, Rachel; MENDONÇA, Patrícia; FERRARO, Luiz Antônio. Educação Ambiental como política pública. Educação e Pesquisa, São Paulo, v 31, nº 2, p. 285 – 299. Maio/ago. 2005.